Olhares da infância

Cenas registradas em escolas da educação infantil e ensino fundamental trazem à tona características comuns a todas as crianças: a curiosidade e a improvisação

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Primeiras leituras: Por mais que a criança ainda não tenha sido alfabetizada, se ela tem acesso ao livro, pode experimentá-lo de diversas formas, atribuindo a ele outras funções. Na Escola da Vila (à dir.), o bebê tenta descobrir o que é um livro levando-o à boca. No Centro de Educação Infantil Basileia, na zona norte de São Paulo, a menina, que está começando a conhecer as letras, segura o volume como quem já sabe ler

As coisas que não têm nome são mais pronunciadas por crianças”, diz o poeta Manoel de Barros, em seu Livro das ignorãças. O verso traduz para a poesia a percepção cotidiana de que as crianças são mestres da curiosidade e da criatividade. No caso dos bebês, experimentam tudo sem medo de fazer algo errado, como quando colocam um livro na boca, por exemplo. Com olhar ingênuo em relação ao mundo, agem como se estivessem conscientes da máxima “só sei que nada sei”, de Sócrates, e seguem em busca de conhecimento. Com o passar do tempo, aprendem os nomes dos seres e das coisas e ampliam suas formas de se comunicar.



Como quem quer devorar o mundo, perguntam a todo instante “o que é isso, o que é aquilo?”. E ainda que se apropriem de novos significados e os acumulem, continuam a reinventar. Com liberdade e grande poder de improvisação, as crianças brincam com tudo. E os estímulos podem ser bem simples. Afinal, quem nunca viu (ou foi) um pequeno aventureiro navegando pelos mares numa caixa de papelão, como nas páginas de Não é uma caixa (Cosac Naify), da californiana Antoinette Portis, que revelam essa e outras funções que o trivial recipiente pode assumir segundo a imaginação do protagonista: carro de corrida, prédio, fantasia de robô, balão ou foguete? E isso é só o começo. 







Desproporções
No Centro de Educação Infantil Santo Agostinho (acima, à direita), na zona sul de São Paulo, as crianças imitam as ações dos adultos como se quisessem ajudá-los, ainda que a vassoura tenha quase o dobro de seu tamanho ou a cadeira seja mais pesada do que podem aguentar. Conforme crescem e as capacidades se desenvolvem, elas passam a ajudar efetivamente nas atividades em sala, como faz o estudante do ensino fundamental segurando as caixas no Colégio Gislaine Rosati, na zona norte da capital paulista







Usos e desusos
Na creche Santo Agostinho, espaço concebido para atender ao desenvolvimento da expressão corporal das crianças, elas aproveitam os objetos conforme sua criatividade, intuição ou senso de improvisação (muitas vezes tentando descobrir na prática para o que eles servem). Acima, o menino participa de uma atividade promovida pela professora, na qual cada um pode brincar da forma que acha melhor com um pneu







Observações
Na entrada da Escola Estadual Oswaldo Quirino Simões, em Osasco (SP), as crianças aproveitam o pouco tempo que têm antes da aula para atividades de descontração, como conversar e trocar figurinhas. No corredor, a curiosidade do aluno para saber se está atrasado ou se pode brincar um pouco mais







Tubo de ensaio
“Lavei direito?”, pergunta a aluna no laboratório de química da Escola Estadual Nail F. de Mello Boni, em São Bernardo (SP), durante a Academia de Ciências, iniciativa que aprofunda os estudos da disciplina entre os alunos mais interessados do 6º ano do ensino fundamental. O programa acontece durante o contraturno

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