Objeto de desejo

O Coluni, ligado à Universidade Federal de Viçosa, aposta na autonomia docente

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Para ingressar no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (Coluni), é preciso enfrentar uma concorrência média de 13 candidatos por vaga num processo de seleção que atrai gente de todo o Estado de Minas Gerais – e de fora dele. O objetivo desses jovens é estudar naquele que é considerado um dos melhores colégios de ensino médio do país. Nos resultados do Enem 2008, divulgados em 2009, os alunos do Coluni conquistaram a terceira posição no Brasil.

Criado em 1965, o Coluni conta hoje com 480 alunos divididos em turmas de, no máximo, 40 alunos. Cerca de 80% deles vêm de outras localidades, instalam-se em repúblicas na cidade e convivem cotidianamente com a população universitária, seja fazendo suas refeições no restaurante da instituição ou frequentando a biblioteca da UFV. O que faz com que as relações entre o colégio e as graduações sejam bastante estreitas. Apesar disso, a professora Eunice Bitencourt Bohnenberger, diretora do Coluni, afirma que o objetivo da escola não é a preparação para o vestibular. "Nossa preocupação é a formação geral do aluno. Os conteúdos são abrangentes e os professores têm autonomia", afirma.

O ambiente de trabalho dos professores no Coluni pode ser considerado um ambiente ideal: todos os professores são mestres e alguns já estão chegando ao pós-doutorado, o contrato é de dedicação exclusiva, cada um deles tem gabinete de trabalho próprio e sempre participam de congressos e atividades de extensão. Para os alunos, a ênfase está nas aulas práticas e no nível avançado das matérias. Já a participação dos alunos da graduação se dá de duas maneiras: ou por meio de estágios no colégio – para os cursos de formação de professores e licenciaturas – ou como área de aplicação de pesquisa e projetos de extensão.

Apesar desse cenário, Eunice ainda lamenta a distância entre o Coluni e a UFV no que diz respeito ao programa de estágios. Isso porque muitos alunos da graduação preferem não passar pelo alto nível de exigência do colégio. "Aqui o estagiário trabalha muito, tem de cumprir obrigações bem definidas. É uma característica da escola, tudo é muito bem planejado", conta a diretora. Na área de pesquisa, algumas iniciativas têm dado certo e já estão sendo reproduzidas em outras escolas. Uma delas é o projeto de ensino de história utilizando RPG (role playing game), desenvolvido por uma professora da UFV em conjunto com um grupo de alunos, que hoje já está presente na rede pública por meio de oficinas.

A partir deste ano, o Coluni implantou uma política afirmativa de fornecer bônus de 15% na nota do processo seletivo para alunos que cursaram ensino fundamental na rede pública. De acordo com Eunice, muitos alunos do Coluni vêm também de escola pública e de famílias carentes que precisam do Bolsa Família, e se valem de programas da universidade, como o auxílio alimentação.

"Nossa escola não tem uniforme, os portões ficam abertos, ninguém fica viajando e não temos problemas de disciplina. Os alunos usam bermudas e sandálias havaianas e muitos deles, que vieram da roça, são brilhantes em matemática e física", resume a diretora.(GJ)

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