O Sol nasce para todos

ONG dissemina nas escolas, gratuitamente, aquecedor solar que pode ser construído pelos próprios alunos

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João Marcos Rainho


O Brasil é um país abençoado pelo Sol. Entretanto, essa energia farta e barata ainda está sendo mal utilizada e poderia economizar preciosos kilowatts caso substituísse parcialmente fontes elétricas. Um chuveiro elétrico, por exemplo, ligado diariamente por meia hora, consome cerca de 820 kw/ano. Se 75% dos 32 milhões de lares que utilizam chuveiro elétrico substituíssem a fonte de energia tradicional pela solar, a economia seria significativa – não apenas de eletricidade, mas também de água em nossas represas energéticas e da redução da emissão de gás carbônico (CO2



) na atmosfera. Esses argumentos motivaram o engenheiro Augustin Woelz a dar uma guinada em sua carreira, largando tudo para se dedicar integralmente à ONG Sociedade do Sol (SoSol).



A entidade ensina qualquer pessoa a montar o seu aquecedor solar caseiro, utilizando materiais baratos, como pedaços de divisórias, canos de PVC e ferro. O projeto detalhado está disponível gratuitamente na internet. “Recebo dezenas de telefonemas e e-mails de todo o país solicitando informações”, comenta Woelz. É pouco, segundo ele.



Woelz quer disseminar o conceito da energia solar nas escolas. “Atingindo os alunos, eu chego na família”, raciocina. A SoSol, fundada em 1999, já começou a montagem de cem kits didáticos solares, compostos de peças e manual do Aquecedor Solar de Baixo Custo (ASBC). Os kits serão doados para diversas escolas da periferia de São Paulo. “Esse processo será repetido por tantas vezes quanto necessário até que os aquecedores configurem massa crítica”, planeja o engenheiro.




Nessa empreitada, a SoSol conta com a ajuda de empresas como a Tigre (que fornece material de PVC) e o apoio de entidades de fomento como o Ministério da Ciência e Tecnologia, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A ONG está localizada na Incubadora de Empresas Tecnológicas no campus do Instituto de Pesquisas Nucleares da Universidade de São Paulo.




Passo-a-passo –





Apesar da simplicidade do projeto, muita gente prefere receber instruções de montagem pessoalmente. Por isso, a SoSol criou um curso de capacitação especial para professores. Vinte docentes de física, matemática, ciências e geografia já passaram pelo curso. “Além da questão econômica, o aquecimento solar proporciona vivências interdisciplinares”, ressalta Woelz, que faz questão de lembrar que quem necessita de um aquecedor solar de melhor qualidade deve procurar o equipamento tradicional, mais caro, porém mais eficaz.



Engajada em movimentos de associação de bairro, Celeste Yumi Capasso, professora de ciências e biologia, achou fácil a montagem do kit. “Introduzi esse conhecimento no
Projeto Água

, que promovo na 7



a





série da escola Circe Teixeira Musa e Silva, em Jundiaí [
SP

]. Fiz explanações sobre o impacto ambiental de novas usinas hidrelétricas e a questão da falta de água. Com o aquecedor solar, ensinei temas como densidade, estado físico da água e moléculas. Muitos alunos contaram que seus pais se interessaram em montar o aquecedor solar em suas casas.”



O professor Ulisses Antonio de Andreis também incluiu a montagem do aquecedor solar no
Projeto Energia

, do Colégio Rio Branco, de São Paulo (SP). “A princípio, não acreditava que o aparelho funcionasse tão bem e que sua montagem fosse tão simples a ponto de ser exeqüível a um adolescente”, conta. O professor está ensinando física com os kits – princípio da conservação de energia, processos de transferência de calor, propriedades térmicas dos materiais, rendimento, calor sensível etc. “O kit proporciona trabalho prático em equipe, resolvendo uma necessidade concreta.”



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