O que os jovens gostariam de ter aprendido na escola sobre o mercado de trabalho

Aqueles que estão no início da vida profissional revelam o que acham importante que as escolas ensinem para os alunos encararem essa etapa

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Jovens falam sobre o que gostariam de ter aprendido na escola sobre o mercado de trabalho

© Fotos: Shutterstock

Proatividade, boa comunicação e capacidade de trabalhar em equipe. Essas são apenas algumas das inúmeras exigências cobradas pelas empresas na hora de contratar um candidato. Ao terminar a escola, porém, nem sempre o jovem tem essas habilidades bem desenvolvidas – apesar da Lei de Diretrizes e Bases, sancionada em 1996, prever que um dos deveres da escola é preparar os alunos para o mercado de trabalho.

De acordo com uma pesquisa de 2013, realizada pelo Ibope sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a maioria dos brasileiros acredita que a escola não desempenha bem esse papel. Segundo o levantamento, 41% dos entrevistados avaliam que o aluno sai do ensino médio “razoavelmente preparado” para o mercado de trabalho. Apenas 14% disseram acreditar que, ao se formarem no ensino médio, os estudantes estão “bem preparados” para assumir um emprego.

Mas quais habilidades os jovens creem que a escola deveria ajudá-los a desenvolver para facilitar sua entrada e bom desempenho no começo da vida profissional? Educação convidou cinco jovens a refletir sobre suas experiências do início de carreira e esses foram os pontos de maior destaque:

1) Orientação vocacional

Não é raro encontrar jovens que, no último ano do ensino médio, ainda não sabem qual carreira querem seguir. A falta de apoio nesse processo de escolha é uma das maiores queixas daqueles que terminam a educação básica.

Essas dúvidas levam, em muitos casos, a constantes mudanças de curso. Segundo dados do Ministério da Educação, em 2014 o número de universitários que trancaram o curso superou o daqueles que concluíram a graduação. Enquanto 1,21 milhão de estudantes desistiram da faculdade naquele ano, 1,03 milhão receberam o diploma.

“Tive bastante dificuldade na hora de escolher a profissão e acredito que a escola poderia ajudar mais nesse quesito”, afirma Larissa Montalván, 21, que estuda publicidade e propaganda e estagia numa agência de e-commerce. Ela se formou no colégio Objetivo Pinheiros e acredita que é preciso preparar o aluno desde cedo para o momento da escolha. “Esse assunto não deveria ser abordado apenas no terceiro ano do ensino médio.”

Cesar Isoldi, 20, que estuda jornalismo e faz estágio na área, concorda. Ele conta que o colégio onde se formou, o Agostiniano Mendel (zona Leste de São Paulo), oferecia aos alunos um cursinho de orientação vocacional já no primeiro ano do ensino médio, e que esse suporte foi fundamental. “Além de autoconhecimento, eles nos falavam um pouco sobre mercado de trabalho e mundo acadêmico, o que considero que tenha sido bom pra que eu enfrentasse isso com mais segurança depois”, avalia.

2) Como se comportar em entrevistas e processos seletivos

Para conseguir um emprego, o jovem precisa passar por entrevistas exigentes e disputadas. E, muitas vezes, isso acontece antes mesmo do término do ensino médio. É o caso de Raphael Yoshino, de 20 anos, que começou a trabalhar aos 16 como auxiliar administrativo. Ele estudou a vida toda em escolas públicas e fez o ensino médio na Escola Estadual Alberto Torres, na zona Oeste de São Paulo. Em 2015, formou-se em Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos. Hoje, trabalha na área.

Para Yoshino, a escola deveria ensinar ao jovem como se comportar em momentos de avaliação, trabalhando fatores como o que falar e a postura a ser adotada em entrevistas. “Esses são pontos severamente avaliados em uma entrevista de emprego”, afirma. Para o jovem que precisa começar a trabalhar cedo, antes mesmo da faculdade, esses são aspectos que, se desenvolvidos pela escola, podem facilitar o ingresso no mercado.

Larissa concorda, e afirma que atividades simples como dinâmicas em grupo e debates podem ajudar muito a se preparar para esse momento. “Essas atividades ajudam não apenas quando já se está no mercado de trabalho, mas também na hora de alguma entrevista.”

3) Capacidade argumentativa

Os debates e atividades em grupo também são vistos como importantes para melhorar a capacidade de expressar opiniões e argumentar – o que é muito exigido em reuniões de trabalho, por exemplo. “Seria muito bom que tivéssemos algumas aulas de debates sobre assuntos diversos. Seria uma forma de a gente se sentir mais à vontade para expressar nossas opiniões em público”, afirma o estudante de jornalismo Cesar Isoldi. Na escola onde estudou esse tipo de aula não era comum.

Raphael Yoshino também não contou com o apoio da escola nesse aspecto. O que aprendeu, conta, veio de vivências pessoais. “O contato que tive com colegas de escola, amigos e familiares que me ajudou nisso.”

4) Respeito à hierarquia

O respeito à hierarquia é outro ponto muito importante na vida profissional. Rayane Tavares, 21, que se formou no Colégio Morumbi Sul e hoje estuda relações públicas, diz que esse é um dos maiores aprendizados que levou da escola. “A escola me ensinou a me manter no meu lugar em relação aos meus superiores, a não levantar a voz.”

5) Trabalho em equipe

Talvez uma das habilidades mais exigidas pelas empresas seja a facilidade de trabalhar em equipe – e esse é um dos pontos que os jovens mais defendem que seja desenvolvido ao longo da vida escolar.

Para Stefany Bernardo, que terminou o ensino médio em 2014 na Escola Estadual Presidente Kennedy, na zona Oeste, as escolas, de maneira geral, dão atenção especial a essa habilidade. “As escolas fazem um bom papel ao desenvolver trabalhos em grupo e tarefas que exijam compromisso e interação interpessoal”, afirma. Hoje, ela estuda Estética e Cosmetologia numa faculdade particular e faz estágio na área.

Já Isoldi conta que não teve muitas experiências de trabalho em equipe em sua escola – e que isso foi prejudicial para sua formação. “O ensino era muito individual e pouquíssimas matérias propunham trabalhos em grupo. Isso foi bastante prejudicial para mim, tanto na faculdade quanto no mercado, porque não sabia muito bem como lidar com essa questão.”

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