BNCC e suas principais críticas foram temas da primeira palestra do Grande Encontro da Educação

Membro da secretaria executiva do ministério da Educação defende que a Base é uma janela de oportunidades

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O que é a BNCC e suas críticas

“A escola tem que trabalhar para fazer o ensino médio deixar de ser uma etapa intermediária e se tornar uma etapa terminativa” afirma Coelho ( foto: Gustavo Morita)

O Grande Encontro da Educação, realizado em São Paulo, teve início hoje, 27. Em sua primeira palestra do dia, os convidados escutaram sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em dois lados: o que ela é e quais as principais críticas.

Ricardo Coelho, membro da secretaria executiva do ministério da Educação, participou de partes da construção da BNCC e foi o responsável por esse tema.  Em sua palestra, deu um panorama sobre os caminhos e críticas que a Base recebeu até chegar na fase atual e contou ainda, sobre o que está em jogo no ensino médio.

Para o palestrante, a BNCC é uma janela de oportunidades e defende que deve haver uma reforma da educação sabendo que no futuro o sistema educacional será radicalmente diferente do que temos hoje.

Coelho afirmou que a educação, entre todas as áreas de políticas públicas, é o campo mais conflagrado e que nesse campo de conflitos, a Base também é. “Dentro da sociedade há quem se sinta ameaçado pela Base. A grande discussão que divide gregos e troianos é que uns dizem que é um instrumento para a melhoria do ensino do país, e os que estão contra a base dizem que é uma intromissão inadmissível na autonomia da escola e do professor”, explica.

O membro do ministério da Educação é a favor do ensino médio flexível, ou seja, que haja as matérias obrigatórias e as optativas. Segundo Coelho, com 15 anos o jovem já sabe o caminho que quer seguir. Para ele, essa linha de educação rompe com um pensamento de ensino monolítico para todos.

“Nesse país, competência é vista como competição. Com toda essa ideia, se criou uma guerra longa no Conselho Nacional – conselho esse que não é homogêneo. Acabou vencendo a visão que tínhamos que organizar a Base a partir de competências gerais e específicas para áreas e etapas”.

Afirmou que houve muitas ‘fake news’ e que a primeira grande controversa foi conceitual sobre a educação infantil. Coelho compreende que a primeira etapa educacional se estrutura nos campos da experiência, o que não impede de desenvolver outros lados. “Na versão dois [da Base], tentou se colocar, mas não deu certo, escuta fala, linguagem e pensamento. Na terceira versão, tentou se concentrar em oralidade e escuta. O que gerou foi uma acusação de que estávamos roubando a infância, e que do brincar e do lúdico, o central passaria a ser a escrita”.

Para ele, esses outros aspectos, que vão além do brincar, seriam um auxílio para orientar a criança a ver a escola. “Eu acho estruturalmente frágil, pois não tem como ter linguagem sem ter pensamento. Mas é assim que funciona. O estado é palco de lutas longas. Nessa disputa, venceu escuta, fala e pensamento”.

Sobre a idade mínima para a criança ser alfabetizada, Coelho enxerga que a Base, ao adotar os métodos das escolas privadas, o desenvolvimento na educação fica mais rápido. “Quanto mais precocemente você concentrar o objetivo de alfabetizar, isso vai sendo aperfeiçoado ao longo do tempo. Mas tem que ser assegurado esse mínimo de que até os 8 anos a criança já esteja alfabetizada e consiga fechar a fábrica de analfabetos nesse país”.

Uma das ‘fake news’ da Base, segundo Coelho, foi que havia ideologia de gênero no texto, que ele defende que não havia. “A única coisa que tinha era o respeito, uma vez que somos um país muito diverso em que há gênero literário, gênero alimentício…com a brigam na Base, só sobrou gênero literário e linguístico”.

A Base foi criado para todos, tanto escola privada, quanto particular. Por isso, ele critica a divisão que ocorreu em relação ao ensino religioso, que só vale para as escolas públicas, já que a constituição aponta que esse tipo de ensino é obrigatório no setor público. “A Base é para todos, se colocarmos dentro todas as escolas teriam que adotar. Tiramos porque ora, nas escolas judaicas a gente estaria tirando o direito delas se manifestarem”.

Ainda sobre as mudanças no esino médio, Coelho, que é doutor em ciência política, acredita que fazer por área de conhecimento pode favorecer a interdisciplinaridade. “As escolas que vão decidir. A Base não separa. O ensino médio também tem sua base de organização própria. A cultura brasileira tem muita dificuldade de aceitar os espaços de liberdade que se pode inovar. Tudo se tem que prever”

Desafios da BNCC
Para ele os principais são: visar as diretrizes nacionais curriculares do ensino médio e aprovar a Base do Ensino Médio no Conselho Nacional da Educação.

Como exemplo de instituições que já estão colocando em prática esse sistema flexível, ele citou o Senai e o Centro Paula Souza. “E nada impede que vocês gestores, possam começar as suas reformas, uma vez que a Base estiver aprovada dando diretrizes para a elaboração dos currículos e formação dos professores e outros”

Finalizou reformando que precisamos de jovens que saibam o que farão no futuro. “A escola em que trabalhar para fazer o ensino médio deixar de ser uma etapa intermediária e se tornar uma etapa terminativa que dê oportunidades para os jovens seguirem sua caminhada com suas próprias pernas”.

OBS: as educações infantis e fundamentais já estão aprovadas. Ensino médio está hoje em discussão no Conselho Nacional da Educação.

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