O pai dos curiosos

Dicionários são fonte de conhecimento muito além do significado das palavras, mas seu aproveitamento depende diretamente da atuação de escolas e professores

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Faoze Chibli



 

A expressão popular “pai dos burros”, para referir-se a dicionários, esconde um preconceito arraigado no Brasil. Tanto é que o uso educativo consciente desse material restringe-se, ainda, a iniciativas isoladas. O Ministério da Educação (MEC) nunca desenvolveu uma política de incentivo ou amparo ao uso de dicionários nas escolas.

Até hoje, limitou-se à compra de livros e envio às instituições de ensino. Nenhum acompanhamento didático. A própria assessoria de imprensa da Secretaria de Educação Básica do MEC, responsável pelos editais de aquisição de material, admite a ineficiência desse sistema. É sabido dentro do governo que há grandes chances dos dicionários servirem para “juntar pó”.



Entretanto, existe uma importante sinalização de mudança. Há dois meses, ocorreu o
Encontro do Livro Didático

, em Brasília (DF), e as diretrizes do governo em relação a dicionários foram questionadas. Um dos principais pontos discutidos foi o fato de o MEC escolher somente um dicionário e entregá-lo a cada um dos alunos. Por que não adotar um acervo coletivo, já que nem todos os estudantes usarão os livros o tempo todo? Isso abriria a chance de se escolher mais de um dicionário.

Os alunos teriam contato com diferentes fontes de conhecimento. Outro ponto crucial em pauta é o uso do dicionário meramente para esclarecer o significado de palavras desconhecidas. Trata-se de um desperdício. O debate evolui no MEC, mas a rede privada já vem se articulando.




Iniciativas

– Para Vânia Barone Monteiro, coordenadora pedagógica no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo (SP), “o dicionário é um universo em ordem alfabética”. Ela destaca seu uso como se fosse uma enciclopédia – a concorrência faz as editoras adicionarem mais e mais informações aos produtos.



Vânia afirma haver na escola uma cultura de uso desse material, sustentada por trabalho interdisciplinar. Uma das maneiras que os docentes encontraram para mobilizar os estudantes é não elucidar perguntas cujas respostas podem ser achadas no dicionário. Competições para ver quem encontra uma certa palavra mais rápido também ajudam. Em 2004, o colégio passou a aceitar, inclusive, o uso de dicionários durante quaisquer provas.



No Colégio Arquidiocesano, também paulistano, o dicionário está inserido na prática de alunos e professores, segundo Vanda Lúcia Prado Matos, coordenadora de língua portuguesa. Como no Dante, as crianças começam a utilizar o recurso desde a segunda série do ensino fundamental. E são os pequenos que mais gostam de fazer consultas. Vanda credita isso à curiosidade das crianças. Segundo a educadora, o sentido de novidade é motivador para elas. Já os alunos mais velhos são “apressados”, define. Um desafio a mais para professores.


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