O marco chileno

Criado em 2003, documento se baseia em trabalho de especialista americana

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Principal referência para a reflexão sobre o que deve ser objeto de conhecimento e das práticas docentes, o documento chileno "Marco para la buena enseñanza" (Marco para o bom ensino), finalizado em 2003, foi  resultado de um trabalho conjunto e de uma consultoria internacional. Participaram de sua elaboração equipes técnicas do Ministério da Educação do Chile, a Associação Chilena de Municipalidades (órgão que representa os municípios ante organismos públicos e privados) e o Colégio de Professores do Chile, entidade que representa os docentes dos ensinos fundamental e médio, com mais de 100 mil associados.

A base para a sua constituição foi o modelo formulado pela consultora educacional americana Charlotte Danielson, especialista em avaliação docente. O modelo criado pela pesquisadora baseia-se em diversas fontes para estabelecer os saberes e práticas que devem ser requeridos dos docentes. Serviu de base para os processos de avaliação de vários estados americanos e em países como Portugal, por exemplo.

Entre as características fundamentais que norteiam o marco chileno estão realçadas questões como o compromisso docente, o reconhecimento de que os processos de ensino e aprendizagem são complexos e marcados pelos contextos socioculturais em que ocorrem e que o grande fio condutor de todo esse processo é o objetivo de envolver todos os alunos em uma aprendizagem de conteúdos importantes.

O bom ensino contempla quatro dimensões fundamentais: a de preparação ou planejamento para o ensino (que compreende os conhecimentos prévios sobre o objeto, sobre o desenvolvimento das crianças, o currículo e a didática); a criação para um bom ambiente de trabalho (cuidados com a infraestrutura a ser utilizada e um clima de valorização dos aspectos positivos do estudante); a preocupação de que o ensino seja para todos (e contemple atividades para esse fim); e as responsabilidades profissionais, que contemplam as interações com outros educadores, com as famílias, comunidades e com o próprio sistema de ensino.

Cada uma dessas dimensões (ou domínios, como diz o documento) é acompanhada de alguns critérios destinados a dar parâmetros tanto para a atuação docente como para a sua avaliação. No item A, por exemplo, relativo àquilo que o docente deve fazer para preparar suas aulas, estão contempladas questões tanto de planejamento como de formação. Ou seja, de um lado aparece a organização dos objetivos e conteúdos de maneira coerente com o que propõe o currículo nacional e também com as particularidades do ambiente educativo. De outro, é necessário dominar o conteúdo da disciplina, conhecer as características dos educandos e a didática adequada, além de saber utilizar avaliações adequadas aos objetivos.

Cada um desses critérios é acompanhado de uma lista de descritores, construídos para medir a habilidade correspondente, em sistema similar àquele que é usado nas avaliações internacionais e nacionais, como o Pisa e a Prova Brasil, por exemplo. Cada um desses descritores é sucedido por um texto de fundamentação teórica acerca das exigências, de modo a explicar aquilo que se cobra dos professores.
 (Rubem Barros)

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