O exemplo dos Pais

Em livro escrito a partir de pesquisa com 54 brasileiros bem-sucedidos, jornalista relata o que de mais importante eles aprenderam com seus pais

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Para Colombini, “o afeto não é tudo, mas é 100%”

Uma alternativa interessante para pensar a relação entre escola e família, especialmente para quem tem filhos pequenos, é refletir sobre o papel que os pais tiveram na sua própria formação. Você lembra qual foi a lição mais importante que aprendeu com o seu pai? Foi exatamente essa pergunta que o jornalista e editor Luís Colombini fez a 54 brasileiros bem-sucedidos, entre artistas, músicos, atores, empresários, executivos, publicitários, jornalistas e diretores de cinema. O resultado está em Aprendi com Meu Pai (Versar, 2006), livro que, em seu conjunto, lança luz sobre aquele que talvez seja o mais importante papel dos pais na educação: o de funcionar como exemplo e norte para os filhos. Na entrevista a seguir, Colombini, pai de Tales, 9, fala sobre educação e família.

Após ouvir tantas histórias, qual é sua compreensão hoje do significado da palavra educar?

É uma tentativa de dizer ao filho ou filha: “meu querido ou minha querida, a vida não é fácil. Há coisas demais te esperando. Coisas boas, ruins, péssimas, e seria melhor se você estivesse preparado para elas. Na maioria dos casos, você vai ter de encontrar seu caminho, mas farei tudo o que estiver ao meu alcance, seja lá o que for, para ajudá-lo nisso”. Apenas dizer, no entanto, é só discurso. Quando se consegue unir palavras e atitudes, conceitos e exemplos, todos cimentados com alguma coerência e constância, o resultado é algo muito próximo de educação.


E qual é o peso do afeto na educação de crianças e adolescentes?

Não é tudo, mas é 100% (risos). Jamais vi um adulto reclamar: “poxa, meu pai (ou minha mãe) falharam ao não me explicar isso ou aquilo”. Mas há muita gente que, com 40 anos ou mais, nunca se recuperou do fato de o pai ou a mãe jamais ter dado um abraço carinhoso, um colo numa hora difícil, um beijo sem razão alguma.


Pais e mães “ensinam” de maneiras distintas?

Editei um livro sobre as lições maternas [Aprendi com Minha Mãe, de Cristina Ramalho, Versar, 2006] e, comparando as respostas das pessoas sobre o que aprenderam com o pai e com a mãe, percebi que são exemplos distintos. Pai é mais lembrado por uma atitude específica. Já a mãe, pelo conjunto da obra. Pai é mais prático, voltado, digamos, para resultado. E mãe, para o cuidado. Em outras palavras, a mãe zela para que a criança cresça bem, com saúde e amor-próprio. E o pai tenta ensinar o que fazer a partir disso para que a criança conquiste seu lugar no mundo.


E como você enxerga o papel da família na educação?

Família é fundamental. A criança precisa de um bom modelo. Não importa se é pai, se é mãe, se estão juntos ou separados, se foi o avô ou a tia que criou a criança. Precisa é estar presente, realmente presente, não só de corpo físico. A criança necessita de uma referência, um espelho para se mirar e refletir, o modelo que quer copiar para ser igual quando crescer. Para mim, é uma questão de física: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Se o filho tiver valores, referências, princípios sólidos, as “más influências” podem até seduzir, mas não conquistar. Agora, se o menino ou a menina não tiver um norte para se guiar, esse espaço será ocupado pelo que vier primeiro, seja droga, arruaça ou fanatismo religioso. Achar que existe alguma escola no mundo que possa sozinha suprir ou nutrir saudavelmente esse espaço é comodismo ou burrice por parte dos pais.

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