O cérebro e a aprendizagem

A discussão sobre as contribuições da neurociência para a educação ainda é incipiente, mas há material considerável destinado a educadores que se propõem a estudar o assunto

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Ao mesmo tempo que as descobertas neurocientíficas empolgam a sociedade, a escola se pergunta como incorporar os conhecimentos trazidos pela área.  Ainda é cedo para falar em uma aplicação prática da neurociência na sala de aula – muitas pesquisas cujos resultados são divulgados com certo alarde ainda estão em um nível experimental inicial. Por isso mesmo, o momento para aprender mais sobre o assunto é propício.

Em
Neurociência e educação – como o cérebro aprende

(Artmed, 2011), de Ramon M. Cosenza e Leonor B. Guerra, os autores trazem uma visão sobre o funcionamento do cérebro, abordando temas como memória, neuroplasticidade, atenção e emoção e outros aspectos neurológicos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem.

Da mesma maneira, Elvira Souza Lima, autora de
Neurociência e aprendizagem

(Inter-Alia, 2007), discute as contribuições da neurociência ao entendimento sobre como os seres humanos se desenvolvem e aprendem, e as possíveis implicações para a prática educacional.

Ainda sobre a interação entre neurociência e educação,
Como as pessoas aprendem – cérebro, mente, experiência e escola

(trad. Carlos David Szlak, Senac São Paulo, 2007), organizado por John D. Bransdsford, Ann L. Brown e Rodney R. Cocking,  registra as conclusões de duas comissões de estudos nos EUA a respeito da aplicação na sala de aula dos avanços científicos no estudo do cérebro e da aprendizagem.

Valéria Amorim Arantes organiza
Afetividade na escola: alternativas teóricas e práticas

(Summus Editorial, 2003). Nessa obra, recomendo os textos de Ulisses Araújo, baseados no trabalho do neurocientista António Damásio, bem como do neurologista Antoine Bechara, sobre a relação entre cognição e emoção.

Um livro clássico para o entendimento da neurociência é
O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano

(Companhia das Letras, 1996), de António R. Damásio, fundamental como argumento a favor da indissociabilidade entre cognição e afeto, saber este que ainda não é convenientemente incorporado pelos currículos escolares, a despeito das evidências científicas em contrário.

Liev S. Vigotski estudou profundamente o cérebro e sua relação com o desenvolvimento cultural do indivíduo.
Em Teoria e método em psicologia

(trad. Claudia Berliner, Martins Fontes, 2004), nos capítulos Sobre os sistemas psicológicos e A psicologia e a teoria da localização das funções psíquicas, temos uma amostra desta faceta do autor, um dos mais influentes
na educação brasileira.

Em
Medicalização de crianças e adolescentes: conflitos silenciados pela redução de questões sociais a doença de indivíduos

(Casa do Psicólogo, 2010), organizado pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP) e pelo Grupo Interinstitucional "Queixa Escolar" (GIQE), destaco o capítulo sobre Dislexia e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade  (TDAH), escrito por Maria Aparecida Moysés e Cecília Azevedo Collares.


The Jossey-Bass Reader on the Brain and Learning

(Jossey-Bass Publishers, 2007), de Kurt Fischer e Mary Immordino-Yang, é o tipo de manual que faz falta em português. É uma coletânea de artigos recentes sobre cérebro, ensino e aprendizagem, de autores como Howard Gardner, discutindo assuntos como memória, emoção, artes e linguagem, entre outros.  


Claudia Lopes da Silva é psicóloga escolar e professora universitária. Está concluindo o doutorado na Faculdade de Educação da USP e é uma das coordenadoras do Grupo de Estudos de Neurociência e Educação da USP.

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