O caminho do aprimoramento

Palestras promovidas pelo Semesp abordam questões importantes para definição do cenário da educação superior no Brasil por Márcia Soligo Alguns assuntos são constantes na …

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Palestras promovidas pelo Semesp abordam questões importantes para definição do cenário da educação superior no Brasil

por Márcia Soligo

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Alguns assuntos são constantes na agenda dos gestores de instituições universitárias. Evasão, mudanças de legislação, políticas educacionais e financiamentos sempre figuram entre as maiores preocupações, fantasmas e também oportunidades para quem trabalha no setor da educação no país. Nesse sentido, o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) promove as Jornadas Regionais, com o intuito de apresentar a gestores das instituições de ensino novidades sobre políticas e legislações educacionais, formas de otimizar os resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), melhores opções de financiamento estudantil, além de uma análise profunda do mercado educacional das regiões onde acontecem os encontros.

O evento, que está em sua 10ª edição, percorre regiões do estado de São Paulo e apresenta uma programação de palestras com especialistas que podem auxiliar os gestores a compreender alterações do setor e se preparar para mudanças e inovações. As Jornadas Regionais de 2014 tiveram início em fevereiro com palestras em Campinas e Marília, e percorrerão ainda São José dos Campos, Ribeirão Preto, Santos e São José do Rio Preto até junho próximo.

Raio X do setor

Para facilitar o entendimento do perfil dos alunos e as necessidades da região onde as instituições estão localizadas, Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, abriu a bateria de palestras apresentando um panorama econômico atualizado das regiões utilizando o Mapa do Ensino Superior no Estado de São Paulo, desenvolvido pela Assessoria Econômica do Semesp.

O desempenho dos cursos a distância é um dos principais assuntos devido ao perceptível crescimento da modalidade. Contudo, a dificuldade do credenciamento de novas instituições e o alto índice de evasão ainda são problemas persistentes para a EAD. De acordo com Capelato, a estagnação no ritmo de crescimento do ensino a distância não acontece por diminuição de demanda de mercado, mas sim devido à iniciativa do Ministério da Educação de não liberar novos credenciamentos.

Os cursos tecnológicos também tiveram um forte desempenho. Mesmo assim, o diretor alertou durante a palestra realizada em Campinas para o cuidado que se deve ter na abertura de cursos nessa modalidade. Por funcionarem de acordo com demanda de mercado e de mão de obra, é preciso avaliar bem quais cursos valem o investimento. É possível perceber que alguns não demonstram uma tendência fixa e com a demora do credenciamento do MEC os cursos já não fazem mais sentido quando estão prontos para lançamento. “Deve-se tomar muito cuidado com a criação de novos cursos tecnológicos, pois eles caem rápido. É melhor olhar para quem está crescendo agora”, disse.

O estudo também mostrou que o número de instituições de ensino superior privadas é muito mais expressivo que o de públicas no cenário brasileiro, o que demonstra a incoerência nos investimentos do governo, já que estes não correspondem à realidade do crescimento do país. Iniciativas como o Fies e o Programa Universidade para Todos (ProUni) fortalecem ainda mais o desenvolvimento das instituições privadas, pois são um passaporte para os estudantes que antes não tinham oportunidade de cursar o ensino superior.

Financiamento possibilitador

Em 2013, o Fies atingiu a marca de 556 mil contratos em todo o país. Somente em janeiro de 2014 já foram fechados 120 mil contratos do financiamento. De acordo com Alexandre Mori, assessor técnico do Semesp para auxílio ao ProUni e Fies, o financiamento não só aumentou o acesso dos alunos ao ensino superior, mas também mudou a forma como eles ingressam nas instituições universitárias. Hoje a escolha é mais vocacionada e menos impulsionada pelo valor do curso ou da instituição.

Por esse motivo, o Fies se torna também uma ferramenta de captação mais valiosa, pois é possível atrair o aluno devido ao diferencial acadêmico da instituição e não apenas pelo preço. A criação de um setor específico para Fies e ProUni é uma das iniciativas indispensáveis na opinião de Alexandre Mori, pois o atendimento diferenciado é essencial para fechar mais acordos e consequentemente captar mais alunos.

Além do Fies e ProUni, a Bolsa Escola da Família, programas privados do governo e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) merecem destaque como opções de acesso à educação superior. Raquel Carmona, assessora jurídica do Semesp, demonstra detalhes sobre os programas e também os empecilhos ainda existentes no oferecimento do Pronatec, que passa por problemas burocráticos que atrapalham o oferecimento do sistema de acesso ao ensino tecnológico.

Transformar iniciativas acadêmicas em altas notas no Enade é uma das principais metas de gestores educacionais. Por este motivo o Semesp convidou a diretora acadêmica das Faculdades Integradas Antônio Eufrásio de Toledo (Unitoledo), Zelly Pennacchi Machado, e Yara Pires Gonçalves, coordenadora pedagógica da Unitoledo, para dividir as boas práticas da instituição.

Segundo os gestores da Unitoledo, o Enade precisa ser resultado de um esforço feito para a qualidade de ensino, como capacitação de professores e o projeto pedagógico. “As notas do Enade são um reflexo do desejo da instituição de fortalecer o ensino”, comenta Zelly Pennacchi.

O evento também contou com palestras da pesquisadora institucional da Universidade de Marília, Andréia Cristina Fregate Baraldo Labegalini, e de José Roberto Covac, consultor jurídico do Semesp.

Em março as Jornadas Regionais acontecerão em São José dos Campos e trarão estudos sobre o ensino superior na região, além da programação de palestras.

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