O aluno do futuro

Estudante não conseguirá sucesso apenas por dominar novas tecnologias

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Eloiza de Oliveira: alunos mais autônomos no processo de construção do conhecimento

Parece que as crianças já nascem com um chip a mais que as predispõe, logo cedo, a entender o que há por trás de qualquer botão ou comando. Não é à toa que, bem antes da alfabetização, o mouse já se transforma na extensão do braço desses nativos digitais. Quando chegam à sala de aula, é natural que sua facilidade para assimilar as novas tecnologias seja maior que a do professor. Daí a dizer que o aluno pode saber mais que o mestre vai uma grande distância.



Recursos são meios, não fins


Para a diretora da Faculdade de Educação da Uerj, Eloiza de Oliveira, há uma mitificação da tecnologia. "O estudante não se transforma em bom aluno só por ter acesso a esses recursos", assinala. De qualquer modo, a educadora entende que, se não ensina a pensar, o computador traz benefícios para a aprendizagem que devem ser levados em conta. "Ele facilita certas operações de pensamento e é um ótimo fermento, que ajuda a criança a aprender e a tomar decisões mais rapidamente", sustenta.
 
Além de crianças e jovens com tais habilidades afloradas, o fato é que os mestres estarão diante de turmas com possibilidades de crescimento intelectual que não existiam há pouco mais de dez anos – como visitar museus virtualmente e conhecer pessoas com quem jamais encontrariam fora da rede. "Falamos de um arquiteto na sala de aula e imediatamente o aluno já pode buscar, na internet, sua história, ver suas obras, seus projetos", exemplifica o professor da FAU Francisco Segnini Jr.
No entender de Eloiza, contudo, à escola caberá alfabetizar o aprendiz para que ele possa fazer uma leitura crítica das tecnologias, e não viver a reboque de modismos . "Há um belo trabalho para o professor fazer", diz.


Veja o caso da internet, especificamente. "Quem não possui bom preparo, boa estrutura de conhecimento, tem dificuldade para obter informação de qualidade", observa Jarbas Barato, do Senac-SP. Ele conta que sempre pergunta a seus alunos como pesquisariam a teoria da evolução na rede, pois, se colocarmos só essa expressão no Google, a busca resultará em milhares de citações. Uma forma de qualificar a pesquisa, explica, é acrescentar, entre as palavras-chave, o nome do navio no qual Darwin deu a volta ao mundo – Beagle – e escreveu a teoria, o que reduz a resposta para 300 ou 400 menções.



Hierarquia invertida


É possível combinar a habilidade e os interesses do aprendiz com o saber dos professores. "O Projeto Rede Interativa Virtual de Educação (Rived) é um exemplo de iniciativas em que alunos e professores formam equipes multidisciplinares para desenvolver objetos de aprendizagem", conta a psicóloga Anna Christina Nascimento, do MEC. "Estamos vivendo a época da hierarquia do conhecimento invertida, na qual não é mais só o velho que ensina ao novo; o novo também ensina ao mais velho", conclui a pesquisadora Maria Helena Bonilla, da UFBA. Em vista disso, acentua, o professor precisará saber ouvir os alunos para conhecer suas necessidades.


Isso porque, num aprendizado dominado pela tecnologia, o estudante não mostrará a mesma dependência do mestre para decolar em um assunto. "Uma das maiores características da introdução da tecnologia à educação é que você passa a ter alunos mais autônomos no processo de construção do conhecimento", nota Eloiza, da Uerj. Maria Helena visualiza uma mudança mais radical. "O aluno deixará de ser copiador para dialogar sobre as informações adquiridas e propor alternativas", acrescenta.

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