Números que mentem?

Governo planeja discutir com países ibero-americanos os critérios do PISA, cuja edição de 2003 trouxe o Brasil em último lugar entre 41 países

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O Rio de Janeiro deverá sediar, em julho, reunião de representantes dos ministérios da Educação de países ibero-americanos para discutir como será a participação do bloco na próxima edição do
Programa Internacional de Avaliação de Alunos

(PISA), realizado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), e examinar “até onde as suas perguntas contemplam nossa realidade”.

A intenção foi anunciada por Ataíde Alves, diretor de Avaliação para Certificação de Competências do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais Anísio Teixeira (INEP), durante o II Seminário de Outono, promovido em São Paulo, em 2 de maio, pela Fundación Santillana e pela Editora Moderna.

A primeira edição do PISA, promovida em 2000, concentrou-se no perfil de conhecimento, competências e habilidades dos alunos em leitura; a de 2003, em matemática. A área principal da avaliação de 2006 será ciências. Em 2009, o foco se voltará novamente para leitura. Entre os 41 países que participaram da edição de 2003 (31 da OCDE e dez convidados), o Brasil teve o pior desempenho. Alves atribui o resultado, entre outros fatores, à “distorção idade-série” e acredita que, em alguns aspectos, os indicadores do relatório são positivos.

O alemão Andreas Schleicher, diretor da Divisão de Indicadores e Análises Educacionais da OCDE, abriu o seminário com um resumo do PISA 2003. “Com o relatório, queremos iluminar a escuridão, ou seja, quais são as diferenças educacionais entre os países, com ênfase em onde estamos e o que fazemos de melhor”, explicou. O critério da prova, segundo ele, não foi “avaliar o que os alunos deveriam ter aprendido”, e sim “o que podem fazer com o que aprenderam, em diferentes áreas do conhecimento”.

Schleicher observou que, de forma geral, alunos de todos os países “não vêem a matemática como algo que pode lhes abrir oportunidade”. O desinteresse de muitos pelo aprendizado tem a ver com essa percepção. “A conexão com a realidade, transportando o mundo para a abstração do raciocínio matemático, é muito difícil”, afirmou. “Elevar as aspirações dos alunos é o que de melhor pode ocorrer para incrementar o desempenho escolar.” Finlândia e Japão foram países em que, segundo ele, os indicadores do PISA provocaram discussões, preocupação e mudanças significativas. Dinamarca e Alemanha também se surpreenderam com seu desempenho e instauraram debate público em busca de soluções.




Por que o Brasil vai mal?


No Brasil, 4.452 alunos de 229 escolas públicas e privadas participaram do PISA 2003. Conforme estabelece o programa, todos tinham 15 anos – idade em que, nos países da OCDE, espera-se que o aluno termine o ensino básico. De acordo com o INEP, no entanto, a “distorção idade-série” fez com que o grupo abrangesse alunos de 7º série até o 3º ano do ensino médio (o posicionamento ideal). As estimativas são de que menos do que a metade da população de 15 anos chegou ao ensino médio.

Com isso, pensamento algébrico e modelos matemáticos são conteúdos ainda não apresentados a muitos deles, e que constaram do PISA 2003. Outros indicadores seriam favoráveis ao país, de acordo com o INEP. Os professores brasileiros, por exemplo, têm avaliação superior à média em relação a envolvimento com o aprendizado dos alunos. Na resolução de problemas, os estudantes brasileiros que participaram da prova mostraram desempenho semelhante aos de alunos de países bem classificados no ranking.

Mais informações pelo site


www.pisa.oecd.org


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Reportagem: Sérgio Rizzo




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