Novo campus, novas profissões

Em sua nova unidade, a USP oferece carreiras diferenciadas e cursos inovadores, criados a partir de demandas da sociedade

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Renata Rondino




O primeiro dia de aula para 1020 dos novos alunos da Universidade de São Paulo (USP) foi diferente dos demais. Não houve trote nem brincadeiras por parte dos veteranos. Até porque não havia nenhum veterano no cenário. Esses estudantes fazem parte da primeira turma do novo campus da USP, instalado na zona leste da cidade, e serão os primeiros a acompanhar os dez novos cursos oferecidos pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades.

São 17 novas turmas em busca da formação em carreiras que, por si só, representam uma novidade, em relação às costumeiras habilitações oferecidas pela USP: Ciências da Atividade Física, Gerontologia, Gestão Ambiental, Gestão de Políticas Públicas, Lazer e Turismo, Tecnologia Têxtil e da Indumentária, Licenciatura em Ciências da Natureza, Marketing, Obstetrícia e Sistemas de Informação. Cada classe acomoda 60 alunos, com aulas de manhã, à tarde e à noite.

O novo campus foi implantado em uma área de 1,2 milhão de metros quadrados, com um prédio de dois andares, o chamado Núcleo Inicial Didático, que dispõe de oito salas de aula, duas salas para informática, dois laboratórios, uma biblioteca e refeitório, constituindo 5,2 mil metros quadrados de área construída. Um novo prédio deve ser construído até o início do ano que vem, quando a escola terá mais de 2 mil alunos para abrigar.

Inovadores, os cursos oferecidos pela USP Leste não replicam os que já são oferecidos pela unidade principal da universidade, no bairro do Butantã, zona oeste da cidade. E o vestibular para selecionar a primeira turma acabou surpreendendo. Não só o número de candidatos ficou acima do esperado – 5,8 mil, quando as expectativas não chegavam a 5 mil – como as vagas foram quase todas preenchidas. Apenas 50 aprovados não se matricularam e foram substituídos por candidatos da lista de segunda chamada.

Outra curiosidade em relação ao novo campus é que 44% dos aprovados estudaram em escolas públicas. Nos últimos 3 anos, esse índice chegou a 19%, no máximo, nos outros cursos da Fuvest. Em alguns cursos, como o de Ciências da Natureza, 80% dos alunos vieram das escolas públicas. Apenas 8,5% dos estudantes têm renda familiar superior a R$ 7 mil.

A escolha dos novos cursos baseou-se em três vertentes. A primeira delas foi acadêmica, ou seja, levou em consideração idéias dos professores e os diversos campos de pesquisa. A segunda focalizou as necessidades sociais. O objetivo era desenvolver cursos que contribuíssem para melhorar a qualidade de vida da população. E, por último, foi desenvolvida uma pesquisa com alunos do ensino médio, para detectar o que eles gostariam de aprender em termos de profissões.

O curso mais concorrido foi o de Sistemas de Informação. As 180 vagas foram disputadas por 1710 candidatos. O objetivo é formar um profissional que possa desenvolver, implementar e gerenciar infra-estruturas de sistemas de informação, como por exemplo empresas que dependem da informática como suporte para seus negócios, tais como bancos e seguradoras. Marketing aparece na segunda colocação, com 899 inscritos para 120 vagas. Coordenado pelo professor José Afonso Mazzon, o curso pretende oferecer uma formação humanista e ética aos alunos. É uma visão do marketing como instrumento de transformação da sociedade. O terceiro lugar ficou para o curso de Lazer e Turismo. A coordenação é da professora Beatriz Helena Gelas Laje. O curso acompanha o crescimento do setor de turismo e entretenimento no Brasil, e inclui planejamento de viagens, hotelaria, gastronomia, programas culturais, recreação e gestão de operadoras de turismo.

Já o curso de Gestão de Políticas Públicas pretende criar profissionais capazes de desenvolver estratégias que atendam às demandas da população, por meio de ações econômicas, políticas e sociais. Por isso ele se diferencia dos cursos tradicionais de Administração de Empresas. “A habilitação que se pretende com o curso é algo muito mais amplo do que administrar uma empresa. O espectro de opções é imenso. Queremos desenvolver gestores com visão pública e competência técnica para resolver os problemas do País”, afirma o coordenador do curso, professor José Álvaro Moisés. Segundo Moisés, os profissionais poderão trabalhar não só em instituições públicas, mas também em órgãos dos governos federal, estaduais e municipais, além do Legislativo e do Judiciário.

Ciências da Atividade Física é um curso um pouco diferente da Educação Física tradicional. A idéia é formar um profissional que trabalhe com a atividade física como um meio para promover saúde e qualidade de vida, ou mesmo para prevenir doenças crônico-degenerativas por intermédio de programas físicos voltados para a questão da saúde. Por último, o curso de Licenciatura de Ciências da Natureza quer proporcionar uma visão abrangente de ciências como física, química, ciências da terra, ciências do universo e ciências da vida. Com o devido conhecimento da integração entre os temas, o profissional estará capacitado a lecionar ciências para turmas do ensino médio e fundamental de escolas públicas ou privadas – área que registra uma carência de cerca de 250 mil docentes em todo o país. Pelo seu conteúdo, o curso também está voltado para ajudar a desenvolver nos jovens a responsabilidade social, econômica e ambiental.

O novo campus da USP está localizado na av. Arlindo Bétio, número 1000, no bairro de Ermelino Matarazzo. Há uma linha de ônibus integrada aos trens da CPTM, que faz o trajeto entre a universidade e a estação Engenheiro Goulart em vários horários ao longo do dia. E há vans que também realizam este trajeto gratuitamente.



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