“Nem a escola deve dizer como família deve agir, nem a família deve exigir que a escola atenda às suas solicitações”, avalia Luciana Fevorini

Em debate no 3º Grande Encontro da Educação, especialistas defenderam estabelecimento de limites na relação entre família e escola

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Debate sobre relação entre família e escola encerrou 3º Grande Encontro da Educação. Da esquerda para a direita: José Ernesto Bologna, psicólogo do desenvolvimento, consultor e fundador da Ethos Sharewoods; Rubem Barros, editor da Revista Educação e moderador do debate; e Luciana Fevorini, doutora em psicologia escolar e diretora do Colégio Equipe. (Crédito: Gustavo Morita)

Debate sobre relação entre família e escola encerrou 3º Grande Encontro da Educação. Da esquerda para a direita: José Ernesto Bologna, psicólogo do desenvolvimento, consultor e fundador da Ethos Sharewoods; Rubem Barros, editor da Revista Educação e moderador do debate; e Luciana Fevorini, doutora em psicologia escolar e diretora do Colégio Equipe. (Crédito: Gustavo Morita)

Talvez uma das discussões mais populares entre educadores, a relação entre família e escola foi tema do debate de encerramento do 3º Grande Encontro da Educação, realizado nos dias 28 e 29 de agosto. Luciana Fevorini, doutora em psicologia escolar e diretora do Colégio Equipe, e José Ernesto Bologna, psicólogo do desenvolvimento, consultor e fundador da Ethos Sharewoods, participaram da mesa. Ambos defenderam o diálogo com as famílias, mas com cuidado para que os pais não ‘invadam’ campos de decisão que dizem respeito à própria instituição de ensino.

Fevorini lembrou que essa relação pode ser conturbada devido ao choque entre os interesses da família, voltados ao individual, e os da escola, focados no coletivo. A família de um aluno que chega atrasado por cinco minutos, por exemplo, argumentará que ele perdeu pouco tempo de aula. A escola, no entanto, deve valorizar regras que privilegiem o coletivo, impedindo sua entrada para não atrapalhar o andamento da aula.

A diretora do Colégio Equipe destacou que é importante que os dois lados entendam suas posições e responsabilidades na educação de crianças e jovens. “Nem a escola deve dizer como família deve agir, nem a família deve exigir que a escola atenda às suas solicitações”, resumiu. Apesar disso, a educadora acredita que a escola é, até certo ponto, um local de ‘formação de pais’, e que o diálogo deve sempre ter espaço.

Já Bologna falou sobre as mudanças da sociedade que impactam diretamente a relação entre família e escola. A entrada das mulheres no mercado de trabalho e as novas relações de autoridade entre pais e filhos são alguns dos fatores que mudam a feição das famílias – e, portanto, a relação que estabelecem com as escolas.

Nesse contexto de mudanças, as redes sociais foram imediatamente lembradas pela plateia. O uso dessas redes pela escola e a formação de grupos de pais são controversas. Para Bologna, esse pode ser um caminho perigoso. “As discussões nas redes sociais tendem a cair de nível”, afirmou. Luciana Fevorini concordou: “As redes sociais mais geram ruídos do que comunicam”.

Para Suzana Rodrigues, coordenadora do Centro de Estudos do Colégio Santa Maria, que assistiu à palestra, as redes também têm benefícios. “Há grupos dentro dessas redes, especialmente no whatsapp, que criam ruídos. Mas sem as mídias talvez a gente não consiga esse grau de visibilidade, já que muitas vezes as pessoas não se colocam. Acaba sendo uma forma de a gente saber onde estão as angústias dos pais”, avaliou.

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