Nelson Savioli

superintendente executivo da Fundação Roberto Marinho

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?







A educação básica avançou na inclusão, com a escola abrindo-se para todos; na universalização, com a possibilidade de ter a grande maioria das crianças na escola; nas práticas com ao aluno, sendo permitida mais autonomia; na busca de uma avaliação mais humana, procurando sentir o aluno na sua totalidade.




Mas, no Radar Social do Ipea de 2005, o trem passou batido para 15 milhões de analfabetos, hoje com mais de 15 anos, e para 32 milhões de analfabetos funcionais. E esse trem roda aos solavancos, com 40% de alunos defasados na idade/série ocupando bancos escolares valiosos.



A metáfora que queremos (mas ainda não temos) para a educação brasileira é a do cardume de peixes: embora formado por inúmeras partes, ele é visto a distância como um só corpo, movendo-se na mesma direção.



 





Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?





Vontade política. Acompanhada de coragem e fígado do gestor público, em todos os níveis, para fazer a “escolha de Sofia” e reduzir investimentos em outras áreas prioritárias – com o ônus político que essa decisão acarreta -, concentrando-os majoritariamente na educação por todo o tempo do seu mandato. “É fácil falar, mas difícil fazer”, dirão os adoradores do
status quo

; mas a Coréia do Sul, a Irlanda, a Espanha conseguiram fazê-lo em poucas décadas…  




 





Qual é o papel do Terceiro Setor na educação hoje?





O Terceiro Setor deve ocupar os espaços deixados pela administração pública e pela iniciativa privada. Afinal, ele tem atuação voltada para fins públicos, com investimentos (dinheiro, talento, tempo) privados.




Por exemplo, a Fundação Roberto Marinho – FRM, com seu Telecurso 2000, que une teleducação com o presencial, tem conseguido trazer de volta à educação milhões de brasileiros que estavam fora da escola ou que, estando nela, encontravam-se defasados. Não é, nem pode ser, virtude de uma só organização: tem sido o resultado de um arco de parcerias entre o Primeiro (políticas públicas de educação), o Segundo (Fiesp, parceira da FRM na criação do conteúdo impresso e imagético de mais de mil aulas) e o  Terceiro Setor (FRM e centenas de fundações e ONGs). E como há um fosso dificultando a passagem dos apenas alfabetizados para ingressar no TC 2000, a Fundação Vale do Rio Doce e a FRM estão lançando o Tecendo o Saber para construir essa ponte.



 





Da forma como a educação está sendo administrada atualmente, como você vê a área daqui a dez anos?





Minha experiência como profissional de recurso humanos tem mostrado que o caminho da



Competenciocracia

é o que traz resultados para unir planejamento de longo prazo e sua satisfatória execução. Quais competências técnicas e de gestão o mercado e a sociedade como um todo vão demandar daqui a dez anos? Para educar os brasileiros nessas competências, quais competências, por sua vez, os gestores da educação e os professores precisarão ter e demonstrar? Dos atuais gestores e professores, quem tem ou demonstra o potencial e a vontade para adquiri-las? Quem não tem e não quer buscar o novo, o desafiador deve (e a legislação precisa ser ajustada para isso) procurar outra ocupação no mundo empresarial ou no mercado de trabalho.





Porém, para se alcançar resultados diferentes e melhores dez anos à frente, as decisões mais relevantes, e às vezes drásticas, precisam ser tomadas agora. Se não, é melhor sonhar com impactos sociais notavelmente superiores para 2025…



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