Na ponta do lápis

Gerência financeira de escolas oferece desafios específicos

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A dinâmica dos negócios em educação acompanha uma tendência nacional: o brasileiro é empreendedor e sonha tornar-se autônomo. De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), citados por Donizete Fernandes em
Gestão Educacional

(Artmed, 264 págs., R$ 42,00), o país tem a maior porcentagem da população entre 18 e 64 anos com negócio próprio — mas também é campeão em mortalidade de empresas até o terceiro ano de existência. As sobreviventes têm características em comum, como boa experiência anterior dos proprietários e busca de auxílio especializado.

Em educação, a segurança financeira – ou seja, conquistar auto-suficiência e gerar lucros — constitui etapa necessária para o cumprimento da missão social. Para atingi-la, diversas ferramentas devem estar em harmonia. Cuidar dos Recursos Humanos é o ponto de partida. “Um departamento ou uma pessoa que faça esse papel sempre é importante”, defende Paulo Sergio Pollo, gerente de produto da Wise Consultoria. Outro requisito é a eficiência dos processos, em todos os níveis. A gestão das finanças está ligada ao funcionamento de outras instâncias.

A adoção de tecnologia, tendência observada no mundo corporativo, tem papel crucial nesse processo. A excelência na prestação dos serviços educacionais é resultado de uma combinação de fatores, na opinião do contador e auditor independente Donizete Fernandes, superintendente da Meira Fernandes Consultoria e Assessoria. “A melhor receita está na gestão profissionalizada, que utiliza ferramentas modernas e que inclui a gestão dos profissionais, pois os recursos humanos na escola são tão importantes quanto as áreas administrativa, financeira e tecnológica”, afirma.

O uso da tecnologia não está condicionado ao porte da escola, observa Pollo. “Mesmo instituições pequenas precisam de tais sistemas, pois agilidade nas informações independe de tamanho”, diz. Sua aplicabilidade, teoricamente, não é restrita à rede privada. “Geralmente, o controle da rede pública na parte financeira é diferente, uma vez que não se cobram mensalidades, mas podem existir outros tipos de controles e cobranças”, lembra.

O administrador de empresas Guilhermino Figueira Neto, diretor-geral do Pueri Domus Escolas Associadas, percebe a carência de um olhar voltado para a administração escolar, que contemple exigências como atualização constante em relação às políticas educacionais e às práticas da concorrência. A dosagem do uso de tecnologia, recomenda ela, vem de “saber discernir o que importa para a instituição”. Nesse contexto, o incentivo ao RH seria fundamental para habilitar a equipe à utilização desses avanços. “Acontece que os gestores, normalmente, acumulam todas essas tarefas com a função pedagógica”, lamenta.

Muitos deles, acredita Figueira Neto, deixam de enxergar a empresa como deveriam. Fernandes menciona, como problema freqüente, a ausência de processos eficazes de gestão do departamento de contas a receber. São necessários não apenas procedimentos, mas também argumentos, para que realmente funcione. É indispensável ter o profissional adequado para executar essa tarefa.

Outra situação que influencia negativamente no problema da inadimplência é a falta de “tangibilidade” da qualidade percebida pelos clientes. Segundo Fernandes, pais e alunos conseguem “ver” apenas 25% do que pagam pela mensalidade. “Ao não perceber valor na escola, eles tomam medidas punitivas, como o atraso ou a falta de pagamento”, explica. Com isso, os clientes diretos (alunos) e indiretos (pais) passam a procurar escolas que tenham mensalidades inferiores.

“Já que a maioria oferece quase os mesmos resultados, os clientes buscam preço baixo e, infelizmente, o produto ensino acaba virando uma
commodity

“, diz. A solução seria construir processos eficazes, como a manutenção de um departamento de contas a receber profissionalizado. Tornar a qualidade mais perceptível para os clientes também é quesito que merece a adoção de uma metodologia de trabalho. Outras recomendações: manter uma rede de relacionamento atualizada sobre quem paga e quem não paga, e “evitar os oportunistas que ora estudam aqui, ora ali, sempre deixando um rastro ruim e de prejuízos”.

Diante desses desafios, Fernandes enxerga com reservas as tentativas de implantação de modelos de gestão democrática. “Assistimos a várias experiências desse tipo e a maioria delas não deu certo porque se esqueceu dos detalhes”, afirma. Ele argumenta que a gestão empresarial é ciência que demanda decisões corretas, tomadas somente por um especialista. “Sinceramente, não vejo vantagens em uma gestão aberta”, questiona. Já Figueira Neto reconhece a validade de tais experiências, mas considera muito difícil sua realização.

Como envolve um volume muito maior de opiniões, a gestão aberta tem de ser bastante madura. Além disso, ele acredita que o mais importante em uma instituição de ensino é o modelo pedagógico e que, assim, os preços “se tornam muito relativos diante da diversidade das práticas adotadas”.




Prevenção legal




As normas protetoras do Código do Consumidor privilegiam o aluno, antes mesmo que ele assine um contrato de educação. O advogado Celso Carlos Fernandes, presidente da Meira Fernandes Consultoria e Assessoria e diretor da Celso Carlos Fernandes e Melo Advocacia, especializada em instituições de ensino, explica que as escolas se amparam no Código Civil para buscar equilíbrio entre as partes, por meio do contrato de adesão. “Ao aluno, não é dada a faculdade de discutir o contrato”, explica.

Cláusulas cristalinas, com letras legíveis e que estabeleçam as obrigações de cada parte, são igualmente importantes. Há, ainda, a necessidade de prever situações do dia-a-dia e abordar fontes de direito que favoreçam os estabelecimentos de ensino. “E sempre respeitando as normas jurídicas vigentes”, lembra Fernandes. Alguns dos itens que devem constar são partes, objeto, valor, forma de pagamento, rescisão, condições gerais e foro de eleição.

“O contrato pode ser o melhor do mundo, mas, se a parte contrária não possuir lastro moral e material, de nada adiantará”, observa. “Nesse caso, a pessoa que assina não tem intenção ou condição de cumprir. Em resumo, além do contrato, a ficha cadastral do aluno ou responsável é igualmente importante.”


Leia mais, na versão impressa:





O princípio do “ganha-ganha”




a entrevista com o contador e auditor independente Donizete Fernandes, superintendente da Meira Fernandes Consultoria e Assessoria




Administração por cliques

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