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Escola do Peru: países do Mercosul se interessam por nova avaliaçãoAvaliação latina à brasileiraNada está definido, mas o modelo de avaliação educacional para a …

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Escola do Peru: países do Mercosul se interessam por nova avaliação

Avaliação latina à brasileira
Nada está definido, mas o modelo de avaliação educacional para a América Latina que está em debate há mais de um ano entre os países da região pode se basear no formato da Prova Brasil. A ideia seria aplicar um teste para aferir as habilidades dos estudantes em leitura e matemática e, a partir dele, criar um indicador que combine os resultados da prova com informações de fluxo escolar, como faz hoje o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Existe a proposta de que os bancos de itens de alguns países que já aplicam testes desse tipo, em português e em espanhol, sirvam de base para elaborar a avaliação.


Um dos entraves para um modelo como este para toda a região é a falta de dados precisos sobre a situação dos alunos em cada país. Até agora, praticamente só o Brasil tem sistema de acompanhamento de matrículas e censo educacional. O que aqui é censitário, em outros países é amostral, como as taxas de aprovação e abandono. Por esse motivo, há interesse de que o Inep exporte a tecnologia do Educacenso brasileiro para os institutos estatísticos dos países interessados em aderir à avaliação latino-americana.
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A discussão, que é objeto de um seminário neste mês na Argentina, tem base no descontentamento dos governos dos países da América Latina com seus resultados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), realizado a cada três anos pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


O argumento dos ministros de Educação da região é que não é aceitável comparar os sistemas educacionais latino-americanos – afetados por mazelas estruturais e contexto socioeconômico da população – aos líderes dos rankings do Pisa, como Finlândia, China e Coreia. A ideia é criar uma prova que permita comparar especificamente a qualidade da educação dos sistemas locais e fazer um contraponto a avaliações internacionais. Além do Mercosul, México e Colômbia também estão no debate, que deve gerar um consenso a ser apresentado à própria OCDE. (com Amanda Cieglinski, de Brasília)







O destino de Natal

O ano letivo dos alunos da rede municipal de Natal (RN) deve começar no dia 27 de fevereiro e terminar no dia 30 de dezembro de 2013. O esclarecimento foi feito à reportagem pela Secretaria Municipal de Educação, depois que, em dezembro de 2012, por falta de dinheiro e em meio ao afastamento da prefeita Micarla de Souza (PV), acusada de desvio de recursos da área da saúde, 29 das 141 instituições de ensino – 69 escolas de educação infantil e 72 de fundamental – tiveram de encerrar o ano letivo 20 dias antes do previsto. Segundo a Secretaria, o calendário escolar de 2013 deve cumprir normalmente os 200 dias letivos exigidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).


Já as aulas não dadas em 2012 foram repostas no mês de janeiro, “ministradas de forma alternativa, através de aulas de campo, atividades vivenciais e extracurriculares além de exercícios práticos realizados em casa”, respondeu a assessoria do órgão. Ainda de acordo com a Secretaria, os professores avaliaram os alunos a partir dessas reposições e das atividades dadas no último bimestre do ano passado. Depois desse processo, os alunos puderam renovar as matrículas.



Contrato temporário
Um estudo da OCDE pode apontar um conselho aos gestores de escolas. Na média de 24 países participantes de um levantamento, 16% dos professores entrevistados tinham um contrato de emprego temporário e dois terços deles apresentavam contratos de menos de um ano de duração, o que, segundo a pesquisa, “pode afetar a segurança dos profissionais no trabalho e a forma como eles realizam seu trabalho”. A conclusão é do relatório Creating effective teaching and learning environments: first results from Talis (Criando um ensino eficaz e ambientes de aprendizagem: primeiros resultados do Talis), divulgado em janeiro pela OCDE com base nos dados do Teaching and Learning International Survey (Estudo Internacional de Ensino e Aprendizagem, ou Talis, na sigla em inglês).


Entre os países que têm professores com esse tipo de contrato a termo, todos – exceto Itália, Coreia, Lituânia e Malásia – têm a maior parte desses docentes com contratos de menos de um ano de duração. O Brasil está incluso na lista onde esse vínculo inferior a um ano é mais comum, ao lado de Islândia, Irlanda, Polônia, Portugal e Espanha. Segundo o estudo, uma possível explicação para este emprego de curta duração é um esforço para aumentar a flexibilidade do mercado de trabalho docente e para atribuir aos professores tarefas de curto prazo. Outra hipótese é a de que esses sistemas estão testando mais os professores jovens antes de contratações permanentes – condição que, segundo o levantamento, é vista pelo professor como uma vantagem por ter escolhido a profissão, ligada ao reconhecimento por esforços e à motivação na carreira.


O levantamento foi feito entre 2007 e 2008 em 200 escolas por país, com 20 professores de cada instituição. Os países que participam do Talis são Austrália, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Coreia, México, Noruega, Polônia, Portugal, Eslováquia, Espanha e Turquia (países da OCDE) e Brasil, Bulgária, Estónia, Lituânia, Malásia, Malta, Eslovênia (países parceiros).







Elites políticas e educação nos BRICs

Na virada do século 20, Brasil, Rússia, Índia e China detinham juntos mais da metade da população mundial. No entanto, apenas 12%, 20%, 8% e 4% de suas crianças em idade escolar, respectivamente, estavam matriculadas na escola em 1910 – enquanto esse índice na Alemanha, no Reino Unido e nos Estados Unidos ultrapassava os 80%. Os quatro países chamados de BRICs (grupo que hoje inclui a África do Sul) se destacam atualmente como as maiores economias em desenvolvimento e chamaram a atenção de pesquisadores do NBER (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês), que publicou um estudo no qual comparam como a Educação Básica se desenvolveu em relação à natureza das elites políticas de cada país: “Big BRICs, weak foundations: the begining of public elementary education in Brazil, Russia, India and China” (Big BRICS, fundações fracas: o início do ensino fundamental público em Brasil, Rússia, Índia e China, em tradução livre).


Segundo a pesquisa, Brasil e Rússia, mais ricos e democráticos, contaram à época com mais investimentos em Educação Básica do que Índia e China. A proibição de votos de analfabetos no fim do século 19 no Brasil, por exemplo, levou as elites a apoiar a educação nos estados e municípios onde a quantidade de eleitores – cidadãos alfabetizados – era determinante para manter grupos políticos no poder. Já na Rússia, um maior financiamento veio do governo central a partir da criação de uma assembleia nacional em 1906, a qual contava com alguma representação popular. Antes disso, a educação ficava a cargo de instituições políticas locais – onde havia uma nobreza mais liberal, havia mais apoio. O salto russo se deu com a União Soviética, que deu impulso à escolarização a partir de 1920, enquanto Brasil, Índia e China não priorizaram a área. O estudo avalia que somente há três décadas esses três países passaram a fazer avanços expressivos.


Em relação a Índia e China, os pesquisadores apontam que a ausência de democracia no começo do século 20 foi decisiva para que as elites assumissem as instituições e, portanto, o financiamento. Na Índia, as divisões de casta e religião levaram à limitação dos investimentos na área, enquanto na China houve interesse das elites tradicionais em investir na educação de locais desenvolvidos comercialmente.



Rubem Alves na internet
O escritor e educador Rubem Alves, autor de mais de 120 títulos e colunista de Educação até 2012, acaba de lançar um novo espaço de interação com seus leitores na internet. No site, é possível saber mais sobre o instituto que leva o seu nome, sua história, premiações, notícias e conferir seus textos publicados na revista. (www.rubemalves.com.br)


O jogo dos alimentos
A reportagem de capa da edição 188 de Educação, “O peso da escola”, mostrou que as instituições podem ajudar a combater a obesidade e a incentivar bons hábitos alimentares ao oferecer bons alimentos ou trabalhar com a conscientização de seus alunos. Pensando nesse trabalho, cinco alunos de pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) desenvolveram um jogo que pode contribuir com a educação alimentar das crianças, incentivando a criatividade delas ao mesmo tempo em que apresenta informações nutricionais.

No jogo, a criança arrasta os alimentos escolhidos para o prato. Ao fazer isso, uma análise da refeição aparece, revelando o que há de excessivo e o que fez falta no prato. Desenvolvido por César Martorelli da Silveira, Clorivaldo de Oliveira Júnior, Marcos Juinthi Koba Morise, Sandra Possebon Gatti e Tais Maria Otsuko, que optaram por uma interface e gráficos bastante simples, o jogo “Lanche Saudável” pode ser procurado e baixado na internet.

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