Moacir Gadotti

diretor-geral do Instituto Paulo Freire

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?





Considero a educação básica como o lugar de produção da liberdade, da criação do destino de cada um, de cada uma. Por isso, não cuidar da escola básica é não cuidar da nação, do destino da sociedade, da libertação de cada um. Para muitos, a escola básica é o único espaço público e democrático de que dispõem. Apesar do avanço na matrícula de crianças e jovens de 7 a 14 anos no ensino fundamental no Brasil, ainda existe o problema grave do abandono e da defasagem série/idade. As crianças pobres podem estar matriculadas na escola, mas sua cultura aí não está. Não basta incluir crianças na escola; é preciso incluí-las com uma nova qualidade.





 






Da forma como o ensino superior está sendo administrado atualmente, como você avalia a formação dos professores do ensino básico? Eles estão preparados para a sala de aula?






Para mudar o mundo é preciso primeiro pensá-lo de outra forma; para mudar a educação é preciso enxergá-la de outra forma. Na formação do educador é preciso enxergar o lado belo, a boniteza de sua profissão. Ser professor hoje não é nem mais difícil nem mais fácil do que era há algumas décadas. É diferente. Diante da velocidade com que a informação se desloca, envelhece e morre, diante de um mundo em constante mudança, seu papel vem mudando, senão na essencial tarefa de educar, pelo menos na tarefa de ensinar, de conduzir a aprendizagem e na sua própria formação que se tornou permanentemente necessária. Por isso, na sua formação universitária falta prepará-los para serem menos lecionadores e mais organizadores da aprendizagem.






 







Existe hoje algum modelo no Brasil em ensino fundamental e médio?







O único modelo aceitável para a educação básica é o modelo participativo, que incentiva o companheirismo e a cooperação em oposição à competição e que viabilize as condições de efetiva aprendizagem de professores e de alunos. Quando o professor não aprende, o aluno não aprende. Sucesso gera sucesso. Fracasso não é fator de ensino. A repetência faz o aluno ser pior. Para o aluno que passou, o próximo ano será um desafio e, para o que ficou, o próximo ano será de desânimo. Nos países onde a educação é mais avançada, a repetência está próxima de zero. A criança aprende de mil maneiras. Por isso, é preciso criar um ambiente estimulador, motivador. Conhecimento é informação contextualizada, com sentido. A criança só aprende o que tem sentido para ela. Ficar mais tempo na escola não significa aprender mais. Nosso modelo educacional deve ser aquele no qual a criança aprende.






 



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