Mire-se no exemplo

Prêmio Itaú-Unicef mapeia ONGs com ação socioeducativa

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O importante é competir: a máxima do Barão de Coubertin (1863-1937), o idealizador dos Jogos Olímpicos de nossa era, traduz bem os propósitos do Prêmio Itaú-Unicef, cuja sexta edição, em torno do tema Tecendo Redes, foi encerrada no final de novembro, com a realização de um seminário sobre educação básica em tempo integral e com a cerimônia de anúncio dos vencedores, em São Paulo (SP).

Embora as luzes sejam dirigidas à premiação, a fase de inscrições é a mais importante, ao possibilitar a reunião de informações sobre ONGs de todo o país que desenvolvem atividades socioeducativas com crianças e adolescentes de 6 a 18 anos. Além do banco de dados gerado a partir dessas informações, as organizações inscritas vão passar, em 2006, por um programa de formação e capacitação.

Na primeira edição, em 1995, 406 projetos se inscreveram. Dez anos depois, o total saltou para 1.682, divididos por oito sedes regionais, em Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Equipes de avaliadores fizeram a seleção dos 30 projetos selecionados para a fase final.

O primeiro prêmio coube ao projeto
Rede Participativa

, da Associação de Apoio ao Trabalho Cultural, Histórico e Ambiental (Apôitcha), de Lucena (PB), a 50 quilômetros de João Pessoa. Cerca de 120 crianças, adolescentes e jovens são beneficiados desde 2001 pelas suas atividades, que promovem a formação integral, favorecem o sucesso escolar e visam à inclusão social de vítimas de violência doméstica e abuso sexual, além de crianças que trabalham e vivem em situação de extrema pobreza.

O projeto
Rede Jovem de Cidadania

, da Associação Imagem Comunitária de Belo Horizonte (MG), recebeu o segundo prêmio. Criado em 2002, reúne centenas de adolescentes e jovens que produzem material para rádio, televisão e agência de notícias, atingindo semanalmente a um público estimado em 500 mil pessoas. Um dos principais aspectos envolvidos no programa é a construção de uma imagem positiva para moradores de regiões com elevados índices de vulnerabilidade social.

O terceiro lugar foi do projeto
Eremim: Tecendo Novos Caminhos

, da Associação Eremim – Ação Social de Promoção da Cidadania e Desenvolvimento Humano, em Osasco (SP). Com o objetivo de formar agentes comunitários e comunicadores populares, a ONG atende cerca de 200 crianças e adolescentes de 6 a 18 anos. A ampliação do horizonte cultural e da capacidade crítica orienta as atividades, que se propõem a contribuir para a transformação da realidade local e o aumento das chances de inserção no mercado de trabalho.

Foram entregues também menções honrosas aos projetos
Banda de Lata de Todas as Cores

, da Associação Curumins, de Fortaleza, que trabalha com a musicalidade, e
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, da Associação das Mulheres de Nazaré da Mata (PE), voltada para a auto-estima de adolescentes. O prêmio é uma iniciativa da Fundação Itaú Social e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), o Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas) e o Canal Futura, com apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).




Integralidade não é só tempo integral




O seminário “Educação e Comunidade”, promovido no encerramento do Prêmio Itaú-Unicef, trouxe a São Paulo, para discutir a educação básica em tempo integral, a educadora Rosa Maria Torres Del Castillo, ex-ministra de educação e cultura do Equador e ex-assessora do Unicef em Nova York (EUA). Foi ela quem lembrou o aspecto mais importante no debate: o conceito de integralidade não deve ser confundido com educação em tempo integral de acordo com modelo em que o aluno passa meio período na escola e o restante do dia sob os cuidados de uma ONG.

“No Brasil, costuma-se pensar no trabalho das ONGs como extensão, com regras próprias, do sistema escolar formal, mas existem outras alternativas”, observou. Rosa Maria acredita que iniciativas de integralidade desenvolvidas em países como Argentina, Bolívia, Equador e México são bons exemplos. “Ali, as ONGs entram na escola, cuidam de certas tarefas e poupam os professores. Em outros casos, oferecem monitores de aprendizagem para alunos de classes desfavorecidas e baixo nível de escolaridade. Algumas fornecem laboratórios.”

Segundo ela, são dois os aspectos-chave envolvidos nessas parcerias. Em primeiro lugar, Rosa Maria acredita que é preciso discutir se o trabalho das ONGs ajuda a fortalecer a escola ou, na verdade, a debilitá-la. “Além disso, devemos nos perguntar: manteremos as crianças por mais tempo sob os nossos cuidados para quê? Onde? A qual custo? Como será dividido esse tempo extra?”



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