Marli C. Schlindwein

diretora-geral do Centro Educacional Menino Jesus, de Florianópolis (SC)

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Como você avalia a situação da educação no país atualmente? Na sua opinião, quais são os principais avanços educacionais dos últimos tempos?




Como em todas as áreas há níveis medíocres e outros excelentes. Há esforços louváveis por parte de profissionais sérios e competentes. Há escolas privadas, também municipais e estaduais fazendo um trabalho com diferenciais nítidos no que concerne à conscientização da responsabilidade do homem para com o planeta Terra, formação para a paz e para valores do caráter.




Considero avanço o acesso dado aos estudantes, os benefícios da tecnologia e da informática; outro avanço são as escolas que oferecem, além do tempo curricular obrigatório, oficinas complementares em esportes, cultura, artes (música, dança, pintura, línguas etc).



 





Quais são, na sua opinião, os principais problemas na área de educação no país?



Como combatê-los?






Um dos problemas é ver o dinheiro público aplicado em obras para pura exibição de alguns nomes; outro é não poder confiar nos que destinam as verbas; escolas por este Brasil afora sem as mínimas condições de funcionamento, desaparelhadas, professores mal remunerados, falta de oferta de vagas no ensino fundamental, médio e universitário para os jovens carentes são alguns problemas-chave.




O combate se faz com a denúncia das mazelas e falcatruas e com pessoas com grande índice de altruísmo. É  preciso destinar o dinheiro público com justiça para os mais necessitados e desfavorecidos. Mas para isso precisa-se de diagnósticos e mapeamentos fiéis das situações educacionais precárias e vontade política para ações eficazes.



 





Em relação ao seu trabalho, como tem evoluído? Quais são as grandes dificuldades com que você convive, e quais são os avanços conseguidos?





Estamos construindo um conceito de credibilidade na educação infantil, graças ao modo como a criança é considerada e respeitada em nossa escola; a adoção do sistema Montessori de educação tem favorecido o fortalecimento da nossa ação pedagógica e se faz um contínuo investimento na  formação dos profissionais.




As dificuldades são múltiplas, mas, para citar algumas, estão o papel de paternidade/maternidade que a escola hoje tem de suprir; outra é a formação para os valores éticos, morais e espirituais em contraposição ao que se vê na sociedade atual: violência, corrupção, relativismo, consumismo, permissividade etc.



Na arte de bem educar sempre teremos mistérios a desvendar e o desafio de encontrar a medida justa, adequada de nossas intervenções.



Para encerrar lembro a grande frase:
De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

(Rui Barbosa, em discurso no Senado, 1914.

)


Contra esse estado de coisas a educação deve persistir em seus propósitos, alicerçada nos princípios do Evangelho, no exercício dos valores éticos, afetivos e sociais e em relações sociais pautadas na dignidade humana, na honestidade, no respeito às coisas alheias, na transparência e na integridade pessoal; só assim pode a educação contribuir na transformação do homem e da sociedade.



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