Maristela Angotti

professora da Unesp

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?




A educação básica no Brasil vive momento delicado, cenário entristecedor decorrente das péssimas condições de seus prédios e materiais, falta de bibliotecas bem equipadas, professores mal formados e extremamente desvalorizados e mal pagos.




Se por um lado se pôde acreditar que os atuais instrumentos legais tivessem se constituído em avanços significativos em termos de cidadania, hoje já temos a certeza de que muito está sendo perdido.



Como exemplo, pode ser citada a mudança constitucional que altera a condição de expansão do ensino médio enquanto direito público subjetivo.



Situação das mais graves, ainda, pode ser a da educação infantil, primeira etapa da educação básica, que não tem previsão de investimentos no atendimento às creches com o Fundeb, a partir de 2006.



Perdas sociais incalculáveis podem ser previstas, tal como o direito da criança ao seu desenvolvimento integral e dos pais de poderem trabalhar tendo assegurado atendimento educacional aos seus filhos.



 





Na sua opinião, qual o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação no nosso país?





Correndo o risco de parecer simplista, tenho a convicção de que falar a respeito do principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação do nosso país nos remete à necessidade de vencer a falta de vontade política de reconhecimento, valorização e respeito à educação e aos direitos constituídos ao povo brasileiro.




O desenvolvimento e a qualidade da educação no nosso país dependem, sobretudo, de políticas públicas que possam investir na formação e não na certificação dos profissionais da educação, em especial, dos professores. Influenciado e direcionado por organismos internacionais, o país se vê hoje sem um projeto social claro para si, sem projeto político educacional que se sustente e esteja fundamentado nas teorias e produções científicas da área, seguindo padrões ditados internacionalmente para que a liberação de financiamentos possa ocorrer, mesmo que eles não atendam aos anseios da população, aos direitos dos cidadãos e não respeitem os clamores dos profissionais diretamente envolvidos com a área.



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