Maria Teresa Eglér Mantoan

professora da Universidade Estadual de Campinas

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?




A educação básica está vivendo um grande desafio, que é o de resolver a equação qualidade de ensino X quantidade de alunos.






O direito de todos à educação precisa ser assegurado e a inclusão dos que estavam (estão) fora das escolas potencializa esse desafio. 



Nossas políticas públicas não acompanham os avanços educacionais e neutralizam todas as perturbações que as diferenças, por exemplo, ocasionam nas salas de aula. A cultura escolar ainda vive dos mitos do aluno ideal, da sala de aula homogênea, da reprodução do conhecimento fragmentado em áreas, transmitido seqüencialmente, do mérito escolar medido por comparação de desempenhos nas áreas do conhecimento. O diagnóstico não é dos mais favoráveis às grandes mudanças que temos de empreender para que a  escola básica brasileira corresponda aos nossos anseios de uma educação de qualidade, democrática e aberta a todos, sem discriminações, segregação, preconceitos.




 






Da forma como o ensino superior está sendo administrado atualmente, como você avalia a formação dos professores do ensino básico? Eles estão preparados para a sala de aula?





Avalio a formação do professor com muitas reservas. No meu ponto de vista é preciso aliar teoria a práticas educacionais, durante todo o percurso do aluno na universidade.




Precisamos garantir uma sólida formação do profissional de educação, calcada na discussão, no questionamento de situações vivenciadas no cotidiano escolar. Este é, a meu ver, o cenário mais adequado para a preparação desse profissional, na sua formação inicial e também na formação em serviço. Em uma palavra, seria ideal que os alunos/professores aprendessem fazendo e teorizando a própria prática educacional. 



 





Existe hoje algum modelo no Brasil em ensino fundamental e médio?





De certo existem escolas públicas e particulares envolvidas em projetos interessantes de trabalho, mas prefiro não destacar modelos e sim a necessidade de cada escola elaborar, autonomamente, seus projetos político-pedagógicos,  para que possam ministrar um ensino que atenda às necessidades de seus alunos e aos propósitos que definiram como seus alvos preferenciais de trabalho. Escola-modelo para mim é aquela que conseguiu ultrapassar o anonimato das propostas universalistas e encontrou sua identidade.




 


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