Maria Auxiliadora Seabra Rezende

secretária de Educação de Tocantins

Compartilhe
, / 803 0




Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?




A educação básica avançou no aspecto da universalização. O país colocou, em pouco tempo, um enorme percentual da população dentro da escola, mas em educação não podemos trabalhar apenas com a quantidade, mas principalmente com a qualidade. E isso é o nosso maior desafio.




O Brasil não prioriza a educação no que tange a recursos públicos, que são insuficientes para a demanda, e temos muitos professores leigos e a formação existente não os prepara para nossa escola real. A ausência de continuidade de políticas públicas tem gerado retrocessos, cada gestor cria suas ações de acordo com a sua visão sem, na maioria das vezes, conhecer a realidade. Como conseqüência, temos várias experiências de sucesso que não têm continuidade, o que significa também desperdício de investimento.



 





Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?





O maior desafio é priorizar de verdade a educação. O Plano Nacional avançou na proposição de diretrizes e metas. No entanto, os vetos na área financeira dificultaram ou, até mesmo, inviabilizaram seu cumprimento. Devemos priorizar a formação e qualificação docente e acompanhar os resultados de aprendizagem. Além disso, entendo que é preciso investir mais na educação básica para que as competências mínimas sejam asseguradas.




 





Se você pudesse formular as políticas federais, qual seria o primeiro ponto em que investiria?





Acredito na Escola de Tempo Integral e na preparação do professor. A primeira por poder garantir maior tempo de permanência do aluno na escola, priorizando a leitura, a escrita e a matemática, além de oferecer uma educação mais ampla. Nossas experiências mostram que esse modelo contribui para uma melhor formação do aluno devido a um acompanhamento mais efetivo das atividades extra-aulas. É também uma tranqüilidade para as mães que trabalham e que deixariam esses filhos sozinhos em casa ou na responsabilidade de outras pessoas. A Escola de Tempo Integral garante que as crianças não fiquem nas ruas e proporciona atividades esportivas e culturais também. Pois o importante não é apenas aumentar o tempo de permanência do aluno na escola, mas, sim, a qualidade desse tempo.




No caso da preparação do professor, as instituições deveriam trabalhar na perspectiva de qualificá-los para a nossa escola real, ou seja, a escola que existe no país e não apenas para aquela escola que todos acham que é ideal.



Comentários

comentários

PASSWORD RESET

LOG IN