Máquina do tempo

Misturando ficção com fatos reais, livro apresenta como a arqueologia reconstitui a história da humanidade

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A perda de um animal de estimação é o ponto de partida do livro Descobrindo a arqueologia – O que os mortos podem contar sobre a vida?, de Luiz Pezo Lanfranco, Cecília Petronilho e Sabine Eggers. Os três são cientistas do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e, com a parceria da ilustradora Alecsandra Fernandes, contam nessa obra algumas descobertas arqueológicas tornadas possíveis pela análise de sepulturas, esqueletos e restos mortais. O didatismo é mesclado com uma narrativa ficcional que começa com a morte da jabuti Cristal e as explicações do avô Roberto sobre como cada povo vive a experiência da morte. “Podemos usar a arqueologia como uma máquina do tempo que nos transporta para onde quisermos”, diz aos netos Felipe e Luísa ao descrever como a ciência reconstruiu o passado de guerreiros, princesas e vikings que irá apresentar.

A primeira descrição é a do sítio arqueológico de Sunghir, na Rússia, cujas evidências indicam ter existido há 28 mil anos. Nas escavações, os arqueólogos encontraram dois esqueletos e, pela forma como estavam vestidos – roupas de pele de mamute adornadas com mais de dez mil pingentes de marfim –, eles observaram que os rituais funerários constituem uma prática muita antiga entre os humanos modernos. Esses rituais também podiam ser extremamente complexos, como levam a crer os sepultamentos do sítio Lapa do Santo, localizado na área de Lagoa Santa (MG). Lá, uma equipe do próprio Instituto de Biociências encontrou o esqueleto de um homem adulto cujas mãos estavam amputadas e colocadas sobre o rosto. Interpretada como parte de um rito, a descoberta mudou as ideias que se tinham sobre os primeiros povoadores da região, explica o narrador.

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Outro achado fascinante foi o do corpo de Ötzi, resgatado em 1991 nos Alpes italianos. No início, imaginaram se tratar de mais um alpinista vítima de acidente, quando na verdade o corpo era de um homem que viveu entre 3350 e 3100 a.C. Em seu corpo, havia mais de 50 tatuagens pretas em forma de linhas e cruzes em pontos correspondentes às linhas da acupuntura. Foi mais uma revelação que derrubou crenças, desta vez a de que a acupuntura havia surgido há 3 mil anos na Ásia.

O livro se encerra com um capítulo sobre os sem sepultamentos – as vítimas das ditaduras militares da América do Sul sequestradas e executadas – , o que serve para mostrar que a arqueologia também é uma ciência aplicável aos nossos tempos.

+ Outras leituras

Um saci passou por aqui, de Monica Stahel (WMF Martins Fontes, 32 págs., R$ 29,80)
Dona Glória e seu Agostinho vivem perto de uma mata onde dizem que existe um saci. Depois de um dia intenso de trabalho – ele na roça, ela nas tarefas de casa –, o casal vê todo o esforço desperdiçado. O leite azeda, a roupa cai do varal, a galinha sai do ninho. Para Dona Glória, só há um suspeito para toda essa confusão.

Simbad, o marujo, traduzido e adaptado por Alaíde Lisboa (Peirópolis, 96 págs., R$ 35)
Versão recontada de uma das histórias mais populares das As mil e uma noites. Cansado da vida monótona, Simbad se desfaz de todas as posses e embarca em um navio rumo às Índias Orientais, a primeira das sete viagens que fará. Ao longo desse período, o marujo se envolve em aventuras, conhece novos povos e culturas e se transforma.

O circo do amanhã, de Heloisa Prieto e Lilia Moritz Schwarcz (Companhia das Letrinhas, 96 págs., R$ 37,90)
Alice e Maria Isabel são amigas inseparáveis e não podem ficar um dia sem se falar. Quando Maria Isabel fica doente, Alice decide escrever cartas para contar à amiga tudo o que está acontecendo na escola. Animadas com a nova forma de comunicação, elas também começam a trocar receitas, poemas, partituras, adivinhas, dobraduras e muito mais.

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