Linguagem, self e educação

O pensamento de Mead abre espaço para tratar da dimensão lúdica do aprender, da cooperação social e solidária e da formação moral

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A editora Autêntica acaba de publicar G. H. Mead & a educação, escrito por Cledes Antonio Casagrande, jovem pesquisador da área de Filosofia da Educação. Com linguagem clara e fluente, o livro está organizado em três capítulos abordando, no pensamento do filósofo George Herbert Mead, respectivamente, os temas linguagem, self (si mesmo) e educação. O autor esforça-se para mostrar como esses temas estão articulados entre si e, sobretudo, como processos de individuação e de socialização se imbricam profundamente e só são possíveis pela interação humana mediada simbolicamente. Daí a importância da compreensão da linguagem como força constitutiva do self, da sociedade e, especialmente, da educação. Em síntese, a leitura do livro reforça ainda mais a convicção, aparentemente trivial, de que sem a competência comunicativa e sem a convivência social o ser humano não se forma, reduzindo-se a uma pedra ou a um vegetal.

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Infelizmente pouco estudado no Brasil, George Herbert Mead, vinculado à tradição pragmatista americana, desenvolve uma teoria original da linguagem que permite pensar amplos e diversos problemas educacionais, desde os relacionados com a gestão do pedagógico escolar, até os de teorias educacionais e de políticas educacionais públicas. Nesse sentido, torna-se importante compreender o que significa sua distinção entre gesto e símbolo significante e por que esse autor coloca a interação mediada simbolicamente como núcleo da relação entre indivíduo e sociedade.

Ao compreender a formação humana como um processo intersubjetivo mediado linguisticamente, o pensamento de Mead abre espaço para tratar de temas tão importantes à educação como o da dimensão lúdica do aprender, da cooperação social e solidária e da formação moral. Temas esses todos vinculados à questão da formação da cidadania democrática, compreendida por Mead como forma de vida mais adequada para sociedades plurais, que exigem cada vez mais o respeito pela diferença e a capacidade de ouvir os outros. Todos esses temas, apenas referidos brevemente aqui, são desenvolvidos com maestria por Cledes Casagrande em seu livro.

Claudio A. Dalbosco é professor do Programa de Pós-Graduação da Universidade de Passo Fundo (UPF/RS) e pesquisador do CNPq.

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