Lilian L’Abbate Kelian

diretora da Escola Lumiar, em São Paulo (SP)

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Qual o diagnóstico que a você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?


O maior desafio da educação brasileira é tirar as idéias pedagógicas do papel. Há idéias muito inovadoras que já são lugar-comum no discurso dos educadores há anos, mas que estão muito longe de acontecer nas escolas. Defende-se que a escola seja um espaço de construção de conhecimento e não da mera transmissão, e que o interesse dos estudantes e a sua realidade sejam o ponto de  partida do professor. Que cada comunidade escolar tenha um projeto pedagógico coerente com seus valores, construído de forma democrática e que atenda às suas necessidades. Que a escola seja o espaço da construção de uma cidadania ativa e crítica. Para implementar de fato todas essas idéias é preciso um grande esforço de reorganização das escolas e muita abertura e criatividade das equipes pedagógicas.




Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?


A coerência entre teoria e prática faz a educação de qualidade. É fundamental que a escola seja um lugar em que estudantes e professores são, de fato, sujeitos da aprendizagem e têm liberdade para refletir sobre o projeto pedagógico e intervir nele. Isso não é fácil de realizar, é preciso que a comunidade escolar esteja sempre refletindo e avaliando cada decisão, que seja muito autocrítica para aperfeiçoar suas práticas e rever seus valores.

Quando as escolas estiverem determinadas a seguir o seu próprio caminho, vamos perceber que é preciso promover mudanças estruturais e aprofundar a teoria, pois novos desafios surgirão. Devemos nos abrir para a diversidade de práticas pedagógicas e não ter a expectativa de que existe uma única forma de educar.



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