Líderes (inclusive escolares) devem produzir mudanças culturais nas organizações

Abrir caminho para implantação de novos projetos e modelos de ensino é um dos grandes desafios dos gestores de escolas

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Líder escolar deve produzir mudanças culturais na escola

Foto: Shutterstock

Houve épocas de líderes hierárquicos, desbravadores, inspiradores, criadores de cenário para suas equipes atuarem. No contexto atual, que muitos especialistas chamam de VUC (que significa algo como tempos voláteis, incertos e complexos), o maior desafio do líder é a capacidade de produzir mudanças culturais nas organizações.

Esse é o resultado de um estudo feito pela consultoria internacional Deloitte, que periodicamente pesquisa a opinião de executivos de todas as áreas. Para os líderes globais, reposicionar as empresas em uma era de transformações rápidas e imprevisíveis requer a capacidade de mudar a cultura interna, vencendo a inércia, a burocracia, mudando o jeito de pensar.

Nas escolas não é diferente. O líder escolar deve procurar deixar de ser um apagador de incêndios e passar a contribuir para que a cultura interna de seu colégio mude. Mover um modelo institucional acomodado ao longo de dois séculos em uma rígida estrutura hierárquica e funcional implica desenhar um novo molde, e isso não é simples. A dificuldade de implantação de projetos de tecnologia é apenas a ponta do iceberg de transformações necessárias – por exemplo, a de modelos de ensino mais abertos à experimentação e novos formatos.

Em conferência recente, o educador português António Nóvoa, reitor honorário da Universidade de Lisboa, alertou para as profundas mudanças que vão acontecer na educação – e que mexerão nas estruturas mais clássicas da escola, como o tempo e o espaço escolar. “Como e quando vai acontecer, não sabemos, mas é certo que dificilmente a escola continuará a funcionar como funcionou desde o século 19”, disse Nóvoa.

Para ele, as mudanças serão mais aceleradas do que se imagina, e lembra que, na história da educação (sua especialidade), a introdução de tecnologias se mostrou sempre disruptiva. “A lousa foi uma invenção que levou apenas poucos anos para se difundir por escolas de todos os continentes”, exemplificou. Não por acaso, pipocam pelo país experiências educativas inovadoras. Há dois anos, o MEC deu o primeiro passo para tentar entender esse movimento, e criou a Rede de Inovação e Criatividade, listando 200 propostas recolhidas país afora. São experiências que tentam subverter rotinas, tempos, currículo e mesmo objetivos da educação.

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