Lições internacionais

Documentário produzido pelo Canal Futura e pelo Sesi explora os fatores que explicam bons resultados de países como Canadá e Chile no Pisa

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O que faz a diferença na educação ofertada em alguns dos países mais bem classificados no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa)? E o que nos diferencia deles? Essas são algumas perguntas suscitadas pela série de documentários “Destino: Educação”, produzida pelo canal de televisão Futura e pelo Serviço Social da Indústria (Sesi).  Em sete programas, a série mostra como é a Educação Básica na Coreia do Sul, Canadá, Chile, Finlândia e na província de Xangai (China), que estão entre os dez melhores no exame internacional em 2009, a partir do ponto de vista de alunos, professores, gestores, pesquisadores e especialistas. Como contraponto, foi exibido um programa inédito sobre o Brasil, o 53º colocado em leitura entre 65 avaliados naquele ano.


Mais do que transmitir lições a serem assimiladas pelos brasileiros, os documentários sinalizam que não existem fórmulas prontas passíveis de serem replicadas; diferentemente, a história e a cultura desempenham um papel fundamental na maneira como cada sistema de ensino se organiza.  Entretanto, particularidades à parte, há um fator que perpassa as trajetórias desses países líderes do Pisa: um ambiente social e cultural de valorização da educação que se materializa em linhas de ação políticas de médio e longo prazo.


O Chile, país latino-americano mais bem classificado (44º em leitura em 2009), apresenta várias características semelhantes ao Brasil: desigualdades acentuadas entre escolas, fragilidades das políticas de valorização docente e a necessidade de melhorar a aprendizagem em leitura.   No entanto, desde 1990, ampliou em sete vezes o investimento em educação, o que serviu de plataforma para um salto de qualidade que resultou na liderança regional no Pisa, observam os especialistas entrevistados no programa.


Com uma população de 16,8 milhões e 74% dos adolescentes de 15 a 17 anos cursando o ensino médio, em 2012, o Chile vai investir US$ 11,6 bilhões no setor – 7,4% do seu Produto Interno Bruto (PIB). Tamanho aporte de recursos, apontam os especialistas ouvidos no filme, resulta do fortalecimento de uma mentalidade de valorização da educação de qualidade para todos, a qual se tornou uma prioridade para a sociedade chilena.


O modelo competitivo
Do outro lado do mundo, Xangai, o 1º colocado em leitura no exame de 2009, possui um modelo sustentado no esforço e no desempenho individual dos estudantes, cujo pano de fundo é uma cultura que enxerga o sucesso na escola como determinante para o futuro na profissão e na vida em geral. Mas o excesso de rigidez e o elevado grau de exigência geram críticas pela sobrecarga imposta aos alunos.


Canadá e Finlândia, outras estrelas do Pisa, têm na valorização do professor e na oferta de educação pública para todos uma das bases de seus sistemas educacionais. No Canadá, 6º colocado em leitura, o foco é a busca da excelência mantendo a equidade do sistema. Do mesmo modo, a Finlândia, o 3º país em desempenho em leitura, tem como um dos eixos das políticas educacionais a manutenção de um sistema de ensino igualitário e equilibrado, cuja concepção remonta ao início do século 20. Outro destaque do país nórdico é a forte valorização da docência, que se tornou a carreira muito concorrida: a cada ano, 2,5 mil candidatos concorrem a 120 vagas ofertadas para a formação em nível de graduação, de acordo com o documentário. O mestrado é o pré-requisito para o docente assumir uma sala de aula, pois a expectativa, dizem os gestores, é que o professor tenha uma formação superior à média da população.


Brasil: uma ideia recente
Frente à experiência desses países, a educação de qualidade para todos parece ser uma realidade distante no Brasil. No documentário, estudantes, professores e gestores reconhecem os avanços nas últimas décadas – evidenciados, inclusive, pelo próprio Pisa: o país registrou o terceiro maior aumento de pontuação entre 2000 e 2009. Mas, ao mesmo tempo, enfatizam as deficiências de infraestrutura, da formação docente e a má qualidade do ensino. Essa percepção não chega a ser surpreendente, analisam os especialistas. Afinal, o caso brasileiro é peculiar, considerando a dimensão dos problemas e o enorme passivo acumulado, que se traduzem em baixa aprendizagem e em taxas ainda elevadas de distorção idade-série. Além disso, diferentemente dos países líderes no Pisa, que têm longa e forte tradição educacional, no Brasil, a ideia de que a educação de qualidade é um direito de todos é relativamente recente, datada da segunda metade do século 20. A missão que cabe a nós, então, dizem os entrevistados, é recuperar o tempo perdido.


Saiba mais:


> Documentário na web: Acesse o site do FuturaTec (www.futuratec.org.br/), a videoteca gratuita do Canal Futura, para baixar os vídeos de “Destino: Educação”. O download só pode ser feito por usuários cadastrados no sistema.

> Guia educativo: Também é possível baixar um pdf com sugestões para aproveitar o conteúdo em sala de aula. Basta entrar aqui

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