Lições da rebeldia

Escola de Rock leva, de forma zombeteira, a cultura pop à sala de aula e mexe com uma tradicional escola particular

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Sérgio Rizzo*



Mr. Holland – Adorável Professor




(1995), com Richard Dreyfuss, e
Música do Coração

(1999), com Meryl Streep, foram bem-sucedidos na defesa do ensino de música, constantemente ameaçado por cortes de verbas nos EUA. O primeiro deu origem a uma fundação, destinada a preservar a disciplina em escolas públicas, e o segundo se baseia na história verídica de uma professora que, enfrentando condições adversas, obteve resultados extraordinários com seus alunos. Ambos trabalham com uma concepção clássica de educação musical, que passa pelo aprendizado de instrumentos, como piano e violão, e pela execução de peças eruditas ou de canções populares assimiladas pelo repertório de classe média.



Escola de Rock



proporciona um curioso contraponto a essas abordagens. Em tom de comédia, ele propõe a inserção do velho e bom
rock-n’-roll

na sala de aula. Parece uma idéia extravagante, reforçada pelo humor descompromissado do filme. Será mesmo? Um exame mais atento revela, em primeiro lugar, que não há nada de estapafúrdio em atribuir
status

de tema escolar à cultura
pop

. Ou a trajetória dos Beatles e dos Rolling Stones não ajudaria os jovens de hoje a entender, de maneira mais vívida do que em muitos livros didáticos, o que representaram os anos 60? Não há novidade em relação a isso: como ferramenta de ensino, a música popular já foi descoberta por muitos professores, em especial os de história e literatura.




Além disso, o filme também faz, com seu apelo à rebeldia traduzida pelo
rock

, uma divertida caricatura de escolas de elite. Exageros à parte, seu espírito zombeteiro permite também alguma espécie de reflexão sobre estruturas ortodoxas de ensino. O personagem responsável pela situação insólita que desencadeia a trama é Dewey (Jack Black), um roqueiro fracassado, expulso da banda que criou. Pressionado por Ned (Mike White, também autor do roteiro), velho amigo com quem divide apartamento e que costuma trabalhar como professor substituto, ele decide arrumar um emprego. Mas, antes que encontre coragem para sair à rua, toca o telefone: é a diretora de uma tradicional escola particular (Joan Cusack) que procura Ned para substituir durante alguns meses, por US$ 650 semanais, a professora da 4
a

série do ensino fundamental.





Seduzido pelo salário, Dewey se faz passar por Ned, comparece à escola e, graças à situação de emergência, assume a turma – sem ter o que dizer a crianças de 10 anos. A farsa adquire novos contornos quando, ao descobrir que os alunos (cuja anuidade é de US$ 15 mil, elevada até para os padrões dos EUA) têm aulas de música clássica, Dewey os induz, como se fosse uma atividade prevista, a formar uma banda de
rock

para participar de um concurso. Assim, tem início uma aventura que inclui lições além-partitura – sobre sociabilidade de crianças e jovens, organização e motivação de equipes. E, principalmente, sobre o esforço necessário para se aprender qualquer coisa, inclusive
rock

.




*Jornalista, professor e crítico da revista Set e da Folha de S.Paulo




srizzojr@uol.com.br



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