Letras digitais

Momento de transição exige atenção na compra de programas em novos formatos

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Quando a internet começou a se popularizar, nos anos 90, o desafio para quem desejava utilizá-la consistia em aprender a executar operações básicas do universo virtual: abrir conta de e-mail, navegar pela "world wide web" (o espaço gráfico da rede, identificado nos endereços pelo prenome "www") e participar de bate-papos e fóruns de discussão. Nos anos 2000, as redes sociais trouxeram nova dinâmica à vida digital e, com ela, a necessidade de compreender e dominar outras ferramentas e usos.

"A primeira fala que escutei sobre a informática educativa era de que não podia ter ou usar Orkut", lembra a professora Daniela Freitas. A orientação era "mostrar para o aluno como utilizar o computador e não só ficar na internet". "Como naquela época já era difícil imaginar ‘computador sem usar a internet’,  comecei a pensar que na verdade eu tinha de encontrar uma forma de dar nova cara a ações que eles já faziam, ou não (pois é um mito que todo aluno sabe usar as redes sociais)."

Essa "nova cara", segundo Daniela, precisava ensinar e construir conhecimento. "Passei de usuária de redes sociais (e não só de redes sociais) a pesquisadora de como funcionam essas redes, o que as pessoas estão fazendo e publicando, o que tem de novidade na internet", afirma. "Enfim, hoje vejo que a internet não é a rede mundial de computadores, e sim de pessoas." A consolidação dessa "era" já encontra, entre professores e alunos, um grau muito grande de familiaridade com o funcionamento dessa "rede de pessoas".

A próxima mudança de parâmetros gerada pela tecnologia a atingir diretamente a educação parece ser a do livro digital. Dois aspectos envolvem a sua eventual popularização nos próximos anos: a mudança de hábitos de leitura, com a troca gradual do suporte em papel pelas telas de aparelhos eletrônicos, os "e-readers"; e os investimentos – de fabricantes de equipamentos, de editores e, em um país como o Brasil, do Estado – para garantir o acesso de professores e alunos a essa nova plataforma.

Assim como as redes sociais não nasceram com a internet, mas ganharam novas características com ela, os livros eletrônicos ("e-books") circulam em telas de computadores desde que foram digitalizados os primeiros volumes publicados originalmente em papel – por seus próprios autores, por leitores interessados em divulgar o original ou por bibliotecas e centros de pesquisa dedicados a formar acervos
virtuais – e, também, desde que obras já editadas em forma eletrônica começaram a circular na internet.

Os sites de livrarias como a Saraiva e a Cultura já comercializam livros eletrônicos. Na primeira, é possível comprar A cidade ilhada, de Milton Hatoum, por R$ 24,50 (redução de 25% em relação aos R$ 33 da versão em papel). A segunda vende Seara vermelha, de Jorge Amado, por R$ 33 (32% a menos do que os R$ 49 da versão em papel). Ambas as livrarias informam quais são os modelos de "e-readers" compatíveis com os arquivos dos "e-books" que comercializam. Nesse estágio inicial do mercado, a situação equivale a comprar um CD que não toca em determinados aparelhos.        
(SR)

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