Lelo Coimbra

vice-governador e secretário de Educação do Espírito Santo

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?




A educação básica no Brasil, um país de dimensão continental, tem avançado realmente em alguns locais, refletindo os avanços da própria sociedade. As regiões mais ricas têm projetado situações educacionais melhores com maior democratização, maior permanência da criança na escola etc.




Veja a situação do Espírito Santo no ensino fundamental. Nós conseguimos atingir um alto índice de atendimento, com 97% das crianças em idade escolar matriculadas. Vencido o desafio de colocar o estudante na sala de aula, nosso novo desafio agora é a manutenção dessa criança na escola, garantindo seu acesso a um ensino de qualidade, por meio do qual ela consiga dominar as competências e habilidades próprias desse nível de ensino. Ou seja, nós colocamos as crianças na escola, mas agora temos que dar qualidade de aprendizagem. Para isso temos que fazer com que essa criança permaneça efetivamente da 1ª à 8ª série, porque nesse percurso e fluxo ainda há muita desistência e reprovação. São os problemas que existem e que o sistema tem que vencer.



Uma condição importante que precisa ser alcançada é a descentralização dos recursos. Hoje os recursos são enviados já com um encaminhamento específico dado pelo ministério. Muitas vezes esse encaminhamento acerta o alvo, mas em outras não. Acredito que os Estados têm plenas condições de aplicar os recursos em suas prioridades, sem a necessidade de interferência do governo federal.



 





Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?





Não sei se dá para simplificar a questão da educação a ponto de reduzir todos os desafios que nos são impostos a um só. Mas podemos falar sobre algumas prioridades. Nas análises que fazemos aqui no Espírito Santo vemos, por exemplo, a questão da dificuldade de aprendizagem aparecendo com grande peso. Infelizmente, nossas avaliações mostram que uma parte dos nossos alunos não está conseguindo atingir o perfil que nós desejamos, em termos de aprendizado, para que possa exercer com plenitude a sua cidadania. Esse é um desafio permanente. Um outro desafio também tem relação com a qualidade de aprendizagem, mas no ensino médio tradicional e na implantação do ensino profissional, quer seja integrado ou subseqüente. São caminhos novos que estamos trilhando e que envolvem, além dos professores, profissionais de outras áreas.




No Espírito Santo, estamos, ainda, investindo numa política de municipalização do ensino fundamental na perspectiva de crescermos justamente na direção da oferta de mais e melhor ensino médio e profissional. Estamos informatizando as nossas escolas, a própria Secretaria de Educação e suas superintendências. Estamos rompendo o isolamento da educação com o mundo digital com um projeto que está permitindo dar a mais de 300 mil alunos e professores acesso ao mundo digital.



 





Se você pudesse formular políticas federais, qual seria o primeiro ponto em que investiria?





Eu investiria numa política que permitisse a efetiva descentralização dos recursos e das ações a partir deles. Se cada Estado pudesse construir essa política a partir de suas próprias necessidades e tivesse os recursos necessários para isso, acredito que poderíamos avançar na solução dos problemas da educação com maior celeridade. Como exemplo concreto posso citar a nossa ação de municipalizar a educação fundamental no Espírito Santo. Nós repassamos aos municípios, de forma participativa, tanto as escolas quanto os recursos necessários à sua administração. E ainda mantivemos os professores efetivos em nossa folha, permitindo que, a partir de agora, os municípios possam ter condições reais de avançar, assumindo de forma responsável o ensino fundamental. E por que isso? Porque entendemos que é muito mais fácil para os municípios cuidar do ensino fundamental do que para nós, até pela proximidade física. Temos 1.246 escolas e quase 500 mil alunos em 78 municípios, a maior parte dessa estrutura servindo de forma exclusiva ao ensino fundamental.




Mas isso não significa que o governo do Estado vai se distanciar do ensino fundamental, mas, sim, que o nosso papel em relação a ele será alterado. Passaremos de mantenedores exclusivos a parceiros na busca de um ensino de qualidade, colaborando estreitamente com as prefeituras.



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