Leila Leite Hernandez

professora da Universidade de São Paulo

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?





É importante destacar dois pontos básicos para a elaboração de um diagnóstico. O primeiro é reconhecer os avanços e as adequações pedagógicas realizadas para a erradicação do analfabetismo. Também merecem registro as análises dos índices de aprovação, retenção e evasão, produzidos pelo Inep. Já o segundo aponta para carências  que incluem desde suportes materiais de toda a ordem até ruptura com a cultura de formulação de projetos fragmentários. Dito de outra forma, qualidade da educação  (sem confundi-la com qualidade social), oferecendo aos alunos possibilidades de construir conhecimento. Vale ainda destacar que é evidente a necessidade de que o processo curricular e a gestão impliquem um conjunto de ações compartilhadas  entre  escolas e secretarias de Educação, envolvendo conteúdos de formação e informação, além da investigação em torno das carências e possibilidades dos alunos. Em outros termos, já é tempo de as escolas e os órgãos dirigentes da educação trabalharem com objetivos comuns  que não contemplem apenas o acesso  à qualidade, limitando-se à formação continuada de professores, visando uma simples reforma curricular,  mas verdadeiramente comprometidos  com a elaboração curricular sistemática . 




 





Da forma como o ensino superior está sendo administrado atualmente, como você avalia a formação dos professores do ensino básico? Eles estão preparados para a sala de aula?





O ensino superior precisa ser pensado de acordo com as peculiaridades que apresenta. Há faculdades privadas oferecendo grande número de cursos seqüenciais e há faculdades públicas que, no geral, lutam por uma formação que leve em conta uma preparação adequada tanto para a docência como para a pesquisa. O traço comum entre elas, de forma geral, recai na falta de apoio logístico (espaços inadequados, falta de equipamentos, bibliotecas que incluam livros de referência e revistas especializadas),  fomento à pesquisa e intercâmbios com universidades européias, americanas, africanas e asiáticas.




Outro aspecto fundamental é implementar um sistema de avaliação processual, sobretudo para as faculdades particulares e públicas, permitindo o aperfeiçoamento das instituições  segundo definições de diretrizes de desenvolvimento institucional e de seus projetos pedagógicos. Significa fomentar uma cultura de avaliação baseada na auto-avaliação e na avaliação externa, como instrumento de busca da qualidade, Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior), isto é, construir  uma política pública como resultado do diálogo entre a  sociedade, os centros universitários e as faculdades isoladas.



 





Existe hoje algum modelo no Brasil em ensino fundamental e médio?





Há uma prática que busca conferir efetividade ao modelo formulado há pouco mais de uma década, sobretudo buscando expandir o ensino fundamental e médio por todo o país. Ainda assim, é notória a fragilidade desse  modelo, que carece de uma política elaborada para promover o debate curricular e as discussões sobre o processo pedagógico e, em particular, da política educacional própria de cada município.



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