Legado freireano

Obra reúne análises sobre o pensamento e a pedagogia de Paulo Freire e textos assinados pelo próprio educador

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Por volta da década de 1970, a pedagogia de Paulo Freire já tinha circulado pelo mundo e o próprio Freire, por ocasião do exílio, já carregava na sua bagagem experiências educativas acumuladas no Chile, nos Estados Unidos, na Europa, na África, entre outros locais. Foi nessa época que Carlos Alberto Torres, um dos fundadores do Instituto Paulo Freire, produziu os livros Consciência e história: a práxis educativa de Paulo Freire – antologia, Diálogo com Paulo Freire e Leitura crítica de Paulo Freire, agora reeditados e reunidos pelas Edições Loyola em um só volume: Diálogo e práxis educativa – Uma leitura crítica de Paulo Freire.

Os textos reunidos podem ser classificados em três tipos: produções de pesquisadores-educadores que estudaram profundamente a obra de Paulo Freire com o objetivo de analisar o seu pensamento filosófico, antropológico, político, sociológico e pedagógico – seja para reafirmá-lo, seja para criticá-lo; textos de educadores-pesquisadores que encontraram em Freire uma referência fundamental para o trabalho com a educação popular compromissada com a transformação social; e escritos e entrevistas do próprio Freire, nos quais ele faz uma revisão e um balanço crítico da repercussão de suas obras e das suas práticas desde suas primeiras experiências inovadoras com alfabetização de adultos – no início dos anos 1960, no Nordeste brasileiro – até meados dos anos 1970.

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A relevância desta obra para os estudiosos da pedagogia de Paulo Freire é indiscutível. Ela traz a público as principais críticas que Freire sofreu, bem como o modo pelo qual ele as assimilou, às vezes acatando-as, às vezes contestando-as, porém sempre as escutando. Para os educadores em geral e os professores em particular, este livro reafirma a ideia de que não é possível reduzir a pedagogia freireana a fórmulas prontas e simplistas para serem aplicadas de um dia para o outro. Ser educador freireano é assumir-se como sujeito do conhecimento, da gestão da educação, do currículo, da história e reconhecer que os outros (inclusive os educandos) também são sujeitos. O livro mostra como isto é possível e necessário caso a nossa opção seja humanizadora.

Enfim, trata-se de uma obra que nos possibilita um contato consistente com o legado freireano. Todos aqueles que acreditam na força desse legado e que se comprometem com a sua reinvenção – nos diferentes contextos e modalidades da educação –aproveitarão muito sua leitura.

*Valter Martins Giovedi é doutor em Educação e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

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