José Luiz Aippe

Uma nova Eja para São Paulo

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EMEF Theodomiro Monteiro do Amaral, escola da rede municipal de ensino de São Paulo, reformulou a estrutura do curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA), adequando-se à realidade do aluno e abrangendo a leitura nas suas múltiplas linguagens.





No formato tradicional, o curso de educação de jovens e adultos é ministrado como um curso regular reduzido, suprimindo e adequando os conteúdos existentes ao período letivo.





Os objetivos não estavam sendo atingidos. Os alunos recebiam o certificado sem ter adquirido o conhecimento necessário.



 


Os conhecimentos prévios do alunado não eram observados. As dificuldades apresentadas, muitas vezes, não eram sanadas. Era necessário mudar.
 

Precisávamos tornar o aluno o seu próprio sujeito, independente, capaz de saber como e onde buscar as informações que necessita.




Somente com um curso mais direcionado para os jovens e adultos, o aluno encontraria condições de despertar o seu interesse e melhorar a sua qualidade de vida. Quem é capaz de ler, escrever e interpretar de forma satisfatória as diferentes situações existentes, certamente terá maiores facilidades e sucessos. Priorizamos a leitura e a escrita. Era o nosso ponto de partida.

O curso foi dividido em sete fases de aprendizagens, sendo as duas primeiras de alfabetização e as demais de aperfeiçoamento em decorrência das dificuldades apresentadas. Inicialmente, todos os alunos foram submetidos a uma avaliação diagnóstica, onde foram observadas as suas dificuldades de leitura, escrita e interpretação. Era o diagnóstico inicial para determinar a fase no qual o aluno seria inserido.


Notamos que muitos alunos estavam matriculados em uma determinada série, sem o conhecimento necessário para acompanhar aquela turma; outros poderiam estar em séries mais avançadas.

A divisão em fases proporcionou superar essa discrepância de aprendizado. De acordo com o nível de dificuldades apresentadas, numa determinada sala, estão agrupados alunos de quinta, sexta, sétima e até oitava séries.
Os novos alunos também passam por essa avaliação e são inseridos na fase onde terão condições de suprir as suas necessidades de aprendizado.

Numa série tradicional, os alunos apresentam diversos níveis de dificuldades. Alguns sabem ler, escrever, interpretar. Outros não. Com essa diversidade é comum o desinteresse e atos de indisciplina, pois a aula, por mais diversificada que seja, não consegue atingir a todos. Nesse formato experimental, algumas das dificuldades deixaram de existir e os alunos encontram-se mais participativos, envolvidos e encorajados a perguntar, questionar, interagir.




À medida que o aluno supera as suas dificuldades cognitivas e atinge os objetivos de cada fase, é remanejado de turma, sem ter que esperar o final do semestre. Há flexibilização entre as fases sem seguir uma seqüência cronológica como as séries. Quanto maior for o interesse e os resultados apresentados pelo aluno, menor será o seu tempo de permanência na escola. Esse fato, também é um motivador para o aluno se interesse ainda mais pelo aprendizado.







A estratégia de ensino se dá através de atividades diferenciadas e contextualizadas, priorizando sempre a leitura, escrita e interpretação. Em algumas situações o professor é mais um orientador da pesquisa e da produção do conhecimento por parte do aluno, cujos resultados são sociabilizados aos demais, utilizando multimídia e outros recursos disponíveis.


Houve avanço também em relação aos registros. Para cada turma existe um único diário, onde são anotados os comparecimentos dos alunos, os relatórios sobre as atividades individuais e coletivas, conteúdos e outros.

A avaliação ocorre durante todo o processo de ensino-aprendizagem e é realizada com a função de reorientação e readequação nas fases. As atividades entregues pelos alunos no decorrer do curso são arquivadas num portifólio, individualmente, e servem de referencial para auxiliar o processo avaliativo. Os alunos fazem parte desse processo e se auto-avaliam. }





Trata-se de um projeto experimental, iniciado em maio de 2004, constantemente avaliado pelos envolvidos e apresentando resultados bastante satisfatórios.


 






José Luiz Aippe é professor da Rede Municipal de Ensino de São Paulo



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