João Barroso acusa a escola de nivelar os estudantes

Educador português propõe mudanças no modo de ensino

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Carmen Guerreiro


 



“O professor trabalha para o aluno médio, e os que estão atrasados ou adiantados não são atendidos pela aula.” A homogeneização do nível de ensino das escolas foi a principal crítica do educador português João Barroso em sua palestra no congresso internacional Educador, realizada no dia 18 de maio, em São Paulo (SP). Para o professor, a escola se organiza com base na aula, que é hoje dada para um tipo de aluno que não existe, “uma espécie de abstração”.




 




A mudança obrigatória do modo de ensino foi sintetizada no tema da apresentação:
De ensinar a muitos como se fossem um só a ensinar a todos como se fossem cada um

. Doutor em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, onde também leciona, Barroso acredita que a educação deve ser adaptada às necessidades de cada um, e explica que a “escola massificou-se sem se democratizar”. A idéia de nivelar os alunos, de acordo com o educador, gera a “exclusão inclusiva”, porque, apesar de a intenção ser a de incluir todos no modelo educacional, muitos são excluídos ao não se encaixarem no padrão.




 




Barroso culpa também a escola pela indisciplina, resultado da pedagogia rígida e inflexível; pelo mal-estar e perda de sentido de estudantes que não conseguem acompanhar as aulas e se sentem desmotivados, e pelo insucesso do aluno, pois, segundo o professor, isso equivale ao insucesso da escola. Além disso, a estrutura da instituição de ensino, ou “gramática da escola”, definida por ele como o “conjunto de características estruturais que condiciona o pensamento pedagógico”, reflete e coopera com a tentativa de homogeneizar os alunos. O motivo disso seria a burocracia e a divisão da educação.




 




Agrupar estudantes em salas e séries, compartimentar e limitar o espaço e o horário escolar e organizar saberes fazem parte da gramática proposta por Barroso — e, segundo ele, são inerentes à burocracia administrativa do estabelecimento de ensino. “A burocracia não é diferente da pedagogia. Ela cresceu no liceu porque a organização pedagógica da escola induziu uma forma de administração burocrática”, avalia.




 




Sobre o problema exposto, o educador português propôs solução dividida em quatro grandes mudanças. A primeira seria política, de substituir a lógica do Estado, da dependência e da escola como objeto técnico pela lógica sociocomunitária e da autonomia, que encara a escola como um lugar político. A segunda mudança seria cultural, trocando subordinação, isolamento e homogeneidade por implicação, parceria e diversidade. A terceira mudança trocaria a pedagogia do “pronto para vestir”, dos programas e do ensinar pela do “corte e costura”, flexibilidade dos currículos e da escola do aprender. A última transformação necessária seria de gestão: no lugar de estrutura, normas e rotina, viriam a cultura, os objetivos e a mudança.




 




A procura de um novo sentido para a escola sintetiza, para Barroso, as mudanças necessárias no sistema de ensino. De acordo com ele, “depois do século XX ter sido o da escola, o século XXI pode ser o do seu filho”.



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