Infância em destaque

Exposição no MASP reúne representações da infância, considerando diferentes períodos históricos, contextos sociais e técnicas artísticas

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© Gustavo Morita
Retrato da Marquesa Lomellini, com os Filhos em Oração (1623), de Anthony van Dyck

“Anjinhos” ou “pestinhas”; sérias ou brincalhonas; abastadas ou oriundas de uma realidade extremamente humilde. As possibilidades e formas de ser criança são múltiplas e, consequentemente, as maneiras de retratá-las ao longo da história e a depender do contexto em que vivem também. Esses são aspectos perceptíveis nas 200 obras que compõem a mostra Histórias da infância no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

A exposição não só traz produções que têm as crianças como elemento principal, mas também é especialmente direcionada a elas. Para democratizar o acesso das crianças, quadros clássicos, fotografias contemporâneas, pinturas sacras etc. são apresentadas a 1,20 m do chão, ao invés de seguirem a altura padrão de 1,50 m acima do piso.

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A diretriz se estende também à disposição dos quadros e esculturas. São expostas lado a lado obras elaboradas a partir de diferentes técnicas, produções de autores desconhecidos e quadros de artistas consagrados da arte clássica, moderna e contemporânea e desenhos de crianças que participaram de oficinas de criação no MASP nos anos 1970, 2000 e 2016. “A relação entre o MASP, as crianças e suas formas de expressão é pioneira no Brasil. Remonta aos anos iniciais do museu, fundado em 2 de outubro de 1947”, explica o curador Fernando Oliva.

Chamam a atenção os contrastes entre os jovens retratados. No primeiro dos dois andares da exposição, o quadro Rosa e azul (1881), do impressionista PierreAuguste Renoir, é exposto ao lado de uma foto da série Brasília Teimosa (2005), de Bárbara Wagner. Em outra ala, o quadro O escolar (1888), de Vincent Van Gogh, está ao lado da foto Escola Kayapó (1991), de Milton Guran.

As contraposições entre os conteúdos das obras giram em torno de temas como família, morte, brincar, educação e classe social. Elas levam o público a refletir sobre a infância em diferentes situações sociais e culturais e sobre como a representação dessa fase da vida esteve em constante transformação ao longo da história da arte. Além da curadoria de Oliveira, a mostra é organizada por Adriano Pedrosa, diretor artístico, e Lilia Schwarcz, antropóloga, professora da USP e curadora-adjunta do MASP.

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