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Família da pré-história ou contemporânea? O animador e produtor norte-americano Walt Disney (1901-1966) foi um dos principais responsáveis pela formatação do conceito de diversão …

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Família da pré-história ou contemporânea?


O animador e produtor norte-americano Walt Disney (1901-1966) foi um dos principais responsáveis pela formatação do conceito de diversão para a família. Inúmeros filmes produzidos pelo império que construiu se dirigem principalmente a crianças, mas trazem elementos que agradam também a adolescentes e adultos. Assim, todos ficam satisfeitos com o passeio. Esse público-alvo corresponde hoje a um dos maiores filões da indústria cinematográfica, inclusive no Brasil, e costuma ter apreço especial por longas-metragens de animação em 3D, como Os Croods (EUA, 2013, 98 min).


Produzido pelo estúdio DreamWorks, que também segue a cartilha criada por Disney, essa bem humorada recriação de uma pré-história fantasiosa – em que elementos de diversas épocas convivem de maneira anacrônica, ao lado de outros que foram inventados para o filme – conversa diretamente com as atuais famílias de classe média. A história poderia muito bem se passar em um dos condomínios fechados que se tornaram comuns em diversos países nas últimas décadas. São lugares em que os moradores estão “protegidos” do mundo que os cerca, em um movimento voluntário de exclusão.
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Grug, o pai brutamontes da trama, mantém a família dentro de uma caverna porque acredita que “o novo é sempre ruim” e que eles nunca devem perder o medo. Sua autoridade sobre o grupo começa a ruir quando a filha adolescente decide contrariá-lo. Ainda bem que ela o faz: graças à sua curiosidade e ao seu destemor, todos vão sobreviver melhor à necessidade que logo se apresenta – correr pelo mundo em busca de um novo lar. Ruim mesmo, descobrirá o zeloso Grug ao final, é renunciar às descobertas que a vida proporciona o tempo todo – o que, em última instância, significa renunciar a viver.


Ciência sem segredos


A TV Cultura de São Paulo exibirá nas férias escolares 15 episódios inéditos de um interprograma – programa curto, de três minutos e meio, que vai ao ar nos intervalos da programação – com o objetivo de apresentar temas de ciência ao público infantil: Traquitana, protagonizado por um professor (Rafael Senatore) e seu assistente, um vira-lata (Yuri de Franco). Esses personagens, que interagem em um laboratório, possibilitam sair do “lugar-comum” de programas de atividades para crianças, de acordo com o seu diretor, Pichi Martirani.


Como avalia a primeira temporada de Traquitana?
Uma medição do Ibope deu um resultado positivo de audiência, colocando o Traquitana, um interprograma, ao lado dos principais programas infantis, com mais tradição e mais tempo total na programação da TV Cultura. O Ibope é um dado, mas não exatamente o foco de um programa audiovisual para mim. Como diz uma frase de uma letra do Gilberto Gil, “o povo sabe o quer, mas também quer aquilo que não sabe”… Esse é o ponto e aí o Ibope é um dado relevante. Só metade da primeira temporada foi exibida. A outra metade, mais 15 interprogramas, será exibida nas férias. O apoiador, a BIC, já autorizou produzirmos a segunda temporada [com mais 30 episódios]. A TV Cultura gosta da série, mas ainda atua de forma tímida. Não criou uma estratégia para internet. O Traquitana bem divulgado na internet será muito visto. O tempo de 3 minutos, para web, é bom. Houve algumas críticas em relação à exposição de produtos da BIC no cenário. Entendo, mas vivo na realidade. Sem a BIC a série não existiria. Além disso, a empresa jamais interferiu em qualquer decisão de conteúdo das traquitanas. A Myrian Dimenstein [que trabalha como consultora pedagógica] e eu nunca sofremos qualquer exigência direta. Fernando Salem pôde desenvolver os roteiros com liberdade a partir de uma pesquisa livre que a Myrian e eu fizemos.


Qual o diferencial do interprograma?
O que mais me agrada é a criação das personagens. Saímos do lugar-comum, de apresentadores com boa informação, e sinalizamos a possibilidade de uma criação dramatúrgica em programas de atividades. Os personagens dialogam, têm uma história. Considero um ponto forte. No canal da Fundação Padre Anchieta no YouTube, alcançamos em média, por interprograma, seis mil views em seis meses. Acho pouco para o meio, que a cada dia mais me entusiasma. Vejo o futuro com cada vez mais liberdade para o criador, o produtor e o telespectador.


E a produção infantil na TV brasileira hoje?
Tímida, com pouco apoio para criadores, roteiristas e consultores. Falta também a compreensão de que os processos são mais horizontais. Criadores e consultores devem ser apoiados pelos produtores de fato. A lógica de que a produção deve ser determinante para criação não é saudável e complica o processo. Os argentinos perceberam e, como diz a lúcida Beth Carmona [produtora especializada no público infantojuvenil], estão avançando mais com um canal público dedicado às crianças. Quando falo disso os oásis audiovisuais, como Discovery Kids e TV Cultura, estão fora, mas titubeando em questões de financiamento, produção e apoio. Os outros canais abertos considero que não veem a criança. Falam dela, mas não dialogam com inteligência. O único objetivo é audiência. Mas, antes, é preciso trabalhar e investir na qualidade da informação e no formato do diálogo para promover o desenvolvimento da criança. Não considero boa a audiência sem um trabalho de convergência, com consultores, especialistas e criadores comprometidos em entreter com inteligência e promoção do conhecimento.








Teco teco


Os programas sobre ciência para crianças ganharam um reforço com o lançamento, pela TV Brasil, de O teco teco. A primeira temporada reúne 23 episódios de 13 minutos, que podem ser vistos também pela internet. A exemplo do que ocorre em Traquitana, dois personagens – Cascudo (Bertrand Duarte) e o menino Betinho, criado por animação – falam de maneira divertida e descontraída sobre os temas mais variados, que são ilustrados ainda por entrevistas com crianças.

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