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Imagens pessoais viraram filme nas mãos dos irmãos ScottO mundo em um filmeNo futuro, quem estiver interessado em conhecer um pouco da vida cotidiana …

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Divulgação
Imagens pessoais viraram filme nas mãos dos irmãos Scott

O mundo em um filme
No futuro, quem estiver interessado em conhecer um pouco da vida cotidiana no planeta neste início de milênio poderá recorrer, entre outros materiais de pesquisa, a um ambicioso longa-metragem feito por milhares de mãos, de diversas idades, nacionalidades, etnias e hábitos: A vida em um dia (Inglaterra/EUA, 2011, 90 min). Recém-lançado em DVD no Brasil, ele está disponível gratuitamente, desde janeiro de 2011, no YouTube,
que foi parceiro desse ambicioso projeto (procure pelo título original, Life in a day).


Produzido pelos irmãos Ridley e Tony Scott (morto em agosto último), A vida em um dia nasceu de um convite feito a cidadãos de todo o mundo para que enviassem ao YouTube quaisquer imagens de seu cotidiano captadas em 24 de julho de 2010. De acordo com os produtores, o apelo foi atendido por pessoas de 192 países, que enviaram 85 mil vídeos. As 4.500 horas de imagens brutas foram trabalhadas por uma equipe de montagem sob ­responsabilidade do diretor Kevin Macdonald, dando origem a um enorme – e muitas vezes emocionante – mosaico de culturas.


Há um pouco de tudo na condensação desses vídeos, desde momentos de ternura familiar até uma brutal cena de matadouro (cuidado com esse trecho, se for especialmente sensível a atos de violência contra animais). Alguns participantes tiveram o espírito de documentaristas, preocupados em registrar didaticamente a realidade próxima, mas outros agiram de maneira despreocupada, como se estivessem postando vídeos domésticos em redes sociais. A vida em um dia demonstra como a era das imagens em que vivemos transformou a todos, com suas câmeras digitais e telefones celulares, em cineastas.








O prazer do difícil


Em setembro de 2003, com a exibição do drama argentino O filho da noiva, tinha início, em um curso preparatório para o vestibular em São Paulo, o projeto Cineanglo. Os alunos assistem ao filme em uma sala de cinema e, depois, há uma palestra com um ou mais professores. “Seguimos o percurso clássico das atividades de escolas no cinema”, explica o coordenador, Renan Garcia Miranda (foto).






Gustavo Morita
Quais os critérios para a escolha dos filmes?
Procuro ouvir os alunos, prosear com os professores, acompanhar o que a imprensa anda falando sobre o que está em cartaz. Priorizo, sem dogmatismos, o cinema nacional.


Nas 30 edições, quais foram os melhores exemplos de filmes que possibilitaram discussões ricas e envolveram os alunos?
Gosto muito das discussões em torno dos documentários nacionais. Janela da alma, exibido em 2004, possibilitou uma bela discussão interdisciplinar sobre os “olhares” da ciência. Pro dia nascer feliz, exibido em 2006, alimentou uma discussão sobre as diferenças educacionais. Entre os filmes de ficção, Adeus, Lênin!, exibido em 2004, foi muito interessante. Os professores de história e literatura atraíram os alunos com uma bela prosa sobre as “janelas” que elegemos para olhar a história.


Qual o retorno de professores e de alunos?
Sair do espaço da sala de aula e transformar o cinema em um espaço de reflexão é construir “o prazer do difícil”. Aos professores, fora da zona de conforto da sala de aula, interessa transformar seu repertório em algo que ofereça elementos para pensar as diversas camadas de interpretação do filme. Para os alunos, o espaço do cinema ganha novas dimensões. A atividade vitaliza o velho prazer de sair “andando pelas ruas” e pensando no filme.


Qual será o 31º filme?
Em outubro faremos a pré-estreia do documentário Virando bicho, que trata do ano de cursinho. Participei do filme escrevendo o argumento e colaborando com o roteiro. Conheci a Silvia Fraiha (codiretora e produtora do documentário) quando ela lançou o filme Verônica. Sugeri a ideia e ela gostou. Não pretendo ir além disso. Gosto de ser espectador e curador. Como professor de história sempre gosto de falar do cinema em aula.


Agora em DVD

ANÔNIMO
Especulação sobre a autoria das peças de William Shakespeare: seria Edward De Vere o verdadeiro responsável por elas? (Ingl./Alem., 2011,
130 min)


O HOMEM QUE QUERIA SER REI
Visão ácida do colonialismo britânico em drama sobre dois aventureiros que fazem negócios na Índia no final do século 19.
(EUA/Ingl, 1975, 129 min)


A SEPARAÇÃO
Casal iraniano de classe média decide se separar e desencadeia série de eventos reveladores da cultura do país. Oscar de filme estrangeiro.
(Irã, 2011, 123 min)


ESPELHO, ESPELHO MEU
Julia Roberts faz a madrasta de Branca de Neve em releitura irônica do conto clássico dos irmãos Grimm. (EUA, 2012, 110 min)


GESTAPO
Cientista e sua filha são capturados pela polícia secreta nazista após a ocupação alemã de Praga (Tchecoslováquia), em 1939. (Ingl., 1940, 90 min)

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