<i>História da Escola em São Paulo e no Brasil</i>

Confira o primeiro capítulo deste livro, escrito pela historiadora Maria Luiza Marcílio

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Fatal punição! Os países onde o trabalho é forçado





são aqueles justamente onde o próprio






homem livre é o mais ignorante.






A indiferença pela instrução é um dos sinais da escravidão.






A oligarquia dos proprietários, ou seus representantes






nas assembléias e no poder, não tomam interesse algum,






em países tais, pelo ensino popular.







Tavares Bastos, A província, 1870
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O ensino dos jesuítas na cidade





1554-1759

No ano da expulsão dos jesuítas do Brasil (1759), os alunos dos colégios, seminários e missões da Companhia de Jesus estavam muito longe de atingir 0,1% da população brasileira.
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O único ensino formal existente no Brasil até meados do século XVIII era o oferecido pelos padres da Companhia de Jesus, e ele foi altamente elitista, só atendendo a uma ínfima camada de jovens brancos, proprietários, de famílias da elite colonial, além de introduzir nas primeiras letras e no catecismo elementar as crianças índias das aldeias jesuítas. Plasmaram gerações, que foram se estendendo aos mestiços. Brancos e mestiços letrados iriam formar a incipiente e restrita superestrutura da sociedade brasileira.

Nesse ponto os jesuítas foram homens de seu tempo. Nos séculos XVI e XVII, as preocupações com a educação popular não existiam. Ler e escrever não era condição generalizada de vida social. Cipolla, em seu pequeno e admirável livro, pensando na população mundial da era pré-industrial, afirma: “Durante milênios, a arte de escrever e de ler foi monopólio exclusivo de pequenas elites. Até 1750, nos começos da Revolução Industrial, haviam transcorridos já mais de 6 mil anos desde a primeira e rudimentar aparição da arte de escrever. No entanto, mais de 90% da população mundial seguia submersa na ignorância da escrita”.
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O ensino secundário era quase exclusivamente um ensino aristocrático. Diz a esse respeito o educador Geraldo Bastos Silva: “De fato, o ensino secundário era um ensino de classe, um ensino devotado a valores e ideais aristocráticos ou aristocratizantes, um ensino acentuadamente de inutilidades ornamentais”.
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Por sua vez, Luis Antônio Rodrigues da Cunha define, na sociedade capitalista, o primeiro tipo de escola: “No início das sociedades capitalistas até o seu amadurecimento, no século XIX, os sistemas escolares excluíam praticamente todos os trabalhadores. As escolas eram freqüentadas pelas classes dominantes e pelas camadas médias e somente as poucas escolas mantidas por entidades confessionais, a título de caridade, aceitavam filhos de trabalhadores, preferencialmente os órfãos e os abandonados. Algumas escolas ilustravam as elites políticas, culturais, eclesiásticas etc. e outras amparavam os ‘desvalidos’ “.



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O século XVI foi também o século da explosão do livro, depois da grande revolução promovida por Gutenberg. “Em Paris, em 1470, saía o primeiro livro impresso pelos tipógrafos alemães de uma gráfica instalada no Colégio da Sorbonne. Uma loja de Lyon instalava sua primeira gráfica em 1473. Antes de 1480, quando a imprensa já estava largamente implantada nos países renanos e na Itália do Norte, na França havia apenas nove cidades com tipografias. Mas elas já eram mais de 40 no ano de 1500. Por volta de 1520, o livro já se tornara verdadeiramente um objeto de uso cotidiano”.
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Os homens da Renascença não pensavam em termos de estabelecer um sistema educacional no sentido moderno, nem acreditavam na educação universal. “Uma revolução educacional ocorreu na Itália renascentista quando começou a escolarização pré-universitária baseada no latim e, em maior escala, no grego clássico. Os humanistas italianos e os humanistas do Norte que os seguiram estabeleceram o
studia humanitates

para treinar estudantes na eloqüência e na sabedoria. O ensino do latim tornou-se a norma para os filhos e as raras filhas da elite e da classe média que queriam subir na vida, na Itália do século XV e no resto da Europa do século XVI. Os educadores humanistas tiveram tanto sucesso que os currículos humanistas de latim se mantiveram até bem entrado o século XX”.



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O Brasil nasceu na época do reflorescimento do humanismo do Renascimento europeu, e esse movimento nasceu aristocrático. A instrução na Europa não era difundida para as camadas mais baixas. Estava centrada na leitura dos clássicos latinos e gregos. Foram os movimentos populares heréticos e reformistas que promoveram a difusão da instrução, a fim de que cada um pudesse ler e interpretar pessoalmente a Bíblia, sem a mediação do clero: “Esta seria uma característica comum aos povos que se rebelaram contra a Igreja de Roma. Justamente deles surgirá, e não dos países católicos, não obstante o forte empenho das novas ordens religiosas, as iniciativas mais avançadas de novos modelos de instrução popular e moderna”.



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A Reforma protestante substituiu a transmissão oral pela tradição de obrigação do recurso à Bíblia. “Lutero tornou necessário o que Gutenberg tornou possível, colocando a Bíblia no centro da escatologia cristã e nas mãos de todos. Assim, a Reforma fez de uma invenção técnica uma obrigação espiritual. O mundo moderno que nasceu desse encontro pertence desde então inteiramente ao escrito”.
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A alfabetização tornou-se, assim, entre os protestantes, a condição de uma fé pessoal e sólida. Escola e catecismo andaram juntas, na Europa protestante.

Lutero e Melanchton contribuíram largamente para divulgar na Alemanha o gosto pela instrução. Lutero promoveu o início da educação pública, e Melanchton foi o grande criador da educação humanista pública que, da Alemanha, se difundiu para toda a Europa. Lutero apelava, em 1524, aos magistrados de todas as cidades alemãs para que abrissem e mantivessem escolas cristãs. Melanchton, pouco tempo depois, retomaria o tema. “Na cidade bem constituída, há antes de tudo necessidade de escolas onde as crianças serão instruídas”.


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A Igreja Católica, num primeiro momento (a partir dos anos de 1500), reagiu de forma negativa no tocante à instrução de camadas sociais mais amplas: censurou os livros, interditou edições, a venda e a leitura de traduções francesas da Bíblia, desconfiava e vigiava os regentes e os mestres de escola. Mas logo procurou adaptar-se às novas condições socioculturais, passando a combater a Reforma com as armas da própria Reforma, em seu Concílio de Trento.

O Concílio de Trento (1545-1564) e o movimento da Contra-Reforma caracterizaram-se pela defesa intransigente da prerrogativa da Igreja Católica sobre a instrução, sobre os livros e sobre a escola. Foi implantada rígida censura aos livros através do
Index Librorum Proibitorum

, tendo a hierarquia romana se derrogado o poder de estabelecer a lista dos livros que não podiam ser lidos por seus fiéis. Além disso, em resposta às reformas protestantes, houve uma reorganização das escolas católicas. Surgiram os seminários para educar e instruir o clero, nasceram as escolas paroquiais e as escolas de conventos e mosteiros.

A criação de seminários foi um elemento decisivo dessa obra reformadora. Eles se multiplicaram rapidamente. Mas, sem dúvida, o exemplo mais bem-sucedido de novas escolas para leigos recomendadas por Trento foi a dos jesuítas. “Além de formação dos próprios quadros, eles se dedicaram principalmente à formação das classes dirigentes da sociedade”.


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Na Europa do Renascimento do século XV, o ensino elementar não se distinguia do catecismo. “Sob os termos de ‘instrução’ das crianças, ou de ‘doutrina’, entendiam-se então, ao mesmo tempo, a instrução religiosa, a instrução moral e a aprendizagem das bases do saber: ler, escrever e contar”.



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Por outro lado, a cultura humanista repousava essencialmente na aprendizagem de línguas antigas: latim, grego. Primeiro porque essas línguas abriam acesso à herança da Antiguidade pagã e cristã; além disso, elas eram consideradas (o latim pelo menos e graças a uma prática assídua) educadoras da linguagem e, portanto, do pensamento. Da gramática à retórica e à lógica elas permitiam chegar à eloqüência, que é a perfeita adequação do discurso à idéia, segundo François Lebrun.
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De fato, na Antiguidade grega (que passa para Roma, e desta se derrama por toda a Europa, dominada pelo Império Romano) o sistema de ensino foi idealizado por Platão com sua Academia, que buscava formar o jovem político perfeito, e por Isócrates, cujo objetivo era formar o futuro professor, homens cultivados e especialistas em discussão e bons oradores. A palavra é que distingue o bruto animal do homem civilizado. A eloqüência, pois, para Isócrates é quem dominaria o mundo político e judiciário e todo o mundo literário. Assim, a retórica, a arte oratória, era o cume da educação grega, só inferior à filosofia; esta fechava o ciclo da educação do jovem. O professor da eloqüência edifica a cidade.
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Essas concepções retomam com o Renascimento e perduram até mesmo no século XX, inclusive na organização do ensino de nações como o Brasil.

As duas Reformas preocuparam-se em formar os seus pastores, e em ambas a inspiração veio dos modelos propostos pelos humanistas. Erasmo resumia toda a pedagogia dos humanistas: “Não se nasce homem, torna-se”. De fato, para o humanismo clássico, a criança não é um ser em si mesmo, é um ser em vir a ser. A natureza humana é boa, ela é mesmo admirável. Para Erasmo, educar o homem exigia uma disciplina do corpo. A Civilitate pueril de Erasmo pertence a um tempo em que se “descobre a higiene e a decência, ao mesmo tempo que vê na maneira exterior de se apresentar da criança o reflexo de sua moral reta e de sua abertura de espírito”.
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Ela vai inspirar gerações de pedagogos – preceptores privados ou regentes de colégios – antes de São João Batista de la Salle assegurar-lhe novos rumos, adaptando-a para as escolas de seu Instituto, em 1703.
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Quanto ao espírito, ele se forma pelas Belas Letras, Belles Lettres. As belas letras englobavam ao mesmo tempo a universalidade do conhecimento (de si próprio, dos outros, do mundo) e a norma soberana dos valores estéticos e éticos.

O humanismo foi essencialmente enciclopédico. Contudo, lenta e gradativamente foi cavado um fosso entre a cultura erudita, fundada em princípios novos, e a cultura popular que se mantinha fiel aos velhos esquemas. “Enquanto nos séculos precedentes a elite cultivada se mantinha muito próxima desta cultura popular (Rabelais é o melhor exemplo), a distância entre as duas culturas não parava de crescer. Assim, além do fundo comum que constitui a religião ensinada e praticada, dois grandes níveis de cultura foram, pouco a pouco, se distinguindo: a cultura das classes dominantes e a das classes populares.


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A cultura das elites era essencialmente o humanismo cristão cujas raízes estavam nas duas Antiguidades, sagrada e profana, humanismo este que se desenvolveu com o Renascimento. A imensa admiração pela sabedoria antiga não impediu os humanistas de serem profundamente religiosos e cristãos.

Nesse contexto foi criada a Companhia de Jesus, por Ignácio de Loyola. Dentre seus objetivos essenciais estava a defesa intransigente da Igreja Católica – e, portanto, a luta contra os “heréticos” protestantes. Para tanto, impôs sólida formação a seus quadros, a quem incumbiu a defesa e a difusão da fé católica – através da consolidação de firme disciplina e estrita e rigorosa formação em teologia e moral católicas. Inscrevia-se ainda em seus objetivos a conversão dos pagãos. “Herdeiros dos humanistas do Renascimento, os jesuítas fizeram-se os arautos do humanismo cristão. Eles cristianizaram a Antiguidade, propondo como guias, ao lado dos santos e dos mártires, os sábios gregos ou latinos, de Platão a Sêneca, e os heróis de Plutarco… Ao mesmo tempo, os jesuítas se esforçaram em conciliar as exigências do Evangelho com a vida no mundo. Eles se apoiaram para tanto numa teologia da graça, desenvolvida pelo espanhol Molina”.


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Para a educação que se propuseram levar avante em todos os continentes, os jesuítas elaboraram (1586-1599) um sistema educacional conhecido por
Ratio Studiorum

(programa de estudos) que regulamentava rigorosamente o sistema escolástico que criaram.
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O princípio e o objetivo primordiais estavam na evangelização dos povos na fé católica, dentro da orientação de Trento, e tudo “Para maior glória de Deus”, o lema da Companhia de Jesus.

No Brasil (como o faziam na Europa), os jesuítas priorizaram o ensino secundário. Parte dos jovens preparados em seus colégios ia completar seus estudos na Universidade de Coimbra (fundada em 1548 e dirigida igualmente pelos jesuítas), ou na Universidade de Montpellier, na França, onde se formava restrita elite intelectual brasileira, em direito, filosofia ou em medicina. Aqui, como vinham fazendo na Europa, os jesuítas fundaram “colégios”, no sentido mais tradicional do termo, isto é, pequenos internatos para a formação dos futuros padres. O modelo de todos esses colégios era o Collegium Romanorum que eles instituíram em Roma em 1551, tornando-se o laboratório dos demais colégios jesuítas e sua escola normal. Seu ensino expandiu-se, centrando-se nas maiores cidades.

O século XVII, de Galileu, Descartes e Newton, foi também o século de mudanças importantes no campo da cultura, quando surgiram as ciências modernas que, contra-riamente ao naturalismo mágico da Idade Média e do Renascimento, se apoiavam na dúvida metódica, no primado da razão e da experiência, na utilização das ciências e das linguagens matemáticas.


Nesse século, a instrução popular foi alvo de algumas preocupações novas na Europa. Auspiciada pela Reforma, essa preocupação nova foi-se difundindo principalmente nas áreas alemãs. A Prússia, de predominância protestante, partiu na frente, criando as primeiras instituições públicas de ensino primário para a população mais carente. Em 1612, o ducado de Weimar ordenou que toda criança de 6 a 12 anos deveria estar na escola. Em 1642, um alvará do duque de Gotha estabeleceu o primeiro sistema geral de educação pública. Em 1656, Hessen oferecia um plano de estudos de oito anos, que ia da escola primária à secundária, todo ele orgânico. Esse plano fora inspirado em Comenius,
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o maior educador do século XVII, reformador social que insistia na obrigatoriedade escolar e na criação das escolas das vilas (1692) – as Dorfschulen – e na fundação de escolas para os pobres de Halle (1695).
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Frederico Guilherme I, em 1717, decretou a obrigatoriedade de ensino elementar, espalhando as Dorfschulen por todo o reino. Começava, assim, a ser esboçado um sistema de instrução estatal e obrigatório nos Estados alemães. Por fim, Frederico II, o Grande, secularizou de vez a educação, separando-a da Igreja e instituindo a obrigatoriedade escolar universal e uniforme, para crianças entre 5 e 13 anos, através do decreto de 1763 – General Landschul Reglement – idealizado por Hecker, da segunda geração dos pietistas de Halle. “As crianças deve

riam freqüentar a escola durante o ano todo, seis horas por dia; no verão o dia escolar era reduzido para três horas”.
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Quase ao mesmo tempo, a monarquia católica da Áustria de Maria Teresa efetivava os primórdios de um movimento pela extensão do ensino de base às camadas da população mais desvalidas. A rainha convidou o abade agostiniano Felbiger (que havia trabalhado em estreita colaboração com o mesmo pietista, Hecker) para supervisionar a reforma educacional de sua monarquia. Felbiger estava em Viena, em 1774, para executar sua missão, onde preparou seu decreto –
Algemeine Schulordung

– aprovado nesse mesmo ano, o qual estabelecia a obrigatoriedade educacional para crianças entre 6 e 12 anos. O decreto estabelecia ainda a criação de uma Escola Normal, para a formação sistemática de professores. “A proibição de contratar aprendizes ou empregadas domésticas sem um certificado escolar, a exigência de que todo professor ou mesmo tutores tivessem o certificado escolar” foi então imposta por lei.



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Prússia e Áustria, duas monarquias absolutistas, foram, pois, os Estados pioneiros na implantação de um sistema de ensino estatal, obrigatório e voltado para as categorias mais pobres. Até aí, as escolas existentes nessas duas monarquias pouco alfabetizavam. Eram mais escolas de instrução dos artigos da fé, com recitação oral e com memorização do catecismo.

O movimento denominado pietista,
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a “segunda reforma protestante luterana”, iniciado em fins do século XVII, impôs na Prússia a leitura da Bíblia como essencial para todos. Foi um movimento dualista na sua concepção da educação e da escola: uma para órfãos e plebeus – a
Realschule

-, em que se aprendia, ao lado do ler, escrever e contar, um ofício (geralmente de tecelão); e outra, para os ricos, a escola de latim, na qual se aprendiam especialidades para se tornarem mercadores ou burocratas – o
Pedagogium

. As elites, por sua vez, podiam prosseguir os estudos secundários que as preparavam para a universidade ou para a administração.

O pietismo nas áreas protestantes da Prússia e a reforma católica na Áustria completaram o trabalho de Lutero e de Trento.

A França, fiel a Trento, elaborou nos séculos XVII e XVIII uma verdadeira ideologia da escola, concebida ao mesmo tempo como inseparável da educação cristã. Em Reims, Jean Baptiste de La Salle (1684) criou as
Escolas Cristãs

, de forte importância para o mundo moderno; foram concebidas para a instrução dos pobres das cidades.

Com as escolas lassalistas, abandonou-se o método de ensino individual prevalecente. O ensino do professor não se dirigia mais a um único aluno, mas podia atender cinqüenta ou sessenta alunos ao mesmo tempo. Grande revolução no ensino. O método de ensino simultâneo, bem explicado em seu guia
Conduite des écoles chrétiennes

(1702), apresentava incontestáveis vantagens em relação ao método anterior, individual, tanto em aprendizagem, quanto em vida na classe.
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La Salle fundou ainda, em Reims, um seminário de formação de mestres-escolas – na origem das escolas normais – para bem preparar os professores.



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O Renascimento inglês deu origem a uma mudança na educação, notadamente com Desiderius Erasmo e Wiliam Tyndale. Erasmo, latinista de origem obscura, filho ilegítimo de um nobre holandês, foi um gênio. Em matéria de educação escreveu, em 1516,
The education of a Christian Prince

, vinculando teoria e prática educacional. Para ele a educação era a chave para a docilidade pública e para a ordem. Assim, o príncipe deveria assegurar que as crianças aprendessem os ensinamentos de Cristo e a boa literatura. O principal objetivo do Estado estava na educação, pois ela cria o homem bom, o mais importante instrumento para formar a boa sociedade. Erasmo foi conselheiro de reis e príncipes, amigo de cardeais. Tyndale, ao contrário, de família rica inglesa, era austero e foi perseguido por suas heresias.

Ambos estiveram envolvidos com a educação e influenciaram os pioneiros que vieram colonizar a América do Norte. Esses colonos, humildes ou bem-nascidos, eram homens do Renascimento, fascinados pelas novas ciências e pelo capitalismo nascente: eram, como assinala o historiador Lawrence Cremin, místicos e práticos ao mesmo tempo. Trouxeram para a América muitos livros consigo e também eles próprios escreveram livros, panfletos, sermões. Os colonos ingleses leram Erasmo e Tyndale, conheciam a literatura da civilidade e o trabalho dos clássicos para a conduta da vida, além dos manuais de piedade. Leram Thomas Morus,
O elogio da loucura

, Bacon e Copérnico, Montaigne, com sua
Other Education of the Children

.



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As Luzes e a
Enciclopédia

nasceram na onda da preocupação em classificar e atualizar o saber. Rousseau revolucionou totalmente a abordagem da pedagogia, focalizando a criança como sujeito.

Com a Revolução Industrial na Inglaterra houve nova mudança geral. Fábrica e escola nasceram juntas; as leis que criaram a escola do Estado vieram juntas com as leis que suprimiram a aprendizagem corporativa e também a ordem dos jesuítas.

Na época moderna, de pronunciadas mudanças culturais, desde a revolução de Gutenberg e a explosão do livro na Europa, nascia em 1554 a Vila de São Paulo, que, como se sabe, teve origem em torno de uma casa de ensino dos jesuítas, para evangelizar e instruir os índios do planalto.
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Essa casa, em 1631, tornou-se Colégio (palavra que equivalia ao mesmo tempo a internato, convento ou sobretudo seminário de formação de padres), o Colégio de Santo Inácio.

A primeira fase da chegada e implantação da ação dos jesuítas na colônia foi de intenso labor, de fé, de otimismo e vontade determinada de disseminação da fé católica entre os povos novos, aqui encontrados.

Não poderia, nesses inícios, haver outra forma senão a da catequese volante. Os padres, poucos para tão vastas terras e tantos índios, não podiam manter-se estáveis em um só lugar. Viviam deslocando-se de um lado para outro, percorrendo a pé ou por barco distâncias enormes o tempo todo. O padre Anchieta, mestre em São Paulo de Piratininga, não se fixava na vila, andando serra abaixo, serra acima, por onde as necessidades imediatas o chamavam. Os constantes deslocamentos da geração heróica dos missionários impediram uma ação continuada e estável do ensino nos colégios e aldeias. E esse caráter volante da primeira fase durou, em São Paulo, cerca de um século.

Enquanto podiam permanecer na vila de Piratininga, numa palhoça de 14 passos por dez, que servia ao mesmo tempo de escola, refeitório, enfermaria, dormitório, cozinha, dispensa, o padre Manuel de Paiva (primeiro reitor de São Paulo) e o irmão Antônio Rodrigues (que aprendeu bem o tupi) instruíam os 15 batizados e alguns catecúmenos índios, enquanto Anchieta, regente do Colégio, ensinava a outros irmãos latim, português e castelhano e aprendia a língua do País.


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Nos séculos XVI e XVII, a cidade de São Paulo, das mais pobres do domínio português na América, buscava uma forma de sobrevivência para seus filhos. Nas primeiras décadas depois da fundação da vila nos campos de São Paulo de Piratininga seus primeiros colonos criavam bois, produziam alguma farinha com o trigo que ensaiaram cultivar e extraíam
 

um pouco de ferro. Tentaram, ainda, o cultivo da uva para o fabrico de um vinho medíocre, que logo abandonaram. Tudo para o consumo local ou para um fraco comércio com Santos e Rio de Janeiro. Passaram logo à caça ao índio do sertão, para escravizá-lo em seus sítios ou para negociá-lo como mão-de-obra servil nas lavouras litorâneas do latifúndio da cana, que estava se instalando. O apogeu da caça ao índio foi o ano de 1638, quando os sertanistas de São Paulo organizaram a Bandeira contra a redução jesuíta espanhola de Guairá.

Na pequena Vila de São Paulo a turbulência era grande. Duas facções logo se formaram: o clã dos Pires contra o dos Camargos levando-os à verdadeira luta entre si, com muitas mortes. Por seu lado, os índios ameaçavam com freqüência invadir a vila, que se viu forçada a construir paliçadas para sua defesa. Os proprietários de terras e de índios viviam em conflito com os jesuítas defensores da liberdade do gentio, mas reduzidos em suas aldeias.

Começaram as sérias e longas animosidades dos padres da Companhia de um lado, que pretendiam ter ascendência sobre os índios, e dos colonos, de outro, que não queriam abrir mão da escravização do gentio, condição básica de sua sobrevivência. As contendas chegaram ao auge em 1610, quando os vereadores de São Paulo se reuniram com os de São Vicente (então cabeça da Capitania) e resolveram expulsar os jesuítas de São Paulo. “Reunidos camaristas e o povo na Casa do Conselho acordam irem todos ao Colégio dos padres jesuítas a fim de intimidá-los, na pessoa do reitor padre Nicolau Botelho: ‘para que dentro de seis dias, despejem a vila e se recolham ao colégio do Rio de Janeiro, para segurança de suas vidas, honras e fazendas, contra o levantamento do gentio, de que não vivem seguros, como a experiência tem demonstrado'”.
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O estopim das contendas foi a Bula do Papa que declarava libertos os indígenas do Novo Mundo. Julgaram os paulistas que esse documento fora inspirado pelos padres da Companhia, na Europa. Forte agitação acabou por expulsar os nove padres, pelos moradores da Vila de São Paulo, em clima de grande violência. Os padres excomungaram todos.

Só em 1653, depois de reiteradas mediações e ordens do rei de Portugal, em sessão concorrida do Senado da Câmara de São Paulo, concordou-se em receber de volta os padres, sob severas condições: “1. desistência da sentença apelada contra o interdito; 2. não pedir perdas e danos com a expulsão; 3. não recolher e amparar índios fugidos dos moradores; 4. os moradores ajudarem o conserto e reforma do Colégio”.
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A mediação foi feita sob a liderança de Pedro Taques e de Fernão Dias Paes.

Os padres, de comum entendimento com a Câmara, tiveram de prometer que “logo davam plenária absolvição […] a todas pessoas, para que tudo fique em perpétuo silêncio e conservação da paz e concórdia”. Além disso, se comprometiam a “não recolher nem amparar em suas casas ou fazendas os índios ou índias a serviço dos moradores”.
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Foram, pois, 43 anos em que os paulistas ficaram sem escolas formais.

De tudo isso, nascia o paulista: mameluco, bandeirante, homem primitivo, inculto, audaz, violento, rude, desconfiado.

A Casa de Ensino dos jesuítas na região paulista fora inicialmente fundada no litoral, em São Vicente; foi, no entanto, transferida para o planalto para fugir dos franceses que, com Villegaignon (associado aos índios tamoios), haviam invadido o litoral fluminense e o norte paulista. Uma vez no planalto, o início da Casa de Ensino foi tormentoso. Logo em 1558, uma confederação de povos indígenas ameaçou seriamente a existência da pequena povoação. Ante o perigo de forte ataque contra Piratininga, a Casa de Ensino foi novamente remanejada para São Vicente, onde ficou algum tempo, voltando depois para São Paulo.
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No litoral, os tamoios confederados e aliados dos franceses criavam problemas à colonização portuguesa. Os jesuítas deixaram a casa de Piratininga para servirem de mediadores em Iperoig. Derrotados os franceses e os tamoios, o Colégio de São Vicente foi transferido (1567) para a cidade do Rio de Janeiro, recém-fundada, enquanto o Colégio de Piratininga retomava suas atividades.

A vila só encontrou maior calma em fins do século XVII, quando os bandeirantes acabaram por encontrar o Eldorado nas montanhas de Minas Gerais e depois no Oeste e Centro-Oeste. A partir de então, e depois de serem alijados das minas, derrotados na Guerra dos Emboabas (1710), os paulistas passaram a tirar proveito da economia mineira (que atraiu maciça imigração para uma região então semideserta), orientando suas energias para a produção de alimentos e para a criação e o comércio de gado, fontes para o abastecimento das minas. Só então São Paulo começava um lento e secular processo de enriquecimento.

No ano de 1587, a Companhia de Jesus possuía em toda a Capitania de São Vicente duas Casas de Ensino: a de Piratininga, que possuía então sete missionários, e a de Santos, onde “já se começa o edifício do novo colégio”, ao lado de uma simples casa em São Vicente e de inúmeras aldeias de índios. Em quase todas essas suas obras, os padres ministravam aulas de ler, escrever e contar.


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Com a volta dos padres à Vila de São Paulo, em 1653, foi “reorganizado o Colégio com seis jesuítas, três padres e três irmãos; instituíram-se duas escolas, uma de gramática latina e outra elementar. Aparece em 1654 o irmão Inácio de Azevedo, de Lisboa, com as funções de mestre de elementar e professor de latinidade”.
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O Colégio de Piratininga, reaberto, reuniu duas classes: uma de português, com cem alunos, e outra de latim, com 50 alunos, onde voltaram a ler Cícero, Virgílio e Ovídio. Só então passados os primeiros cem anos de vida de Piratininga, vencida a fase mais tumultuada, incerta e irregular, o colégio de São Paulo pôde, enfim, ter uma existência regular.

“Compreende-se por essas e outras razões que São Paulo não fosse nos tempos coloniais um grande centro de cultura intelectual. Nada surgiu, na humilde vila do Campo de Piratininga – empenhada sempre na luta contra os índios, contra a carência de recursos, e atraída pela miragem do sertão -, que a pudesse ao menos aproximar de movimentos literários como o representado pelo chamado grupo pernambucano, ou como o grupo baiano”.


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Em toda a colônia, eram três os maiores e mais prósperos estabelecimentos de ensino: o colégio da Bahia, o de Olinda e o do Rio de Janeiro. Todos “com suas bibliotecas organizadas, com corpo docente especializado e dedicado exclusivamente aos estudos e ao ensino. Os alunos, em classes seriadas, mergulhavam no estudo das sutilezas e dos aspectos formais da cultura, programados num currículo que na época era considerado o melhor e o mais moderno. Com pequenas adaptações em que se destacava a substituição do grego pelo tupi, os nossos jovens colonos estavam estudando as mesmas coisas que os jovens nobres e burgueses de Paris, Bordéus, Colônia, Roma, Florença, Nápoles, Messina, Madri, Salamanca, Lisboa e Coimbra”.



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A finalidade maior dos colégios dos padres foi sempre e prioritariamente a de formar e sustentar missionários jesuítas, sacerdotes que deviam dedicar-se à obra de evangelização dos indígenas e à moralização dos colonos. A obra educacional vinha depois. Os colégios foram, antes de tudo, centros de formação sacerdotal. Mas, como não havia outras escolas, os jesuítas receberam alunos que não se destinavam ao sacerdócio. Seus alunos internos, nos colégios, eram aqueles destinados à carreira clerical; os externos eram os demais.

Para a instrução catequética, preocupação permanente, os padres jesuítas missionários certamente utilizavam os textos usados em Portugal, segundo o monsenhor Maurílio de Lima, que eram: “Práticas espirituais”, de d. frei Bartolomeu dos Mártires, arcebispo de Braga; “Doutrina cristã”, de d. João Soares, bispo de Coimbra; “Compêndio da doutrina cristã”, de frei Luis de Granada; “Suma da doutrina cristã”, do irmão jesuíta Pedro Correa; “Diálogo de coisas da fé”, atribuído ao padre José de Anchieta, dentre outros.
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As escolas jesuítas, como bem definiu Carlos Rizzini, nem se destinavam propriamente ao ensino, nem eram públicas. O seu fim estava no proselitismo e no noviciado, em instruir os de casa e em despertar a vocação.
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Só em 1724 o prédio do Colégio de São Paulo via concluída sua sólida construção no centro da cidade, onde se instalaram os cursos de humanidades e de filosofia.
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Em 1759, ano da expulsão dos padres, a biblioteca do Colégio possuía significativo acervo, mas era de acesso limitado. O primeiro seminário de São Paulo fora ali criado em 1757 (às vésperas pois da expulsão dos padres), e os alunos internos desse seminário eram em número de 23, em 1759. O Colégio de São Paulo não teve tempo de se tornar um centro de grande atuação cultural.

O paulista, isolado no interior, era um rústico. John Mawe, que visitou a cidade no início do século XIX, surpreendeu-se com seu atraso e rusticidade. “A nossa presença em São Paulo excitou de maneira indescritível a curiosidade do povo, que parecia nunca ter visto ingleses, até então; as próprias crianças demonstravam o seu espanto, algumas fugindo, outras contando os nossos dedos, constatando, admiradas, termos o mesmo número que elas”.


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“Os 17 colégios fundados pelos jesuítas no Brasil tinham estudos inferiores e os cursos de humanidades, destinando-se basicamente a estudantes externos; nos seminários, que eram internatos, estudavam os alunos destinados a serem padres da Companhia de Jesus. Os cursos de artes (basicamente filosofia) dos colégios de Portugal eram propedêuticos aos cursos da Universidade de Coimbra, mas o mesmo não ocorria com os cursos de artes dos colégios brasileiros, de modo que os alunos se viam obrigados a fazer o curso de novo, em Évora ou Coimbra, ou a fazer exames de ‘equivalência'”.



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Ao deixar o Brasil, em meados do século XVIII, os jesuítas possuíam onze colégios, no total, alguns dos quais chegaram mesmo a oferecer modalidades de estudos equivalentes ao nível superior, além de cinco seminários para a formação do clero nacional (sendo três deles anexos aos colégios), quatro casas, 35 missões e 25 residências além de vastas e ricas propriedades latifundiárias e urbanas. Nos colégios e seminários, foram formados os jovens da elite agrária e da pequena aristocracia e o clero brasileiro.

Ao lado do Colégio jesuíta de São Paulo, um ensino particular, pago e ministrado por mestres leigos, parece ter existido na Capitania de São Paulo. Conhece-se, por exemplo, a figura de Antônio Pereira da Costa, presente na vila em 1682, como mestre-escola particular. Ele contentava-se em receber meia pataca por criança que ensinava. O mestre Diogo Mendes Rodrigues, em 1670, recebia 800 réis pelo ensino na cidade de São Paulo.
44

Foi concomitante ao ensino dos jesuítas, e os mestres ministravam apenas as primeiras letras.

Como resume Valnir Chagas: “Durante 210 anos, de sua chegada em 1549 à sua expulsão em 1759, os jesuítas exerceram a mais poderosa influência externa que se registra na formação da sociedade brasileira. A sua privilegiada condição de delegados do governo português, que afastava outras iniciativas, mesmo eclesiásticas, o seu indiscutível preparo intelectual e psicológico para a missão e a sua proverbial habilidade política fizeram que – sob a tríplice proteção da Coroa, da Igreja e da família patriarcal – eles não apenas monopolizassem a instrução de todos os níveis como constituíssem os principais, senão únicos, mentores intelectuais e espirituais da colônia”.


45


Durante o período em que os jesuítas aqui estiveram, o governo português não interveio nos seus planos de ensino e menos ainda se preocupou com eles. 




Leia também a entrevista com a autora Maria Luiza Marcílio



.

LEGENDAS:



2
      

TAVARES BASTOS.
A província.

2
ª

ed. São Paulo, Cia. Editora Nacional, 1937, p. 239.





3
      

Se fizermos um exercício conjectural com números prováveis, de um lado a população estimada em 1759 e, de outro, o número de alunos dos colégios e seminários dos jesuítas – lembrando que os padres não atendiam em seus colégios: as mulheres (50% da população); os escravos (cerca de 40%); os pardos e os negros livres, os filhos ilegítimos e as crianças abandonadas (estes dois últimos somando mais de 50%) -, concluiremos que mesmo entre os jovens brancos, homens, filhos legítimos e livres e os índios aldeados, os alunos dos colégios jesuíticos não passavam de 0,1% da população da época.






4
         



CIPOLLA, Carlo, p. 1.








 






5
      

SILVA, Geraldo Bastos, p. 20.





6
      

CUNHA, Luis Antônio Rodrigues da, 1975, p. 113-114.






7
      

LEBRUN, F.
et alli

, p. 175.









8
                       

GRENDLER, Paul F., p.10. Importante retomar aqui o modelo educacional greco-romano. Fundada pela teoria dos dois grandes educadores que foram Platão (falecido em 348 a.C.) e Isócrates (falecido em 338 a.C.), a Paideia designava a um tempo a educação e a cultura: é um conjunto de meios necessários para transformar a criança em homem. Platão funda a Academia; obcecado pela cidade ideal, busca formar o jovem político perfeito. Isócrates visava em suas aulas de eloqüência formar homens cultivados, especialistas na discussão e bons oradores. A palavra verídica possui valor moral e educativo. O orador que sabe convencer tem seu lugar na cidade. Roma incorporou parte do sistema educativo grego. Seu programa de ensino é simples: começa pelo


aprender a ler, escrever e contar; segue a escola secundária da gramática grega e latina. A língua bem escrita é fundada sobre a autoridade dos clássicos: preferencialmente, Virgílio, Terêncio e Horácio e do orador Cícero. Prossegue com o ensino da retórica, que é a fina flor da pedagogia e do ensino, o ápice da hierarquia nos valores profissionais e sociais romanos. O professor de retórica ensina como se
 

tornar homem político ou advogado, graças às leis formais da arte oratória. Na fase de derrocada do Império Romano e das invasões bárbaras, Boecio (480-525) tenta salvar a cultura romana e revê, em algumas


obras, as quatro artes científicas gregas (astronomia, geometria, música e astronomia) no que chama de
quatrivium

, ou seja, o 2




º




ciclo de estudos. O primeiro é o
trivium

, composto por gramática, retórica, dialética. Ver: ROUCHE, Michel. Des origines à la Renaissance. In: PARIAS, Louis-Henri (ed)
Histoire générale de l´enseignement et de l´education en France

, Paris, Nouvelle Librairie de France, 1981, t. I. Esta base do ensino greco-romano fundamenta o ensino ocidental até o século XIX

.








 








 








 






9
      

MANACORDA, Mário Alighiero, p. 194.





10
    

FURET, F. e OZSOUF, J. , vol. l. p. 71.






11
                  

LEBRUN, F., p. 184.








 






12
    

Idem, p. 202.





13
    

LEBRUN, F., p. 243.




14
    

Idem, p. 180.




15
    

ROUCHE, Michel.
Des origines à la Renaissance.

In: PARIAS, Louis-Henri (ed)
Histoire générale de l´enseignement et de l´education en France

. Paris, Nouvelle Librairie de France, 1981, t. 1, p. 75 e segs.




16
    

LEBRUN, F., p. 322. Erasmo, Rabelais, Calvino, Loyola foram alunos do Colégio de Montaigu, na França, onde havia um ascetismo devoto, uma rígida disciplina, as classes eram divididas por séries e onde se progredia nos conhecimentos; pela primeira vez se introduziram os exercícios físicos e a recreação.






 








17
    

LEBRUN, F., p. 180.








18
    

LEBRUN, F., p. 29-30.






19
    

Idem, p. 32.






20
    

A
Ratio Studiorum

organizou o ensino em classes, horários, programas e instituiu rigorosa disciplina nos colégios, fundada no afeto e compreensão, mais do que em castigos físicos tão do gosto da época. Haveria seis anos de
studia inferiora

, dividido em seis cursos (três de gramática, um de humanidades, um de poesia, um de retórica); mais três anos de studia superiora de filosofia (lógica, física e ética); um ano de metafísica (matemática superior, psicologia). Após esses anos, estavam previstos uma
repetitio generale

e um período de prática de magistério. Finalmente, mais quatro anos de estudos de teologia. Ver, dentre outros, MANACORDA, M., p. 219.








 






21
    

A reelaboração de toda a enciclopédia do saber –
orbis scibilium

– e a sua sistemática adequação às capacidades infantis são o grande tema da pedagogia de Comenius, e que ele considera como parte da obra de regeneração de toda a sociedade humana. Segundo Comenius, “toda a esperança de um mundo melhor está baseada unicamente na educação da juventude e, portanto, nas escolas realmente instituídas”. MANACORDA, M., p. 220 e segs.







22
                       

LUZURIAGA, L., p.120.








 






23
    

PALLARES-BURKE, Maria Lúcia Garcia, p. 60.





24
    

PALLARES-BURKE, Maria Lúcia Garcia, p. 62.




25
    

O pietismo foi um movimento teológico de reforma social, em grande parte elaborado por Augusto Hermann Francke (1663-1727), que dava grande força à promoção da escola popular e ênfase aos deveres e à obediência à autoridade. Esse movimento teve grande repercussão na Europa. Ver, dentre outros, MILTON, J. van H.






 








26
    

LESSAGE, Pierre, pp. 10-11.








27
                  

PEIXOTO, Afrânio, p. 150.








 








28
    

CREMIN, Lawrence A., 1970, 1


ª


parte.






29
    

“… foram treze ou catorze religiosos, governados pelo padre Manoel de Paiva, a abrir os fundamentos da nova casa, com o auxílio de Tibiriçá. Levantaram um pequeno aposento e contígua a ele uma igreja em que a primeira missa se celebrou em 25 de janeiro de 1554, dia em que a Igreja celebra a conversão de São Paulo..”. VILHENA, Luiz dos Santos. Recopilação de notícias da capitania de São Paulo.(1
ª

ed. Lisboa, 1802). Bahia Imprensa Oficial do Estado, 1935.




30
    

ESCOBAR, José Ribeiro, p. 159.






 






31
    

RIBEIRO, João Jacintho, vol. 1, p. 601.





32
    

Ibidem.






 






33
    

Cf. Escritura assinada pelos vereadores e pelos padres em 1653. Registro Geral da Câmara Municipal de São Paulo, São Paulo, Typographia Piratininga, 1917, v. II , p. 371-379.





34
    

ROCHA POMBO, p. 189.






 






35
    

MATTOS, Luís Alves, p. 288.





36
    

LEITE, Serafim, p. 292.




37
    

BRUNO, Ernani da Silva, p. 307.




38
    

MATTOS, Luís Alves, pp. 291-292.






 






39
    

LIMA, mons. Maurílio César de, p. 44.







40
    

RIZZINI, Carlos, p. 206.








41
                       

CARVALHO, Laerte Ramos de, 1858: 600-622, p. 607.








 








42
    

MAWE, John, p. 112.






43
    

HANSEN, João Adolfo, p. 28.




44
    

MACHADO, Alcântara, p. 88.




45
    

CHAGAS, Valnir, 1978, p. 1.






 



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