Identidade uniforme

Livro mostra percurso do vestuário escolar obrigatório

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Carmen Guerreiro





 




O emblema do colégio estampado na camiseta padroniza seus alunos, mas os distingue de outros. Pela roupa, são todos iguais, e todos representam a instituição na qual estudam. Afinal, o uniforme é uma forma de identidade visual da escola, que reflete sua filosofia e linha pedagógica.




 




Baseada na importância que essa peça do vestuário exerceu na história das instituições de ensino, a equipe composta pela produtora Isabel Pires, a pesquisadora e jornalista Maria Alice Silveira Lime, o jornalista Furio Lonza e o consultor de moda Daniel Maia realizou
 


História do Uniforme Escolar no Brasil

. O livro descreve as mudanças ocorridas nos uniformes de colégios tradicionais do país ao longo do tempo, relacionando-as ao contexto histórico, político e econômico, tanto no âmbito nacional quanto internacional.




 




“O uniforme é a cara do colégio, é como uma etiqueta da instituição, como ela quer ser vista pelo público externo”, define Maria Alice. O livro tem 237 páginas, quase todas contendo fotos de turmas escolares e de seus uniformes, desde o século XIX até a atualidade. A base de produção foi uma pesquisa realizada por Maria Alice durante quatro meses, em duas etapas: primeiro, houve o estudo de documentos, livros e fotografias; depois, o trabalho de campo nas escolas, com entrevistas.




 




De acordo com a pesquisadora, o uniforme tem três funções básicas: representar a identidade da instituição, promover a segurança dos alunos fora da escola e estimular o orgulho dos estudantes pelo colégio. Por isso, ela defende que o vestuário não é simplesmente uma imposição unilateral da escola. “O uniforme não é apenas o que o colégio quer que ele seja. É o resultado do que ele quer mostrar e do que os alunos querem usar”, explica. Assim, o fator de orgulho que a roupa proporciona é válido não só quando a instituição é respeitada, mas também quando o modelo do uniforme está na moda, de acordo com o gosto da maioria dos estudantes.




 




Para Lonza, autor do texto, o fato mais importante sobre os vestuários escolares é sua relação com o que acontecia no Brasil e no mundo durante o período. “Cada época influenciou os uniformes de uma determinada maneira, seja ela liberal, arbitrária ou conservadora”, afirma. Segundo ele, as instituições aproveitam o apoio do governo para impor determinada disciplina e roupa aos alunos, principalmente nas décadas de 1960 e 1970.




 




“Em uma época propícia ao autoritarismo, é obvio que as escolas se valeram da situação, pois estavam respaldadas pelo governo em um clima de arbitrariedade. E foi justamente nos anos 60 e 70 que ocorreu a reação contrária da sociedade”, diz. Além do estudo da influência histórica nos uniformes, a equipe realizou pesquisa com estudantes para identificar a atual tendência das roupas escolares. Os resultados possibilitaram a criação de alguns modelos que, segundo os alunos, seriam adequados ao colégio do século XXI.




 




Hoje, muitas instituições vêm abdicando do uso de uniformes. Maria Alice avalia que, ainda assim, os estudantes usam roupas de um estilo característico que dão identidade à escola. Entretanto, compara a relação dos alunos com a roupa obrigatória atualmente e a utilizada há alguns anos. “Antes, a criança tinha orgulho de usar o uniforme, e hoje isso acontece com poucas escolas, porque os alunos acham que estão perdendo a sua liberdade”, conta. “Você reconhece um colégio bom quando a criança tem orgulho de usar e mostrar o uniforme, só que isso é cada vez mais raro.”




 





História do Uniforme Escolar no Brasil

não é comercializado, porque foi produzido por meio da Lei Rouanet, com incentivo do Ministério da Cultura e patrocínio da Rhodia. Pode ser encontrado em escolas públicas e particulares de todo o país, e também em bibliotecas. De acordo com Furio, existe a pretensão de encontrar editora para também lançar comercialmente o livro.


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