Livro retrata revolução francesa para jovens leitores

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Divulgação
Ilustrações de Nikol no livro A Revolução Francesa passo a passo

 

Embora tenham denunciado no século 18 as desigualdades, os privilégios dos nobres e a intolerância religiosa, os filósofos iluministas não chegaram a propor exatamente reformas profundas na sociedade francesa, como a extinção da monarquia. Porém, ao defender a separação dos poderes legislativo, executivo e judiciário, que naquela época estavam todos concentrados nas mãos dos reis, e propagar a ideia de que a população tinha o direito de cassar os governantes em caso de descumprimento de deveres, pensadores como Voltaire, Rousseau, Montesquieu e Diderot deram lugar a desejos de transformações sociais.

Pode-se dizer que eles – ou mais precisamente suas obras – foram um dos gatilhos da Revolução Francesa, como explica Gérard Dhôtel no livro A Revolução Francesa passo a passo. A obra integra uma coleção composta por títulos sobre a pré-história, a Idade Média e a arqueologia e, assim como as demais, é voltada a jovens leitores que estão se iniciando nos temas em questão. Isso não significa, contudo, que falte à publicação certa densidade.

O autor se debruçou sobre eventos ocorridos no período de uma década (1789 a 1799) para dar a dimensão do que foi esse grande acontecimento histórico e como ele se produziu. Além da influência dos ideais iluministas, contribuiu para aumentar as tensões sociais a grave crise financeira e econômica pela qual passava a França. Com o apoio dado aos rebeldes americanos na batalha pela independência, os cofres reais estavam exauridos, o que dificultou o socorro aos pobres. Naquele momento, o preço dos alimentos, inclusive dos pães, estava nas alturas em função de um inverno especialmente rigoroso que acabou com as colheitas. Para piorar, o hesitante rei Luís XVI não sabia bem como contornar os problemas.

Os personagens históricos, aliás, também são objetos de análise no livro. Dhôtel faz uma descrição de Luís XVI, Maria Antonieta, Robespierre, Danton, entre outros, pinçando de suas biografias detalhes importantes para o desenrolar dos fatos. É interessante também o breve “balanço” da Revolução que finaliza a obra. Nesse capítulo, o autor destaca alguns dos desdobramentos do período, dos mais imediatos – como a abolição dos privilégios da nobreza e do clero, a liberdade dada aos franceses de praticar a religião que quisessem e a criação do sistema métrico -, aos que tiveram apenas suas sementes plantadas na histórica década, como o direito ao divórcio e a universalização do sistema educacional.

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