Hermes Ferreira Figueiredo

presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo

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Na sua opinião, qual é o desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?


Mesmo com a universalização do ensino fundamental, o sistema de educação brasileiro ainda tem muito que caminhar. O nível de escolaridade no Brasil é de menos de seis anos, mas sabemos que é preciso 12 anos de escolaridade para formar adequadamente um cidadão. Nenhum país pode aspirar ser desenvolvido, independente e soberano sem um forte sistema de ensino. A educação tem de ser uma prioridade nacional real, não apenas um discurso fácil e repetido por políticos, sobretudo nos períodos eleitorais.

A grande dificuldade de conseguirmos um ensino superior com reconhecidos padrões de qualidade está na defasagem de conhecimento que o universitário traz dos níveis anteriores. A má qualidade na educação básica tem suas origens na desvalorização do professor, que é o principal ator do sistema, além da falta de infra-estrutura das unidades escolares.

Para a alavancagem nacional da educação acontecer será preciso grandes aportes de recursos com a colaboração efetiva da União, Estados, municípios, sociedade e família. É preciso que se elabore um programa nacional de intervenção de curto, médio e longo prazo no sistema educacional brasileiro que contemple a educação básica e superior de forma integrada e articulada.




A educação é um bom negócio?


A educação é um bom negócio para o Brasil, pois aumenta a competitividade do país e diminui o seu grau de vulnerabilidade e dependência de conhecimento. É um ótimo negócio para o cidadão, pois possibilita obter competências, habilidades e atitudes contemporâneas que permitem a sua inserção no mercado de trabalho.

Também é interessante para a economia brasileira, uma vez que Sistema Privado da Educação Brasileira responde por uma participação de R$ 9,5 bilhões no PIB, representando 0,8% do total da economia. O setor gera adicionalmente uma renda indireta de mais de R$ 720 milhões anuais, por meio de atividades ligadas ao setor educacional. Sem contar a geração de empregos para mais de 170 mil professores e cerca de 140 mil funcionários técnicos e administrativos em todo o país.

Já sob o ponto de vista das instituições de ensino que atuam sob a forma de sociedades comerciais,  é difícil formular uma resposta objetiva. A instabilidade de normas e regulações, a burocracia excessiva, a intervenção indevida do poder público, a carga tributária e a interferência dos órgãos de classe são fatores que tornam a gestão extremamente difícil, dinâmica, sem grandes possibilidades de planejamento, o que, sem dúvida, é fundamental em educação. Não podemos nos esquecer, no entanto, de que é bastante comum encontrarmos empreendedores motivados pelo próprio compromisso com a educação ou, até mesmo, por vocação como educadores.



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