Hélio de Lima

secretário de Educação de Mato Grosso do Sul

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?




O ensino público brasileiro avançou muito nas últimas décadas, embora o caminho a ser percorrido ainda seja muito longo. A democratização do acesso ao ensino fundamental foi uma grande conquista – assim como a descentralização das decisões que envolvem a educação -, mas é preciso garantir a permanência na escola, com qualidade no aprendizado. As dificuldades e barreiras não podem constituir obstáculos, mas desafios permanentes que devem estimular os planejadores e os executores da área educacional.




 





Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?





A educação básica deve ser prioridade no Brasil, em todas as esferas governamentais. No entanto, não basta ter a garantia do direito ao aprendizado se não houver profissionais comprometidos com a causa da educação, que se sintam sujeitos de um processo de formação dos cidadãos brasileiros. Os maiores desafios são, portanto, garantir educação com qualidade para todos e fortalecer as políticas de qualificação dos professores e gestores escolares.




 





Se você pudesse formular as políticas federais, qual seria o primeiro ponto em que investiria?





Investiria no fortalecimento da política da educação profissional, preparando alunos do ensino médio, não só para seu ingresso na universidade, mas também para o mundo do trabalho. Outros pontos: a formação continuada dos professores e a formulação de políticas educacionais que atendessem com qualidade a diversidade humana: indígenas, camponeses, acampados, assentados, afrodescendentes, pessoas com necessidades educacionais especiais e outras populações.




 




Como você vê o futuro da educação no Brasil?



A escola precisa ser, cada vez mais, um espaço envolvente, dinâmico e democrático que assegure o direito de crianças e adolescentes apreenderem os conhecimentos previstos nas diferentes áreas e disciplinas, mas também que favoreça a esses aprendizes uma formação plena, que amplie sua consciência crítica e sua capacidade de análise da realidade em que vive. Momentos de reflexão e de discussão sobre cidadania, ética, solidariedade, cuidados com a saúde, preservação do meio ambiente e outros temas devem fazer parte do cotidiano escolar. A realidade atual não permite mais a existência de instituições de ensino desvinculadas das novas necessidades das pessoas, daquilo que é essencial para a comunidade, como, por exemplo, a democratização do espaço escolar, com ampliação da participação dos pais e da comunidade do entorno da escola na gestão escolar. O futuro da educação depende do que hoje está sendo feito. Por isso, é grande a responsabilidade dos atuais planejadores e gestores das diferentes instâncias governamentais.




 





Em Mato Grosso do Sul, quais são os principais desafios enfrentados pelo governo estadual na área?





Com objetivo de fazer com que todas as crianças e adolescentes tenham acesso às novas tecnologias da comunicação, criamos, em 2003, o projeto de inclusão digital denominado
Informática na Educação: Construindo o Cidadão do Século 21

, e já implantamos, até meados de 2005, 164 salas de tecnologias educacionais, o que representa 45% das escolas da rede estadual de ensino (em 1999, esse índice era de apenas 5,8%). O desafio é alcançar, até 2006, o percentual de 100% de escolas equipadas com microcomputador e internet.




Implantamos, em 2004, o
Programa Escola Aberta

em diversas escolas estaduais da capital, com objetivo de incentivar a participação da comunidade do entorno da escola, nos finais de semana, em atividades esportivas, culturais, profissionalizantes e de lazer, fazendo da escola um espaço propício para uma produtiva convivência comunitária. Para estimular a permanência dos alunos no espaço escolar, são desenvolvidos também, no contraturno, durante a semana, projetos como
Xadrez na Escola

e
Segundo Tempo

. O desafio é expandir o programa para todos os municípios do Estado.




O programa de alfabetização de jovens e adultos
Mova-MS Alfabetizado

, em dois anos, incluiu mais de 60 mil pessoas no mundo das letras, entre indígenas, moradores do campo, idosos, pessoas com necessidades educacionais, afrodescendentes e outras populações. Reduzir o analfabetismo a um percentual mínimo é um desafio para os próximos anos.




Além desses, outros desafios se interpõem, como: a promoção de estratégias capazes de reduzir o abandono e a reprovação e de melhorar a qualidade do ensino; o desenvolvimento de investimento na formação continuada dos professores, na melhoria dos espaços físicos e das condições de trabalho dos profissionais da educação; a efetivação de políticas para a educação profissional.



 


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