Grupo de iguais

Escolas particulares procuram alternativas para lidar com os diferentes ritmos de aprendizagem dos estudantes

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Ilana Bar
No colégio Graphien, as aulas são replanejadas a cada 15 dias, de acordo com as avaliações
Acompanhar os alunos e oferecer reforço àqueles que necessitam é fundamental, mas não basta colocar as crianças com dificuldade numa sala com um professor e sobrecarregá-las de conteúdo: é preciso respeitar o ritmo, as características da criança, além de valorizar o que ela sabe e sua capacidade de aprender.


Depois de várias tentativas de implantar a recuperação no formato tradicional – atividades no contraturno ou em grupos separados -, o colégio Equipe, de São Paulo, desenvolveu o projeto Orientação de Estudos, que agrega estudantes do 2º ao 5º ano com necessidades semelhantes de aprendizagem.
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“Os alunos ‘em recuperação’ ficavam numa situação ruim diante dos colegas, o que prejudicava sua confiança em sua própria capacidade de aprender”, conta o diretor do Equipe, Luis Marcio Barbosa.


Essa percepção, somada aos bons resultados obtidos nas atividades de integração de turmas de anos diferentes e a algumas experiências em sala de aula com atividades em grupo, foram o ponto de partida do projeto, implantado em 2005 na área de matemática.


Ao invés de aulas extras, o projeto reúne, num mesmo grupo, alunos de anos diferentes, mas com necessidades semelhantes. Os estudantes são divididos em subgrupos de trabalho, cuja composição e tarefas são definidas pelas professoras. Cada subgrupo recebe um desafio ou uma tarefa, desenvolvida ao longo de três encontros aproximadamente. Após esse período, é feito um rodízio de parceiros e funções para que todos os alunos possam aprender com aqueles que já sabem e ensinar aquilo que sabem.


A intenção é romper com a ideia de que, numa turma, existem alguns que “sabem” e outros que “não sabem”, promovendo a autoconfiança da criança. São vários os critérios que orientam a composição dos grupos. Há aqueles com alunos com hipóteses ou aprendizados semelhantes, que necessitam de acompanhamento contínuo e trabalham sob orientação do professor.


Outro tipo de grupo é organizado em função do tipo de conteúdo a ser trabalhado, em que os alunos contam com o apoio de um parceiro mais experiente que ajuda os colegas na elaboração das tarefas e desafios. Finalmente, existem os grupos autônomos, em que parceiros trocam e corrigem as atividades uns dos outros, a fim de aprimorar conteúdos e explorar novas aprendizagens.


Origens diversas
A formação individual, orientada pelas características pessoais e sociais, é a base para um trabalho de recuperação bem-sucedido, na opinião da diretora do colégio Graphein, Nívea Fabrício. “Avaliamos o processo e, a partir do que constatamos, replanejamos as aulas a cada 15 dias”, explica Nívea.


Segundo ela, isso colabora para a aprendizagem de todo tipo de aluno – desde aqueles que apresentam defasagens até os que possuem altas habilidades. “Muitas dificuldades, que acabam resultando em reprovações, têm origens diversas”, analisa a diretora, enfatizando a necessidade de um diagnóstico minucioso.


Nesse processo, a interação com a família é importante, pois ajuda a identificar eventuais problemas e a orientar o trabalho da escola.

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