Gabriel Mário Rodrigues

reitor da Universidade Anhembi Morumbi

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Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?

Em primeiro lugar, acredito que é preciso trabalhar profundamente o conceito que esse desafio só será vencido com o esforço de todos, unidos em torno de uma proposta comum. Não pode haver distinções entre setores públicos e privados, ou seja, sem a união dos interesses nunca conseguiremos superar os obstáculos. A questão, assim, não é criar marcos regulatórios ou dispositivos burocratizantes que impedem o progresso do setor, ao contrário, é preciso criar mecanismos efetivos para atingir as metas de expansão com qualidade, tão importantes para o país. A razão dessa afirmação é que temos assistido, nos últimos tempos, a esforços muito mais no sentido de criar restrições e obstáculos do que propriamente, ações concretas para estimular a educação nacional. Tais esforços, em vez de unir os diversos segmentos, público e privado, aprofundam as suas diferenças e dificultam a criação de um pacto nacional em defesa da educação. Sem esse pacto, dificilmente o Brasil conseguirá chegar ao patamar que deseja.




Educação é um bom negócio?


Há vários modos de ver essa questão. Sob a perspectiva do país, é um ótimo negócio conseguir captar recursos do setor privado para financiar a expansão da educação, uma vez que o Estado não tem condições de custear com seus próprios recursos esse processo. Apenas países que possuem uma longa tradição educacional, como os EUA e os países europeus, conseguem manter expressivo volume de recursos estatais para a educação. Principalmente na Europa Ocidental, onde a distribuição dos recursos de seus orçamentos permite atender à demanda universitária de países em decrescimento demográfico constante. Os EUA, nação mais rica do planeta, sempre puderam destinar investimentos expressivos à educação, que é a origem de sua supremacia e que não é o caso do Brasil. Outros países, porém, estão tendo excelentes resultados atraindo recursos privados para o setor, como é o caso do Japão e da Coréia do Sul.

É preciso superar o conceito de que o dinheiro público é bom e o privado é ruim. O que importa é a qualidade da educação e o melhor uso dos recursos e sua melhor racionalidade. Num país como o Brasil não tem o menor cabimento um estudante de família abastada estudar de graça, subvencionado pela Nação, e depois de formado, nada precisar devolver (no mínimo, por algum tempo, em serviços à comunidade).

Sob a perspectiva do investidor, educação pode ser uma atividade instigante e com bom retorno, desde que bem administrada. O cenário educacional mudou muito nos últimos dois anos, com muita concorrência, aumento de custos e queda do poder aquisitivo médio da população. Nunca foi tão importante a questão da qualidade para assegurar a viabilidade da educação como atividade com fins econômicos e, para tanto, é necessária uma gestão competente para conseguir atingir tal padrão, dentro das limitações orçamentárias. Para instituições comprometidas com o desenvolvimento dos alunos, sempre haverá mercado e oportunidades da mesma forma que em outras atividades, como as ligadas a saúde, transportes, alimentação, habitação e milhares de outras. Não há almoço de graça, alguém sempre deve pagar a conta.



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