Gabriel Chalita

secretário de Educação de São Paulo e presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?




Embora os avanços existam, ainda há grandes desafios pela frente. O governo FHC teve o mérito de universalizar o acesso ao ensino fundamental. Resta ao governo atual priorizar as questões relativas à educação de qualidade. Apesar da melhora constatada nos anos 90, os indicadores de produtividade da educação básica – taxas de aprovação, reprovação, abandono e distorção série-idade – continuam preocupantes. O que vemos é que, em síntese, a condução da política educacional no Brasil, nos últimos tempos, parece se caracterizar, primeiro, pela tendência de volta à centralização do processo de tomada de decisões e da execução de programas direcionados à educação básica; segundo, pela definição de prioridades e metas em desacordo com o que foi fixado pela sociedade no Plano Nacional de Educação (PNE), votado pelo Congresso após dois anos de ampla participação social; e, por fim, pela previsão de recursos insuficientes para a educação pública, face às demandas sociais e às propostas anunciadas pelo MEC.




 





Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?





A nosso ver só é possível formular uma política educacional de excelência se houver investimento maciço em qualificação de professores. Lembremos que São Paulo tem uma das maiores redes de ensino do mundo, com quase 6 mil escolas e 6 milhões de alunos. Nesse contexto, temos priorizado a criação de projetos voltados à valorização do professor, à formação integral dos alunos e à aproximação entre escolas e comunidades. Prova disso é que são investidos mais de R$ 100 milhões todos os anos em capacitação de professores. Além disso, até o final do ano, 100% das escolas estaduais terão laboratórios de informática. São algumas medidas que, acreditamos, poderão mudar para sempre e, positivamente, a história da educação paulista. Medidas que também deveriam ser prioridade nos demais Estados da Federação.




 





Se você pudesse formular as políticas federais, qual seria o primeiro ponto em que investiria?





Novamente ressaltamos a importância da formação contínua de educadores. Essa seria nossa grande proposta em termos federais. Se em São Paulo – Estado cuja complexidade é, sem dúvida, um empecilho para tantas ações e projetos – conseguimos feitos nessa área, por que não seria possível expandi-los para regiões menores, com o trabalho conjunto realizado pelos governos de todas as esferas e também pela sociedade civil organizada? Em São Paulo, por exemplo, transformamos nossas 89 diretorias regionais de ensino em pólos de capacitação.

Outro programa que sintetiza o espírito dessa valorização dos professores é o
Bolsa-Mestrado

, iniciativa que fornece aos docentes a possibilidade de prosseguir seus estudos acadêmicos financiados pelo governo do Estado. Paralelo a isso, realizamos teleconferências, videoconferências, palestras, fóruns, congressos e encontros que favorecem a troca de experiências para os profissionais da rede. Nossa experiência nos prova que é possível realizar grandes sonhos, desde que estejamos realmente dispostos a transformá-los em realidade.



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