Ferramenta de mobilização

Projetos em escolas públicas e privadas contribuem para desenvolver o espírito crítico dos alunos

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O uso de diferentes mídias tem sido um importante aliado da Escola Estadual Alves Cruz, em bairro nobre da Zona Oeste de São Paulo (SP), que enfrenta risco de ser deixada à míngua pelo governo. O motivo é atípico: falta de alunos. Com isso, os recursos diminuem e a equipe também é reduzida. Recentemente, a escola perdeu o vice-diretor, relata Luciana Albieri, atual coordenadora. Hoje, o colégio tem 500 alunos em todos os períodos, mas comportaria o triplo.

O problema se arrasta há anos. Em 2000, um grupo de ex-alunos fundou o Projeto Fênix, voltado para devolver a auto-estima à comunidade. Uma das estratégias é trazer para a escola experiências em comunicação. Parceria com a Estação da Arte, sociedade civil sem fins lucrativos, leva para o Alves Cruz oficinas de rádio, vídeo e fanzine. Os encontros acontecem à tarde, quando não há aulas.

A atividade com rádio recebeu o nome de Projeto Leste-Oeste, pois envolve também a Escola Estadual Dom João Ogno Osbi, na Zona Leste, que encara realidade bem distinta: tem 1.500 alunos e não fica em bairro de elite. Três encontros presenciais caracterizam a iniciativa, apoiada pela Petrobrás — dois encontros em cada uma das escolas e outro “no meio do caminho”, explica o coordenador Alexandro Fernando da Silva, o Naiman.

Educador popular formado pelo Instituto Paulo Freire, ele trabalha com projetos de rádio-escola desde 1997 e acredita que a experiência no Alves Cruz “é um belo laboratório para achar soluções para a escola pública”. Inserir no debate os problemas da comunidade escolar é uma das propostas. Os alunos estão divididos em pequenos grupos, para detectar assuntos críticos de interesse geral.

No Palmares, colégio particular de São Paulo (SP), a comunicação mobiliza alunos, professores e pais. A escola tem jornal próprio, além daqueles produzidos por estudantes. O Palmares utiliza, ainda, circulares por e-mail enviadas aos pais. O diretor pedagógico Waltenir Loureiro ressalta que as novas tecnologias amplificaram o alcance da comunicação. Segundo ele, já houve casos de conflitos gerados por comentários de alunos em programas de comunicação instantânea na internet.

A estratégia do Palmares é restringir o uso dos recursos de comunicação a fins pedagógicos. Para Ugo Rizetti, estudante do 1º ano do ensino médio, a principal utilidade dos jornais feitos pelos estudantes é a de ser um contraponto ao jornal do colégio, além de representar uma via de expressão dos próprios alunos.

Ele é presidente do grêmio estudantil e diretor de imprensa do jornal
O Novo Gremista

. Circula também uma publicação dissidente,
O Oculto

, em que os alunos podem assinar com pseudônimos. Ambos os jornais discutem temas polêmicos internos, como a saída de professores ou a proibição do uso de
disc-man

.

Enquetes aferem a opinião dos estudantes frente a diversos assuntos. A publicação dos resultados gera debates. Ugo lamenta que a falta de respostas diretas da instituição e a baixa motivação dos próprios alunos façam com que algumas discussões não sejam levadas adiante.




Reportagem: Faoze Chibli




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