Ferramenta de liderança

Quando a informática entra no cotidiano da escola

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Lívia Perozim









Pode parecer banal para alguns, mas ter um web site, utilizar e-mails na comunicação interna, gerenciar assuntos administrativos e renovar projetos pedagógicos com o uso do computador ainda não é uma realidade na maioria das escolas públicas brasileiras.

Faltam equipamentos, cultura e formação dos profissionais envolvidos. Mas, dada a oportunidade de aprender, os obstáculos tendem a ser superados. Foi assim que a Escola Estadual Francisco Matarazzo Sobrinho, de Osasco (SP), conseguiu fincar pé na internet e aproximar a comunidade de tudo o que acontece ali.

A instituição foi uma das 260 escolas paulistas que participaram do programa Gestão Escolar e Tecnologia, parceria entre a Microsoft, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Os resultados positivos atraíram o apoio do Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed) e mais nove Estados farão parte do programa.

Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins devem, até o final de junho, ter 20 mil diretores e coordenadores capacitados para melhorar o processo de gestão de suas respectivas escolas. “Não é um curso de informática. Vamos preparar quatro líderes de cada escola para formular projetos que vão ao encontro das necessidades da instituição em que trabalham”, explica Ana Teresa Ralston, gerente de programas educacionais da Microsoft.

Segundo Ana Teresa, em 2004 a empresa se dedicou a observar a área pública e elaborou um software com a ajuda de educadores que estudam a área de tecnologia. “Oferecemos a ferramenta e hospedagem para essas escolas, não interferimos no contéudo”, afirma. A parte pedagógica do projeto é acompanhada por uma equipe da PUC-SP, que transforma as experiências nas escolas em conhecimentos acadêmicos. O curso é dividido em dois módulos presenciais e dois a distância. Ao Estado, cabe financiar as hospedagens dos gestores nas duas situações em que o curso é apresentado em Campinas (SP).

“É um momento em que os líderes param para repensar o projeto pedagógico de sua escola”, diz Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, professora da PUC-SP. Para ela, uma das principais conquistas do programa é tirar o medo de alguns diretores de usar o computador por não entenderem como funciona.

“Muitos gestores deixam os equipamentos trancados numa sala. Não é má vontade, mas desconhecimento”, avalia.

Prejudicados com a subutilização dos computadores são também os alunos, que deixam de ter contato com o  equipamento. No caso da escola Francisco Matarazzo Sobrinho, esse problema foi solucionado, de acordo com a diretora Valda Aparecida de Ávila Vieira.








Embora existam apenas 14 computadores para 1.500 alunos, houve um esforço para incentivar o uso de pesquisas na internet e a produção de trabalhos para o recém-inaugurado web site da escola.

“Hoje, nossos alunos se orgulham de ter um web site e fazem sugestões de conteúdos novos. Por outro lado, os pais deles podem conhecer melhor a escola, coisa que muitas vezes não tinham tempo de fazer pessoalmente”, comemora Valda.

Em geral, a aceitação dos alunos em usar a tecnologia é mais fácil do que a dos professores. Mesmo sem resistência do corpo docente ao novo projeto, Valda conta que precisou forçar a mudança de práticas rotineiras e, assim, incentivar que os professores usassem o computador para saber horários de reunião, fazer o planejamento pedagógico e compartilhálo com os colegas.

Outros Estados estão interessados em implantar o Gestão Escolar e Tecnologia. Por enquanto, a Microsoft e a PUC-SP não têm como atender à demanda.

Espera-se, segundo Fernando José de Almeida, consultor do projeto, que em breve ele chegue a todo o país e reforce os esforços já criados no setor com programas públicos, como o Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo), do governo federal. “Vamos juntar conhecimentos e disseminá-los”, diz.

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