Fernanda Zochio

diretora-geral do Pueri Domus Escola Experimental

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?




A educação básica no Brasil apresenta resultados abaixo da média, nas avaliações nacionais e internacionais.




Na avaliação feita pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), 55% das crianças que freqüentavam a 4
a

série em 2003 têm uma competência de leitura abaixo do nível apropriado para a série, além de apresentarem graves dificuldades em ler textos simples, curtos e de encontrar as informações explícitas. Em matemática, esses alunos não consolidaram plenamente os algoritmos da soma, subtração, multiplicação e divisão.




No Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), que engloba 41 países e visa saber o quanto e como eles estão preparados para a vida em sociedade no mundo contemporâneo, os resultados não são diferentes.



Na escala geral, os países ficaram distribuídos em três faixas, segundo seus desempenhos na prova. Quatro países tiveram resultados equivalentes à média geral da OCDE, numa faixa de 498 a 506 pontos. O Brasil ficou posicionado na terceira faixa e a média foi de 377 pontos.



A conclusão possível é de que a educação oferecida no Brasil está muito aquém da qualidade necessária a um desenvolvimento sustentado e de longo prazo.




 





Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?





A receita para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país existe, é simples e é amplamente conhecida. Modelos de desenvolvimento de diversos paises indicam e comprovam o caminho a ser adotado por nós. Um exemplo recente é o da Coréia do Sul, que há 45 anos apresentava um quadro similar ao brasileiro, 35% da população era analfabeta.
Os coreanos praticamente erradicaram o analfabetismo e 82% dos jovens estão na faculdade, enquanto o Brasil ainda mantém 13% da população analfabeta e apenas 18% dos jovens chegam às faculdades.


 





Prioridade de investimento na educação fundamental e média e não no ensino superior, valorização do professor com remuneração adequada e investimento na sua formação, destinação de recursos para a infra-estrutura das escolas, aumento da carga horária escolar e aumento no número de anos médios de escolarização e fortalecimento da cultura escolar das famílias fazem parte dessa receita conhecida, o grande desafio é optar por ela e garantir a sua consecução.



“Os países que investiram volume considerável de recursos para educar suas populações são aqueles que obtiveram maior desenvolvimento econômico”, Gary Becker, Prêmio Nobel de Economia de 1992.



 





Educação é um bom negócio?





Numa concepção geral, a educação deve ser vista como um bom negócio, pois é uma área compreendida como essencial para o desenvolvimento de qualquer nação, é também um segmento em expansão com indicadores crescentes de investimentos, além de ser um segmento com ampla abrangência social e etária, já que aprender é uma atividade para toda a vida e para todos os segmentos da sociedade.




Na minha concepção, educação somente pode ser considerada um bom negócio se atender às expectativas inerentes à sua atividade fim, que podem ser resumidas em três aspectos: (1) garante a formação de indivíduos preparados para enfrentar os desafios de um mundo em constante transformação; (2) gera empregos; e (3) oferece retorno financeiro adequado.



Na educação privada brasileira, garantir a consecução desses três aspectos é o grande desafio se considerarmos: (1) as condições da conjuntura econômica e social – perda do poder aquisitivo e redução do número de filhos por família; (2) a legislação brasileira atinente a impostos e leis trabalhistas – alta incidência de impostos, instituições com concessões especiais relativas a impostos e custo elevado de encargos trabalhistas; e (3)

a qualificação da mão-de-obra nos mais diversos segmentos.




A determinação clara dos objetivos da instituição educacional, a formação dos profissionais, aliada a uma administração consciente e responsável são aspectos-chave para a garantia do “bom negócio”.



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