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Leia a introdução do livro “A Cartografia”, de Fernand Joly

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 Divulgação




O livro “A Cartografia”, do geógrafo Fernand Joly, é uma das dez indicações da Biblioteca





Básica de outubro, da revista Educação, feitas pelo professor Ailton Luchiari, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Confira abaixo a introdução da obra.

“A cartografia é a arte de conceber, de levantar, de redigir e de divulgar os mapas.



Um mapa é uma representação geométrica plana, simplificada e convencional, do todo ou de parte da superfície terrestre, numa relação de similitude conveniente denominada escala.




Um mapa é a representação, sobre uma superfície plana, folha de papel ou monitor de vídeo, da superfície terrestre, que é uma superfície curva. A passagem de uma para outra suscita várias dificuldades. Uma delas é a definição exata da forma e das dimensões da Terra. Esse é o objeto da
geodésia

, que se encontra assim na origem de toda cartografia. Uma outra dificuldade consiste em transferir para o plano a superfície assim mensurada. Este é o problema das
projeções

.




Um mapa dá uma imagem incompleta do terreno. Ele nunca é uma reprodução tão fiel quanto pode sê-lo, por exemplo, uma fotografia aérea. Mesmo o mais detalhado dos mapas é uma simplificação da realidade. Ele é uma construção seletiva e representativa que implica o uso de símbolos e de sinais apropriados. As regras dessa simbologia pertencem ao domínio da
semiologia gráfica

, que estabelece uma espécie de gramática da linguagem cartográfica.




Há muito tempo sabe-se construir globos terrestres e mapas do mundo inteiro. Mas, para que sejam cômodos, eles devem ter dimensões reduzidas. Então perdem, em riqueza de detalhes, o que ganham em manejabilidade. É por isso que, para o uso corrente, preferem-se mapas que tratem apenas de uma parte restrita da superfície terrestre: planos de municípios ou de cidades, cartas topográficas de base ou derivadas, mapas de conjunto de um país ou de um continente.



Essas considerações acentuam a importância primordial da
escala

do mapa. Mais que uma simples relação matemática, a escala é um fator de aproximação do terreno cheio de significado científico e técnico. Por um lado, no plano da pesquisa e do levantamento de campo, a escala determina um certo nível de análise em função do espaço a cobrir e dos detalhes a atingir. Por outro, no estágio da redação, a escala é condição da precisão, da legibilidade, da boa apresentação e da eficiência do mapa. O número e o acúmulo dos símbolos empregados dependem, com efeito, do espaço disponível: quanto maior a redução da imagem terrestre (ou seja, quanto menor for a escala), mais severa é a seleção e mais abstrata a simbologia. Resolver esse problema é o objetivo da
generalização

, que aumenta ainda mais o caráter esquemático e convencional da representação cartográfica.



Conforme a definição adotada pela Associação Cartográfica Internacional






[1]







, a cartografia compreende “o conjunto dos estudos e das operações científicas, artísticas e técnicas que intervêm a partir dos resultados de observações diretas ou da exploração de uma documentação, em vista da elaboração e do estabelecimento de mapas, planos e outros modos de expressão, assim como de sua utilização”. Ela engloba, portanto, todas as atividades que vão do levantamento do campo ou da pesquisa bibliográfica até à impressão definitiva e à publicação do mapa elaborado. Nesse contexto, a cartografia é ao mesmo tempo uma ciência, uma arte e uma técnica. Com efeito, ela implica, por parte do cartógrafo, um conhecimento aprofundado do assunto a ser cartografado e dos métodos de estudo que lhe concernem, uma prática comprovada da expressão gráfica com suas possibilidades e seus limites, enfim, uma familiaridade com os modernos procedimentos de criação e de divulgação dos mapas, desde o sensoriamento remoto até a cartografia computadorizada, passando pelo desenho manual e pela impressão.



Poucas pessoas são naturalmente capazes de desempenhar todos esses papéis ao mesmo tempo. É inevitável, e desejável aliás, que esses diversos aspectos do trabalho cartográfico tenham seus especialistas possua um certo conhecimento do conjunto dos problemas colocados pela cartografia.



Dentro dos limites das restrições de um contexto, o mapa descreve uma porção do espaço geográfico com suas características qualitativas e/ou quantitativas. A referência está assegurada por uma rede de coordenadas à qual se relacionam todos os pontos do campo observado. As características do sistema de projeção permitem saber com que propriedades geométricas pode-se contar. A escala formula a relação existente entre o mapa e o terreno. A mensagem cartográfica é antes de tudo uma mensagem de localização e de avaliação das distâncias e das orientações.



Através de um sistema de símbolos mais ou menos complicados, o mapa é também uma mensagem de informação sobre os objetos, as formas, os fatos e as relações contidas no espaço estudado. Alguns desses símbolos são tão claros ou de uso tão corrente que são quase instintivamente percebidos por todos. Outros, mais sutis, devem ser explicitados através de uma legenda.



Além disso, esses símbolos podem ser agrupados entre si de maneira significativa. Essas combinações obedecem a regras semióticas que as tornam inteligíveis aos que se esforçaram para assimilar bem a legenda. O cartógrafo dispõe, assim, de um meio para mostrar ou para sugerir ao leitor a diversidade das relações visíveis ou invisíveis que são a própria essência das realidades geográficas. Portanto, a mensagem cartográfica também pode ser uma mensagem de interpretação e de comunicação científica.



Mensagem intelectual tanto quanto documentário, traço de união entre um autor e um leitor, o mapa não é neutro. Ele transmite uma certa visão do planeta, inscreve-se num certo sistema de conhecimento e propõe uma certa imagem do mundo, quer se trate da Terra inteira ou do meio ambiente imediato. Na Idade Média, mapas chamados “T dentro do O” mostravam uma Terra circular simbolicamente dividida em três, como a Trindade, com dois braços de mar em T com a Europa à esquerda, a África à direita e a Ásia acima, sede do Paraíso terrestre. Na época de esplendor da Europa, os mapas do mundo eram centralizados sobre o meridiano de Greenwich; agora, muitas vezes estão centrados sobre a América ou sobre o pólo. As sociedades modernas, com o auxílio dos mapas, forjam a imagem da disposição futura de seu território. Mapa de fé, mapa técnico ou mapa de propaganda, o mapa, como sistema lógico de visualização, impõe-se como um instrumento maior de conhecimento e de utilização do espaço geográfico.



Função de referência, função de inventário, função de explicação, função de prospecção, função de comunicação: os objetivos da cartografia são múltiplos. Suas técnicas, com a introdução do sensoriamento remoto e da informática, fornecem-lhe os meios ambicionados. Este livro pode apenas sugerir os aspectos essenciais e momentâneos de uma disciplina em acelerada evolução. Serão abordados sucessivamente: uma breve rememoração das características da linguagem cartográfica; a cartografia descritiva da superfície terrestre; a análise cartográfica do espaço geográfico; o papel da cartografia na gestão do meio ambiente. Com suas qualidades e seus limites, o mapa entrou na pesquisa científica tal como a vida corrente: a proliferação dos assuntos e a complicação das técnicas colocam o duplo problema da competência e da formação do cartógrafo.”




 




 





“Fernand Joly atua há muitos anos na área, ensinando e praticando a cartografia. Foi professor na Universidade de Paris 7 e antigo diretor do Centre d’Etuses et de Réalisations Cartographiques (CERCG), laboratório do CNRS. Algumas de suas principais obras são:
Place de lê cartographie dans lê travail géographique

(1972) e
Carte géomorphologique de la France au 1:1000 000

(1900).” – texto retirado da orelha do livro.





 




 





Ficha técnica:






Título:

A Cartografia





Autor:

Fernand Joly





Editora:

Papirus





Páginas:

136





Preço:

R$ 24,90












[1]







Associação Cartográfica Internacional, Comissão para a Formação de Cartógrafos; Reunião da UNESCO, Paris, abril de 1966.




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Leia no portal da revista Educação mais trechos da entrevista com o ex-ministro da educação nos dois mandatos de FHC

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 Antonio Larghi





Sua gestão, assim como a atual, também enfrentou problemas com as instituições de ensino superior privadas?



Sim, mas esses problemas eram enfrentados no Congresso. Havia muita polêmica no Conselho Nacional de Educação. Acho que as nossas polêmicas eram mais abertas. E, no caso da avaliação do ensino superior, a nossa proposta e toda a idéia do Provão era algo que a sociedade iria responder. E de fato respondeu. Os cursos mal avaliados tiveram uma queda na inscrição, nos seus vestibulares, de 40%. Os cursos bem avaliados tiveram aumento de 20%. Contávamos muito com a participação da sociedade na implementação das medidas. O ministro Tarso Genro quer fiscalização. Quer mandar lá o fiscal.



 




Ouve-se muito a palavra auto-avaliação.



Isso é um viés corporativo. Precisamos entender também que o PT tem uma forte base na corporação universitária e essa corporação não gosta de avaliação externa. Não gosta de avaliação objetiva. Sempre lutou pela auto-avaliação, por uma reprodução interna da sua maneira de pensar. O sistema de avaliação foi exterminado pelo ministro Cristovam Buarque. O ministro Tarso Genro negociou com o relator um projeto que não é ruim, e que, aprovado pelo Congresso, não extingue o Provão, o sistema de avaliação como nós o concebemos. Ele diz que haverá uma prova, e que essa prova deverá ser feita pelo menos a cada três anos. Pelo menos. Mas permite-se a anualidade. Em segundo lugar, diz que nessa prova era admitida a amostragem, mas permitia-se a aplicação universal.



 




A amostragem permite a avaliação?



Não, ela compromete muito a avaliação. Os especialistas que foram ao ministério discutir com representantes do governo advertiram que era impossível avaliar da maneira como estavam fazendo. Mas eles fizeram e não estão conseguindo chegar aos resultados. Porque eles introduziram também outro erro, mais um desperdício de dinheiro, que não serve para nada: fazer a avaliação dos alunos do primeiro ano, por amostragem também. Não há como comparar estatisticamente o resultado do primeiro ano com o do último ano. Não são as mesmas amostras, não são as mesmas pessoas. Você pode comparar o resultado do Provão com o resultado do Enem de quatro anos antes. É a mesma geração. Você não pode, não tem instrumentos para comparar o aluno do primeiro ano com o do quarto. Você não sabe se nesse meio tempo mudou a qualidade dos alunos. É impossível.



 




A que você atribui a resistência ao modelo anterior?



É algo totalmente ideológico. 100% ideológico. O governo trouxe para cuidar do exame as pessoas que sempre se manifestaram contra o Provão. Pessoas que sempre foram contra o Provão encarregadas de montar o sistema de avaliação. Como houve uma reação muito grande quando eles falaram em acabar com o Provão, eles tentaram fazer um meio termo: em vez de anual, trienal; em vez de universal, por amostragem. Em termos de grande concepção, isso não muda nada. Você tem uma prova. Mas a UNE, por exemplo, passou a achar bom. Antes era muito ruim, agora ficou bom. O que mudou na essência? A única coisa que mudou é que o exame agora não pode avaliar nada. Mela a avaliação.



 




O governo tem hoje instrumentos para fechar uma faculdade ruim?



Tem instrumentos, como tinha no meu tempo. O governo precisa seguir os procedimentos legais; isso toma tempo, não é de uma hora para outra. Acho que hoje eles têm menos instrumentos porque perderam essa avaliação anual. Com uma avaliação a cada três anos, sempre a faculdade poderá dizer que ela vai se recuperar nos próximos três anos. Ela tem de esperar outra avaliação. No meu tempo, tinha de esperar apenas mais um ano. Fomos parados pela Justiça, mas estávamos já com o processo de fechamento de 12 cursos. Não escutei mais nada sobre isso, mas imagino que o governo não tenha fechado. Se o ministro não está em cima para fazer entrar na pauta, as coisas acabam esquecidas… Outra coisa que estamos observando no ensino superior, em função de não ter mais avaliação anual, é que as faculdades estão se aproveitando disso para mudar o quadro de professores. Estão demitindo doutores. É o inverso do que ocorria. Por ocasião do Provão, a faculdade tinha de informar qual era o seu quadro docente. Anualmente, tinha de dizer quantos doutores tinha. Se diminuísse a proporção de um ano para outro, isso ficaria óbvio nos relatórios à disposição de toda a imprensa. Agora, o Provão é a cada três anos. E não são mais divulgados os outros dados. As faculdades não têm de informar também o número de professores. Então, eles não estão sendo checados. Estão fazendo o que eles querem. Daí, em função de diminuir custos de uma maneira burra, estão cortando os professores mais qualificados, que são mais caros.



 




Isso não acaba favorecendo a lógica da mercantilização?



O governo diz que a reforma universitária é contra a mercantilização. Na prática, o que está acontecendo é que há um processo de deterioração na qualidade das universidades particulares. Quando assumimos, o ensino superior privado correspondia a 60% do setor. Quando deixei, o número era de 70%. A mercantilização não está no número de alunos, nem no número de faculdades. Mercantilização eu entenderia como tratar a educação como uma mercadoria comum. Ou seja: uma coisa que é passível de compra e venda. Mesmo na mercadoria comum, você olha a qualidade. Você não vai comprar uma mercadoria só pelo preço dela. O que nós fizemos foi introduzir o parâmetro da qualidade. Introduzir um critério de qualidade, por intermédio da avaliação. Havia de fato, nesse sentido, a mercantilização. Você veja que as faculdades novas, criadas depois do provão, são melhores do que as antigas. Têm mais notas A e B em Direito e Administração. Ora, se havia mercantilização no sentido de comprar coisa sem ver a qualidade, isso era antigamente. Ao introduzirmos a avaliação, nós justamente apontamos contra essa idéia de uma mercadoria que se compra e vende sem ver a qualidade. Em termos gerais, mercantilização não quer dizer má qualidade. Mas, no caso da educação, tem se associado mercantilização com má qualidade. No meu período, apesar da grande expansão, os dados mostram que houve importante melhoria da qualidade nas instituições privadas. Nesse sentido, não houve mercantilização. O que observo hoje é que alguns indicadores de qualidade que nós tínhamos, como qualificação de docentes, parece que vão começar a mostrar uma involução.



 




A proposta de reforma universitária não corresponderia a um enfrentamento aos interesses privados?



O projeto não ataca o problema da mercantilização na sua essência. É um projeto sindicalista. Que transfere poder das instituições federais e das particulares aos seus sindicatos de trabalhadores. Não há experiência bem-sucedida assim no mundo. Todas as experiências que foram por esse caminho levaram à queda na qualidade. A Suécia, por exemplo, teve uma experiência assim; os países latino-americanos que tiveram essa experiência fracassaram. Não vi grandes méritos no projeto de reforma. O ProUni tem um aspecto interessante, toca um problema que é sério, o do financiamento dos alunos de menor renda. Faz isso na forma de dar gratuidade das anuidades até 10% da matrícula. Isso é interessante. Escrevi um artigo dizendo que se eu tivesse tido essa idéia, não me deixariam chegar vivo ao ministério, me linchariam no meio do caminho. O ministro Tarso Genro me disse que entendeu isso como um elogio. A idéia é boa. O problema é a forma como foi implementado. Acho que tem a forma mais atrasada, aquela que abre margem a todo tipo de corrupção, a desvio de dinheiro. Idealmente, o modelo tinha de ser assim: todo mundo paga imposto e quem der vaga gratuita, eu pago pela vaga. Eu devolvo o dinheiro. Pago. E não fazer o contrário: eu dou isenção se você me der a vaga. Isso é uma coisa que beneficiou muito as instituições com fins lucrativos.



 




O senhor concorda com os elogios à atuação da ex-prefeita Mara Suplicy (PT) na área de educação em São Paulo?



Não, porque o projeto mais importante dela foram os CEUs; não é um programa de educação, é um programa social. Tenho aos CEUs a mesma crítica que fiz aos “Brizolões”. Você não deve fazer uma coisa para poucos. Na educação, você faz para todos. Tem de cuidar de todos. Esse é o primeiro dever do dirigente público, cuidar da sociedade, especialmente dos mais pobres. Tem de universalizar e brigar pelo aumento da qualidade. Ter pontos e focos de excelência é importante quando você já universalizou, mas não é o caso aqui. O foco de excelência você tem quando seleciona alunos especiais, superdotados, e para eles você dá condições especiais, desde que você tenha atendido a todos com condições satisfatórias. Não é o caso de aleatoriamente selecionar três, quatro, vinte bairros para proporcionar escolas especiais a eles. Cuba tem um projeto diferenciado, para alunos especiais. Mas isso é diferente do que aconteceu em São Paulo.



 




E as ações afirmativas?



Tenho minhas críticas às cotas. Não é o melhor caminho. As ações afirmativas são importantes, mas acho que as mais eficazes são de outro tipo. Colocar todas as crianças na escola, cuidar daqueles que têm defasagens para que eles possam acompanhar a escola. Pessoas que vêm de famílias com defasagem educacional têm mais dificuldades. Você tem de criar classes especiais, condições especiais, programas de aceleração escolar. Depois, fazer com que essas crianças possam chegar ao ensino médio. E, chegando às portas da universidade, dar cursos vestibulares de boa qualidade para essas pessoas, para fazer com que elas possam compensar o fato de não terem o histórico escolar dos pais. Uma boa situação familiar é importante para a educação. Mas acho que a cota em si mesma é uma solução muito parcial lá na ponta, só na hora de entrar na universidade, e que tem o problema de provocar queda na qualidade.



 




Nem a cota socioeconômica seria justificável?



O problema é você ter entrando na universidade pessoas que estejam preparadas para a universidade. Nos cursos mais gerais, menos competitivos, talvez não se note a diferença. Naqueles mais competitivos, sim.



 




Por que o PSDB não consegue ser tão eloqüente ou audível nas suas críticas como era o PT, por exemplo, na época em que o senhor estava no governo?



É uma boa pergunta. O PT na oposição tinha muito mais charme do que o PSDB. Eu falo, escrevo artigos, tudo o mais.



 




Não seria um discurso muito técnico, e o do PT seria mais popular, inteligível e retórico?



Pode ser. O PT falava de uma espécie de utopia para quando chegasse ao poder. E não se viu nada disso. Na área social, está muito aquém do que se esperava. Talvez quando o PT passe para a oposição adote o tratamento que nós estamos dando ao governo hoje. A crítica do PT era até certo ponto bastante irresponsável, como se fosse possível fazer tudo. Acho que o fato de termos passado pelo governo também nos impede de fazer uma crítica mais panfletária. Sabemos que nem tudo é possível. Nossa crítica é mais comedida, em todas as áreas. Mais amadurecida. Talvez o país todo caminhe para isso.



 




Nos governos estaduais e nas prefeituras, o PSDB tem desenvolvido projetos de educação que merecem ser citados?



Em São Paulo, temos uma reforma que foi feita basicamente pelo governador Mário Covas. E o atual secretário, Gabriel Chalita, é uma pessoa que tem ascendência muito grande sobre os professores. De certa forma, está consolidando aquilo que foi feito. Acho que, em geral, os governos do PSDB vão bem nos estados na área de educação. Minas Gerais começou antes do que os outros estados a reforma na educação, em 1990, quando o governador era o Hélio Garcia. Começaram um projeto de descentralização, de tirar a politização que havia na área de educação. Ganharam inclusive notoriedade internacional. Hoje, Minas e São Paulo são equivalentes em termos de desempenho na educação.



 




Como avalia a proposta de conversão de parte da dívida externa em investimentos na área de educação.



Há determinados modismos que têm um grande apelo popular e de opinião pública entre os leigos e incautos. Isso é verdadeiro especialmente a temas econômicos. Conversão de dívida é um eufemismo para perdão de dívida, com a diferença de que o credor perdoa determinada dívida desde que o devedor se comprometa a colocar o equivalente ao valor perdoado em algum investimento específico, no caso a melhoria da educação. Essa é, portanto, uma questão a ser combinada e acordada com os credores. No caso dos países pequenos e de frágil economia, como muitos dos africanos ou Bolívia, Paraguai e Haiti na América Latina, essa tese pode ter mais chances de êxito por duas razões: primeiro, porque são países realmente pobres e que não têm recursos próprios para grandes investimentos em educação; segundo, porque o valor de suas dívidas é pequeno e seu perdão não tem o menor impacto nos países credores. O Brasil não se enquadra em nenhuma dessas categorias. Além disso, a maior parte de nossa dívida externa é privada – entre empresas privadas. Quando se fala de perdão de dívida, em geral se está falando de dívida pública. Grande parte de nossa dívida pública é com organismos multilaterais como o BID, o Banco Mundial ou o Fundo Monetário. Qual será o critério para que esses organismos perdoem a dívida de um país e não de outro? Sobra dizer que se perdoarem as dívidas de todos, esses organismos quebrariam e deixariam de existir.


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